domingo, 4 de setembro de 2011

Segredo

Me conta do teu segredo
De reinventar o tempo
De fazer dias das horas
E desses dias, meses
E de um segundo, a eternidade
E mais devagar, e mais rápido
Instante urgentíssimo e lento
Que o tempo, momento eterno
Parece durar tão pouco
Parece acabar tão rápido.

Me conta do teu segredo
De reinventar o espaço
De fazer presença na ausência
De chegar de mim mais perto
Do que a aproximação permitida
Pela química das moléculas
Mais perto, mais do que o perto
Mais perto, mais do que o dentro
Mais perto, mais do que o mesmo
Mais perto, quase que um
E ainda insuficiente
Que eu não tinha reparado
Da assustadora distância
Do simples desvio dos olhos
Da falta do enlaçe dos dedos
Do intransponível do logo ali.

Me conta do teu segredo
Me conta?
De embaralhar os conceitos
As cartas do passado e futuro
Do lugar, do perto e distante
Do simples e do confuso
As cartas da força e do medo
Me conta do teu segredo
De rearranjá-las na mesa
Inventar o teu próprio jogo
E realinhar meu destino
Não a cigana que o lê
Mas a moira que o tece.

Me conta do teu segredo?
N
ão me conte, não me conte
Que as cartas de amor e razão
Não estão no mesmo monte
Nem hoje, nem sempre, nem ontem
Longe e perto
Perto e longe.