quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cordel do Espelho

Na sala da vida há um espelho
Que pode ser atravessado
De um lado o mundo verdadeiro
Do outro, invertido inteiro
Outro mundo falseado
De um lado a vida que vale
A vida que a luz ilumina
Do outro há o que já não se sabe
Onde começa ou termina
A vida sem luz que não cabe
Na chama da lamparina

Quem olha para o outro lado
Não compreende o sentido
Quem está lá não faz caso
De viver no invertido?
Mas que vida mais vazia
Mas que vida mais pequena
Aqui é que está a alegria
Aqui é que está vida plena.

Mas na hora em que o amor começa
E então com o amor findado
É que o sujeito atravessa
De um para outro lado
E olhando pra trás de repente
Já não pode compreender
Mas que pena dessa gente
Acha que está contente
Mas não sabe o que é viver.

E eu, sentado num canto
Vejo a movimentação
É gente passando tanto
De um lado pro outro enquanto
Doutro lado, sem espanto
Vem outros na contramão
Em comum, essa gente inteira
Sabe com satisfação
Que de um lado a vida é verdadeira
E do outro é imitação
E estando de parte a parte
Ninguém exita afirmar
Que o lado onde está a verdade
É o lado onde se está.