domingo, 24 de abril de 2011

Observatório arroz-feijão

Algumas vezes me ocorre, observando uma coisa tola, de que ela representa em alguma medida alguma outra coisa que, embora também sendo tola, me pareça mais importante. Não entendeu né? Bom, a questão é que, se o macro está no micro, se os fractais se indefinivam (esta palavra eu inventei agora) e se o átomo se parece muito com o sistema solar, porque não aprender grandes lições sobre a vida a partir de observações sobre coisas simples.

É a boa e velha analogia, você vai dizer. É, é isso mesmo. E agora eu me lembrei do Lula, o mestre das comparações: "para uma economia doente, precisamos escalar um médico" (na posse do Palocci). É claro que uma analogia besta como essa não faz o menor sentido (para uma economia quebrada, precisamos do Tonho Mecânico?) e neste ponto eu estou quase desistindo de escrever esse post. Mas como eu sou teimoso, vou falar sobre 3 dessas situações que eu observo.

1. Xícara de café: Sempre que faço meu café de manhã (sim, eu faço café de manhã, e no fogo! - cafeteira é para os fracos), penso sobre isso. O café é muito amargo, e por isso colocamos açúcar, que é doce. Um e outro não podem ser tomados sozinhos, seria insuportável, então dosamos para que a goela os aceite. Muito tempo atrás, fiz um poema sobre isso, sobre como é bom dosar amargor e doçura na vida, dosar sucessos e fracassos, conquistas e decepções. A vida doce demais também me parece intragável, e uma decepçãozinha conserta isso fácil. Mas com o tempo minha observação foi mais além. Primeiro comecei a ter a mania (acho que já falei aqui sobre isso), de colocar sempre 4 colheres de açúcar no café, seja lá o tamanho da colher, seja lá a quantidade de café. Isso faz com que o gosto do café seja sempre uma surpresa, porque a proporção de doce e amargo se altera. Assim como deve ser a vida.

Mas continuei pensando. Com o tempo, percebi também que existem muitas pessoas querem me dizer como eu devo tomar o me café. Normalmente são as mesmas pessoas que querem dizer como eu devo viver a minha vida. Para os entendidos, café se toma sem açúcar, por uma regra estabelecida sem lá por quem e que eu deveria aceitar sei lá por que. Ora, assim como a vida é minha, o café é meu, e não há nada pior do que quem, tomando um café amargo por opção, queira também amargar o café dos outros. Talvez, se eu observasse bem, encontrasse que essas mesmas pessoas tem uma personalidade amarga, cheia de regras misteriosas que vão para lugar nenhum, concepções prontas e muito pouca capacidade de discernimento próprio. E é bem típico dessas personalidades, não podendo pensar na própria vida, pensar a vida dos outros, só para dar o que fazer ao cérebro (pelo menos é uma forma de exercitá-lo). Mas claro que tudo isso é apenas uma conjectura. Apenas isso.

Olha só que esse texto ficou maior do que eu esperava. E como estou atrasado para o meu almoço de páscoa, deixarei as demais observações para outro dia. Feliz Páscoa.