sexta-feira, 19 de abril de 2013

Na primeira vez na noite fria...

Na minha aldeia não faz frio. Nunca.
[Quase nunca].
Hoje à medida que a temperatura cai sinto medo ao perceber que estão todos dormindo em paz.
Eu não consigo dormir. Nem sentir paz. Só sinto frio.
E aquela velha angústia, amiga das horas mais improváveis, em que nem eu mesmo ficaria ao meu lado se tivesse a opção de me desprender do meu próprio ser.
Meus pés estão gelados e meu coração ressentido.
Assim, meio piegas, a ponto de afirmar que nenhuma bebida quente, dessas que a gente toma quando faz frio,  possa aquecer minha alma esta noite.
Vou esperar a cidade acordar. Vou esperar você acordar.
Assim eu posso dormir. Assim metade de mim sente paz. Meu pé direito fica quente. Meio coração acalma. Meia alma sossega.