domingo, 4 de setembro de 2011

Segredo

Me conta do teu segredo
De reinventar o tempo
De fazer dias das horas
E desses dias, meses
E de um segundo, a eternidade
E mais devagar, e mais rápido
Instante urgentíssimo e lento
Que o tempo, momento eterno
Parece durar tão pouco
Parece acabar tão rápido.

Me conta do teu segredo
De reinventar o espaço
De fazer presença na ausência
De chegar de mim mais perto
Do que a aproximação permitida
Pela química das moléculas
Mais perto, mais do que o perto
Mais perto, mais do que o dentro
Mais perto, mais do que o mesmo
Mais perto, quase que um
E ainda insuficiente
Que eu não tinha reparado
Da assustadora distância
Do simples desvio dos olhos
Da falta do enlaçe dos dedos
Do intransponível do logo ali.

Me conta do teu segredo
Me conta?
De embaralhar os conceitos
As cartas do passado e futuro
Do lugar, do perto e distante
Do simples e do confuso
As cartas da força e do medo
Me conta do teu segredo
De rearranjá-las na mesa
Inventar o teu próprio jogo
E realinhar meu destino
Não a cigana que o lê
Mas a moira que o tece.

Me conta do teu segredo?
N
ão me conte, não me conte
Que as cartas de amor e razão
Não estão no mesmo monte
Nem hoje, nem sempre, nem ontem
Longe e perto
Perto e longe.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Diálogos - especial casamento

Como as pessoas reagem à minha resposta padrão para a pergunta: "Você não vai casar?"

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- E você Rogério, por que você não casa?

- Eu não caso porque sou muito feio.

- Que nada. E é o contrário, são os feios que casam.

- Então eu não caso porque sou muito bonito.

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- E você, casou?

- Não, eu sou muito feio.

- Que é isso. Eu casei duas vezes.

- Pois é, se até você casou, eu ainda tenho chance.

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- E você, não vai casar não?

- Não, eu sou muito feio.

- Acho que na verdade você não quer assumir responsabilidades.

- Então eu sou feio e irresponsável.

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- O Rogério não casa porque não quer ter trabalho.

- Não é por isso não. Não caso porque sou muito feio.

- Mas você já encontrou o amor da sua vida?

- Eu nem encontrei a minha vida ainda. Que dirá o brinde.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quase um mês

São 6 meses de baixa produção e um inteiro de inatividade. Mas o blog não morreu, e voltará em breve. Ele volta. Ah, se volta. Continue passando aqui.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cordel do Espelho

Na sala da vida há um espelho
Que pode ser atravessado
De um lado o mundo verdadeiro
Do outro, invertido inteiro
Outro mundo falseado
De um lado a vida que vale
A vida que a luz ilumina
Do outro há o que já não se sabe
Onde começa ou termina
A vida sem luz que não cabe
Na chama da lamparina

Quem olha para o outro lado
Não compreende o sentido
Quem está lá não faz caso
De viver no invertido?
Mas que vida mais vazia
Mas que vida mais pequena
Aqui é que está a alegria
Aqui é que está vida plena.

Mas na hora em que o amor começa
E então com o amor findado
É que o sujeito atravessa
De um para outro lado
E olhando pra trás de repente
Já não pode compreender
Mas que pena dessa gente
Acha que está contente
Mas não sabe o que é viver.

E eu, sentado num canto
Vejo a movimentação
É gente passando tanto
De um lado pro outro enquanto
Doutro lado, sem espanto
Vem outros na contramão
Em comum, essa gente inteira
Sabe com satisfação
Que de um lado a vida é verdadeira
E do outro é imitação
E estando de parte a parte
Ninguém exita afirmar
Que o lado onde está a verdade
É o lado onde se está.

domingo, 26 de junho de 2011

Cordelzinho

Eu vou dizer bem baixinho
Que é pra ninguém me escutar
Que é teu o meu carinho
Que é teu o meu caminho
Que é teu o meu vagar
E foi mesmo 'vagarinho
Que em combinação com o ar
Você espalhou no vento
Tudo o que eu tinha de alento
A casca do sentimento
O aposento do gostar
E se pôs bem de mansinho
Feito bem um passarinho
Que vai construir o ninho
Onde não dá pra alcançar
Mas donde há de ouvir-se o canto
E donde se está, portanto
Vitimado do encanto
Da tua voz de encantar.
Vai-te embora, passarinho
Pensei bem em lhe pedir
Mas a menina bonita
Sabia que aquilo era fita
Não era para partir
Ao contrário, era pra ficar
Pra ficar sempre e mais perto
Que o silêncio do deserto
Se alegrava, passarinho
De sempre te ouvir cantar
E então deixando, certo
Foi ficando e, sendo esperto,
Cativando o meu desejo
De um jeito que, agora vejo,
Não quero mais me livrar.

domingo, 12 de junho de 2011

Diálogos

- Mas você é assim porque age naturalmente. Você não quer fazer só o que as pessoas esperam que você faça.

- Eu não sei o que as pessoas esperam que eu faça. Se soubesse, faria.

sábado, 11 de junho de 2011

Mas...

Amor não brinque assim
Com o meu coração
Amor não faça mais
Tamanha ingratidão
Que eu posso ser capaz
De me voltar então
E procurar a paz na luz de um novo amor
No amor de um novo dia
E se a paixão fugaz
Tornar-se solidão
Eu rogarei a Deus perdão por dar amor
A quem não merecia

Mas... se você quiser meu bem
Mas... se você me amar também
Será como uma balsa que sobre o mar flutua
Será como uma rosa que desabrocha sob a Lua
Será como uma valsa dançada no meio da rua
A minha alma nua, a minha mão na tua
Entrelaçada o amor e a imensidão...



video

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Diálogos

- Estou com vontade de sumir, sabe? Ir embora, mudar de cidade. Começar de novo em outro lugar, uma vida diferente..

- Ixe, pode esquecer. Eu já fiz isso 5 vezes e nunca deu certo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Diálogos

- E você tem medo do que?

- De altura.

- Que mais?

- Que mais? Não sei, acho que só de altura.

- Não esse tipo de medo, mas outras coisas. Por exemplo, da solidão, você não tem medo?

- Parece uma contingência, não?

- E da morte? Não tem medo de morrer?

- Medo de morrer? Eu tenho medo é de reencarnar!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Diálogos

- A verdade é que as relações, quaisquer que sejam, amor ou amizade, acontecem e se consomem. Para permanecer, precisam se reinventar e, se quisermos que elas durem, devemos pensar não em como refazê-las como foram um dia, mas em como a reinventaremos amanhã.

- Você mudou muito. Fala como um homem com experiência.

- Os últimos 29 anos não foram de todo inúteis afinal, não?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fragmentos

"O melhor conselho veio de minha avó. Depois de tentar de tudo, em vão, apelei para a vida que ela já viu passar. O que vamos fazer agora? Nada, ela disse. Não faça nada. A vida se ajeita sozinha. Foi exatamente o que eu fiz e, quer saber, foi a única coisa que deu certo."

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Fragmentos

Ao contrário, sorriu ao pensar que gastara seu amor com alguém que o merecia.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Diálogos

(com meu amigo e sua namorada, de madrugada, num café da cidade)

- Vou pedir um Chocolate quente com rum.

- Ah, então vou pedir um também.

(a moça anota)

- Eu quero ver se é bom esse com rum.

- Como assim ver se é bom? Eu pedi também porque achei que você soubesse que era bom.

- Não, mas eu estou em busca do chocolate quente perfeito.

- Assim como o D2 procura a batida perfeita, você faz o mesmo com chocolate quente.

- Exato. Já fiz de várias maneiras, agora quero ver como é esse.

(chegam os chocolates quentes)

- Olha, eu diria que esse é o chocolate quente perfeito. Talvez eu só não fizesse tão encorpado e não colocasse tanta maizena.

- Mais ralo e sem maizena? Daqui a pouco você vai fazer sem chocolate também. O que sobrou de perfeito? Só a tacinha. E esse canudinho que já é colher junto. Esse você tem que admitir que é perfeito...

sábado, 14 de maio de 2011

Churrasco de gente diferenciada - democracia urbana.

Lamento muito que o excesso de trabalho como professor de urbanismo tenha contraditoriamente impedido que eu acompanhasse mais de perto o hit urbano da semana, os movimentos pró e contra a criação da estação do metrô em Higienópolis.

Ao que parece, tudo começou com um projeto da prefeitura para a criação de uma nova estação de metrô no bairro e com algumas declarações de membros da associação dos moradores contra o equipamento que viria "trazer movimento indesejável" para a região. Ora, isso não é novidade nenhuma e grande parte das estações do metrô sofrem resistência por parte ou outra da população que liga o equipamento à degregação urbana. Essas opiniões, além de sustentarem uma segregação velada, estão preocupadas principalmente com o valor dos imóveis. Poderíamos discutir se essa imaginada desvalorização é real ou se é uma mera resistência conservadora, ou se a especulação imobiliária é mais importante do que o direito a cidade. Mas fica pra próxima, o que eu queria falar é outra coisa.

Entre ações e protestos, uma entrevista à Folha de São Paulo trouxe o depoimento de uma moradora do bairro dizendo que uma estação do metrô atrai mendigos e drogados, uma "gente diferenciada". Pronto, estava armado o escarcéu. E na era das mobilizações populares via facebook que parecem pinçar quase aleatoriamente cubos de gelo que se transformam em bolas de neve, o evento "Churrasco de gente diferenciada", a favor da construção, obteve 50 mil confirmações de presença. É o poder do povo.

No meio do embate, a prefeitura mudou de planos por alegar questões técnicas de distância de menos de 600 metros entre duas estações, o que é verdade. A estação, ao que parece, será transportada para a praça Charles Miller, em frente ao Pacaembu.

O que me interessou nesse caso não é a segregação ou a valorização imobiliária, o direito à cidade ou o churrascão. Fiquei maravilhado com a discussão em torno da cidade, algo que aparece muito menos do que as eliminações do BBB ou o casamento do príncipe William. Não sou, de maneira alguma, contra a manifestação de quem quer que queira rejeitar a estação do metrô no bairro. E nem de quem é a favor. E digo mais, se a população contrária for representativa numericamente, isso deve sim ser considerado pelo sistema gestor municipal.

Dia desses assisti a um documentário sobre o Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Tido dentro das aulas de urbanismo como um monstro malufista, um absurdo urbano, um câncer rodoviarista, já foi alvo de inúmeras propostas de fechamento, retirada, demolição ou transformação. O fato é de que, da prancheta para cá, ninguém quer o Minhocão ali. Mas o que o documentário mostra é que as pessoas do bairro entrevistadas adoram o elevado e se arrepiam de ouvir falar em sua retirada ou demolição. Não é que o monstro rodoviarista tem coração?

Os anos passam e o metrô de São Paulo se torna um problema cada vez maior. A cidade cresce expoencialmente e as linhas paulistanas, as mais lotadas do mundo, não são maiores do que o sistema, por exemplo, de Santiago do Chile, uma cidade MUITO menor. Comparar com uma metrópole européia, por exemplo, é ridículo. E além de tudo, São Paulo tem um sistema burro que centraliza todas viagens na praça da Sé enquanto o tatuzão continua cavando os anéis periféricos. Cava, cava, cava, mata gente, cava... Depois cava mais... Além disso, o tatuzão gosta de cavar muito mais nos bairros ricos do que nos bairros pobres. É só ver a distribuição dos metrôs de SP e ver que ele não gosta muito de ir atrás da "gente diferenciada", da Zona Leste, das periferias ou das cidades da grande São Paulo onde, no máximo, chega o trem. O metrô de SP é um equipamento para os ricos.

Enfim, o debate está aberto. E é com muita alegria que vejo a população brigar, de lado a lado, pelo lugar onde vivem.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Diálogos

- Fui ao cardiologista. Fiz um monte de exames no coração.

- Eu fui uma vez, mas ele não conseguiu fazer nenhum exame.

- Por que?

- Disse que eu não tenho coração.

- Ah não? E você tem o que?

- Apenas uma pedra no meu peito.

- Claro que você tem coração. Um coração romântico.

- Não sou romântico. Talvez seja, no máximo, meio romântico. Meio romântico e meio insensível. E muito provavelmente, com o pior lado de cada parte.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Feliz Páscoa

Deixei para a Camila, minha amiga judia, a seguinte mensagem no facebook:

"Feliz Páscoa judaica pra vc! Nada como fuir do Egito de vez em quando. Que o diga Osni Mubarak!"

Um pouco depois recebo uma mensagem dela no celular:

"Uma Páscoa melhor do que foi para Jesus! Beijo e Chag Sameach."

rs. É difícil sacanear gente inteligente. ehehehe.

domingo, 24 de abril de 2011

Observatório arroz-feijão

Algumas vezes me ocorre, observando uma coisa tola, de que ela representa em alguma medida alguma outra coisa que, embora também sendo tola, me pareça mais importante. Não entendeu né? Bom, a questão é que, se o macro está no micro, se os fractais se indefinivam (esta palavra eu inventei agora) e se o átomo se parece muito com o sistema solar, porque não aprender grandes lições sobre a vida a partir de observações sobre coisas simples.

É a boa e velha analogia, você vai dizer. É, é isso mesmo. E agora eu me lembrei do Lula, o mestre das comparações: "para uma economia doente, precisamos escalar um médico" (na posse do Palocci). É claro que uma analogia besta como essa não faz o menor sentido (para uma economia quebrada, precisamos do Tonho Mecânico?) e neste ponto eu estou quase desistindo de escrever esse post. Mas como eu sou teimoso, vou falar sobre 3 dessas situações que eu observo.

1. Xícara de café: Sempre que faço meu café de manhã (sim, eu faço café de manhã, e no fogo! - cafeteira é para os fracos), penso sobre isso. O café é muito amargo, e por isso colocamos açúcar, que é doce. Um e outro não podem ser tomados sozinhos, seria insuportável, então dosamos para que a goela os aceite. Muito tempo atrás, fiz um poema sobre isso, sobre como é bom dosar amargor e doçura na vida, dosar sucessos e fracassos, conquistas e decepções. A vida doce demais também me parece intragável, e uma decepçãozinha conserta isso fácil. Mas com o tempo minha observação foi mais além. Primeiro comecei a ter a mania (acho que já falei aqui sobre isso), de colocar sempre 4 colheres de açúcar no café, seja lá o tamanho da colher, seja lá a quantidade de café. Isso faz com que o gosto do café seja sempre uma surpresa, porque a proporção de doce e amargo se altera. Assim como deve ser a vida.

Mas continuei pensando. Com o tempo, percebi também que existem muitas pessoas querem me dizer como eu devo tomar o me café. Normalmente são as mesmas pessoas que querem dizer como eu devo viver a minha vida. Para os entendidos, café se toma sem açúcar, por uma regra estabelecida sem lá por quem e que eu deveria aceitar sei lá por que. Ora, assim como a vida é minha, o café é meu, e não há nada pior do que quem, tomando um café amargo por opção, queira também amargar o café dos outros. Talvez, se eu observasse bem, encontrasse que essas mesmas pessoas tem uma personalidade amarga, cheia de regras misteriosas que vão para lugar nenhum, concepções prontas e muito pouca capacidade de discernimento próprio. E é bem típico dessas personalidades, não podendo pensar na própria vida, pensar a vida dos outros, só para dar o que fazer ao cérebro (pelo menos é uma forma de exercitá-lo). Mas claro que tudo isso é apenas uma conjectura. Apenas isso.

Olha só que esse texto ficou maior do que eu esperava. E como estou atrasado para o meu almoço de páscoa, deixarei as demais observações para outro dia. Feliz Páscoa.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

Diálogos

- Diz aí um sabor de batata frita pra mandar pra promoção.

- Sabor batata frita.

- Não, tem que ser um sabor novo.

- Sabor batata doce frita.

- Olha que batata doce é uma boa idéia. Mais um.

- Isopor. Ah não, esse já tem.

sábado, 2 de abril de 2011

Casamento

Estava hoje vendo na TV uma reportagem na TV sobre "Festa de Casamento", sobre o trabalho que dá, sobre os custos e sobre a importância da cerimônia para os casantes. Dizia um noivo entrevistado:

- A festa de casamento é como um vestibular. Você se prepara, se prepara, perde noites em claro...

(E depois vê que a faculdade é mais cara ainda e é algo em que, depois de entrar, você mal vê a hora de sair).

Não, a continuação da frase não foi essa. Mas foi o que eu pensei...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Samba

Não fale o que não for imprescindível
Não cale a frase que não seja vã
Declare que o amor é impossível
Mas guarde outra palavra pra amanhã

Por hora, vem ver a rosa na janela
Ver a flor da primavera, da aquarela, deixa ser
A delicada nossa melodia
Que eu canto com os olhos pra você

Deixe em segredo esse meu desassossego
Não interessa a mais ninguém
Nem mesmo a mim, nem a você
Entregue a pluma, a pétala, ao vento
Que o tempo e o sentimento
Vão tratar de se entender
Deslize essa sandália
Envolva-se no samba
Que eu canto em silêncio pra você

sábado, 26 de março de 2011

O taxista argentino


Quase saindo de Buenos Aires, depois de jantar, resolvi tomar um taxi até a rodoviária onde estavam guardadas as minhas malas e de onde eu teria que sair para o aeroporto. Mesmo sendo fácil conseguir um taxi por ali, tentei 3 ou 4 antes que um deles estivesse livre.

Entrando no taxi, pedi o destino. O taxista começou a puxar papo até descobrir que eu era brasileiro. Disse que tinha me passado por latino americano, mas não por brasileiro (essa minha cara de qualquer coisa). Eu disse que tinha ido a Rosário e ele respondeu que não ia para lá a 8 anos pois só trabalhava o ano todo, mas que não reclamava porque ao menos tinha um trabalho.

Então o homem contou sobre a crise argentina de 2001. Disse que não havia emprego, dinheiro ou casas. Disse que morou na rua com sua família, passou fome. Teceu sua história. Contou dos filhos, um universitário e um menino que quer ser jogador de futebol.

Sempre me lamento por não falar bem o espanhol ou o inglês, o que dificulta muito que eu converse com as pessoas nas minhas viagens. Ainda assim, lembro com carinho da Gabriela, a moça equatoriana que trabalhava no hostel em Istambul, da Mônica, a amiga argentina que encontrei tantas vezes no caminho até Machu Picchu, da senhorinha francesa do hotel de Belfort, na França, ou do professor que me parou nas ruas de Pisa para dizer que gostava do Brasil. Ou da Kruskaya, a menina boliviana com quem dancei no Hard Rock em La Paz, ou do casal Darwin e Coni, chilenos que dividiram comigo um porre histórico no Rumba Chiva em Cartagena. Ou a senhora Juraci e os portugueses amigos que me convidaram para um excelente jantar em Lausanne (o melhor que comi em um mês), ou, ali também, o urbanista francês que já tinha ido pra Chandigard. Ou o casal de senhores baianos com quem assisti ao show de tango no Café Tortoni, a Paula que passeou comigo por Madrid, e o suíço que me contou em Lisboa que já tinha feito o caminho de Santiago de Compostela e a Natália, a bonita professora-arquiteta argentina que está de malas prontas para trabalhar um ano na Nigéria, onde o melhor e o pior é que tudo é possível. A lista é imensa. E sem falar na sociedade do anel que se conheceu no trem e foi firme até Machu Picchu, da Renata, amiga prudentina que encontrei nas ruas de Florença, da Érica e do Klaus, meus companheiros de viagem que compartilharam tudo isso comigo.

A rodoviária chegou para mim antes do emprego de taxista chegar na história, que já tinha se enveredado pelos talentos futebolísticos do caçula. Apertei a mão dele agradecido, pela amizade e pela história, e por lembrar que viajamos, na verdade, para conhecer a nós mesmos. Ao melhor estilo hispanoamericano, ele me desejou suerte, e eu antes de sair do taxi fiz um pedido: boa sorte ao seu filho, mas que nunca marque um gol contra o Brasil...

Ele riu.

Eu e meus amigos baianos no Café Tortoni em Buenos Aires

domingo, 13 de março de 2011

De volta

Acabo de chegar da Argentina, com mais histórias aqui para o blog.

Amanhã.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Moacyr Scliar

Morreu hoje um dos meus escritores favoritos, o gaúcho Moacyr Scliar. Sempre engraçado e elegante, sempre muito leve de se ler. Você lê um livro dele como se lesse um gibi da turma da Mônica. Um dos grandes escritores do Brasil. Tive a oportunidade de vê-lo em uma palestra em Prudente a poucos meses. Acredito que tenha sido uma de suas últimas, se não a última. É uma pena.

Uma salva de palmas para Moacyr Scliar.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Diálogos


- O médico disse que eu não posso nem tossir muito, nem rir muito.

- Ah, que bom. Hoje é sábado e você pode ver Zorra Total. Os outros programas são perigosos. Até vendo o jornal você vê uma notícia, "Tiririca fará parte da Comissão de Educação da Câmara", e acaba dando uma risada. No Zorra Total não, é garantia que você não vai achar a menor graça.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Jaburu

Marcela Temer não deve morar no Jaburu com o marido.

A vice-primeira-dama Marcela Temer, esposa do vice-presidente Michel Temer (meu Deus, o satanista Michel Temer é VICE-PRESIDENTE!!!), não deve morar com o marido na residência oficial dos vices: o Palácio do Jaburu.

Nada mais justo. Pro Jaburu é muito mais lógico mandar a Dilma! Já a Marcela podem mandar aqui pra casa.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Propaganda

Tem uma propaganda de TV (uma propaganda de TV sobre a propaganda de TV) que diz "A propaganda emociona, diverte. Tudo o que ela não faz é obrigar você a comprar um produto".

Ora, pra mim isso é o mesmo que dizer que o pescador não obriga o peixe a morder o anzol. Faça-me o favor.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Inverso


O que você tiver me dê um pouquinho
Mesmo não sendo, amor
O teu carinho e tua atenção
Mesmo sendo apenas teu desprezo
Mesmo que havendo sofrimento e ingratidão

Mesmo que da flor, seja um espinho
Mesmo que sem amor, compreensão
Da tua vida, infinita, o teu lado mais obscuro
Mas seja alguma, qualquer uma, participação
Que há no reverso, o inverso
No desalento o sentimeto
E mesmo não sendo, é amor, imensidão.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Diálogos


- Mas e daí? Como ficou aquela história?

- Ah, não deu em nada. Esquece.

- Nossa, eu estava tão animada por você.

- Isso é pra você aprender a ser mais pessimista da próxima vez.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

3 sexos


Ex-bombeiro muda de sexo e se casa com jamaicana 30 anos mais nova.



Só posso me lembrar de dois "minutos de sabedoria" de boteco:

Sou do tempo em que só havia 3 sexos (Millôr Fernandes)

O meu lado feminino é sapatão (Falcão)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

África

Na onda da queda de Mubarak no Egito, o UOL publicou uma lista dos ditadores a mais tempo no governo no mundo: http://noticias.uol.com.br/internacional/listas/64wra.jhtm

Dos 10 governos mais longevos, incluindo o de Mubarak, 9 estão na África, sendo 7 na África negra. Me lembrei imediatamente dos livros, já comentados aqui, "Muito longe de casa", de um menino soldado de Angola, e "Gostaríamos de informar que amanhã seremos mortos com nossas famílias" sobre o genocídio em Ruanda e de uma entrevista que li, tempos depois, com o atual presidente deste país, Paul Kagane. O ex-rebelde dizia como questões culturais, níveis de desenvolvimento e etc. dificultam a implantação, em certos países da África, de uma democracia ocidental que procurava ser imposta a força, de fora pra dentro.

Este infeliz ranking, quase 100% africano, me ajuda a imaginar que o problema é maior do que parece.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quintan(ilh)a


Não por vontade ou por crença
Tampouco satisfação
Quem escolhe a paciência
É por falta de opção.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Porrada de porrada mesmo

Domingo de manhã, abro a internet e vejo em vários sites, jornais e comentários de amigos algo sobre uma luta que houve ontem a noite de Anderson Silva contra Vítor Belfort.

Que porra é essa?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Porrada parlamentar

Suplicy vai cobrar R$1 pelo ingresso da luta com Popó.


Olha, eu já votei no Suplicy e admiro muito sua história e algumas de suas atitudes no passado. Mas ele passou do ponto. É muita musiquinha, é muito gracinha, muita lutinha, e pouco boicote ao Sarney. Aliás, não foi ele que deu "cartão vermelho" pro Sarney ano passado? E agora, como senador do PT, ajudou a reelegê-lo. Parabéns, eihn, senador?

Mas, pensando bem, quem sabe o Popó não acerta logo o cucurutu dele e devolve os neurônios pro lugar? Acho válida a tentativa...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sarney

E o Sarney acaba de ser re-eleito PRESIDENTE DO SENADO. Depois dos "atos secretos", dos nepotismos, das contas fantasmas, do escândalo Roseana, e de sabe-se lá quantas décadas de desserviço ao país, o bigodudo será por mais 2 anos o segundo homem da república.

Queeeeee beleza.

O único partido que lanço candidato e não entrou no esquema foi o PSOL. Ponto para o PSOL.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Milagre!

Disse o padre na missa do final de semana:

"Vivemos em um tempo onde se você me rouba, eu te roubo também. Se você me bate, eu te bato também. Se você me MATA, eu te MATO também."

Meeeeeeeu Deus...

domingo, 30 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Volviendo


Estou no aeroporto de Bogotá, aguardando meu vôo que só sairá daqui a 6 horas. Acabo de chegar de Cartagena, daqui vou para Lima, no Peru, e de lá para São Paulo.

A viagem foi buena de mais. Bogotá é legal, grande cidade com seus museus (muito bom o de Botero) e os povoados de ZipaQuitá (e a catedral de sal) e Villa de Leyva, mas Cartagena é de botar os pé pra cima... Mar do Caribe, cidade colonial e o simpático povo Colombiano. Mais um país sudamericano com meu apreço, bem como a exótica Bolívia, o orgulhoso Peru, o cosmopolita Chile. Já tenho muitos times pra torcer na Copa América!

Agora é voltar para o trabalho direto com a sola do cuturno na canela. Que esse ano aponta bem na reta e eu nunca tive medo de batente. Promete. Te segura.


Vida sofrida no mar do Caribe


sábado, 22 de janeiro de 2011

Cartagena

Continuamos aqui em Cartagena. Hoje foi dia de mergulho e praia no caribe.

Tem gente bem peor que nós agora...

bateria do notebook acabando.

Câmbio.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Água de panela

Desde o primeiro dia em que chegamos em Bogotá nos oferecem "água de panela" no café da manhã. Não tomei coragem. Água de panela? Estranho...

No outro dia me fizeram experimentar, no café da manhã, porque era "mui rico". E é mesmo, bom, um chá que pode ser tomado quente ou gelado. No caso, estava gelado. Do que é feito? Bom, decobri que "panela" não é panela e que "água de panela" não é a água que fica na panela. "Panela" para eles é a nossa boa e velha rapadura. Pois se coloca a "panela" dentro da panela com água e limão. E ya está!

Vou fazer em casa... rs

Agora estou em Cartagens de Índias, uma Ouro Preto hispânica. Hasta luego.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Colômbia


Estou em Bogotá, Colômbia. Se parece muito com o Brasil ou com o Chile. Muito mais do que o Peru e, principalmente, a Bolívia, por exemplo.

Por enquanto a jornada incluiu a Catedral de Sal de ZipaQuirá, uma cidade próxima onde há uma antiga mina de sal dentro da qual se esculpiu uma interessante catedral subterrânea, o divertido restaurante Andrés de la Rés na Zona Rosa e uma penca de museus na Candelária, o bairro central da cidade. Incluindo o ótimo Museu Botero, com muchas obras do inconfundível maestro colombiano. Nos quadros, todas as pessoas são gordinhas como essas:

Obra de Fernando Botero

Mas as pessoas na Colômbia não são assim. Aliás, surpreendentemente, as colombianas são muito bonitas. Mas a Shakira eu ainda não encontrei por aqui.

Amanhã é nosso último dia aqui. Quinta-feira saímos cedo para Cartagena.

Hasta luego. Suerte.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Serpente

Vi hoje no jornal que por causa de um realinhamento da Terra com sei lá o que, astrólogos querem mudar a estrutura dos signos do zodíaco, de doze para treze, mudando também as datas de cada um. Eu protesto.

Eu sou escorpião. Meu signo é o mais execrado pelos horóscopos do mundo inteiro, tido por falso, traiçoeira e rancoroso. Que horror. Ainda por cima, anos atrás rebaixaram o planeta regente de escorpião, que era Plutão, pra asteróide. Todos os signos tem um planeta regente, escorpião tem um asteróide. Cacete...

E o que é pior. Não bastasse eu ser de escorpião, odiado, execrado e sem planeta regente, ainda nasci numa sexta-feira treze! Não ria, é verdade. É triste isso sabe? As pessoas me apontam na rua...

Enfim. Mas se valerem as novas datas dos signos, passarei a ser de libra. Na verdade só vai sobrar pra escorpião uma semaninha no ano todo. O resto vai ficar com o novo signo de "serpente". Escorpião é bem ruim mesmo, pra eles quererem tirar e colocar uma serpente no lugar... Outra vez perseguição. Escorpião será o menor signo do zodíaco... Sem amigos, sem planeta, e sem pessoas.

Eu, que agora sou de libra, não tenho com o que me preocupar.

ps: estou indo para a Colômbia amanhã. Boa viagem!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Capitão óbvio

E não é que o Kassab teve a presença de espírito de aparecer pra dizer que as enchentes em São Paulo são culpa das fortes chuvas? Não diga. Achei que fosse culpa do Ozama Bin Laden.

Mas mudando de assunto, ontem foi 10/01/11 e hoje 11/01/11. Meu calendário tá parecendo um código binário.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Utilidade Pública

A quem interessar possa, estou satisfeito com a agilidade do Submarino Viagens, site do Submarino onde se pode comprar passagens aéreas de qualquer empresa. Outras vezes eu fazia pesquisas por ele e depois comprava pelo site da companhia aérea, mas agora desisti já que os sites das Cias são lentos, chatos e complicados. O Submarino funciona perfeitamente.

Estou indo para a Colômbia e comprei todos os trechos por lá, passagens pela Gol e Avianca, internacionais e até para vôos dentro da Colômbia. Por enquanto foi tudo facílimo.

E o mais importante, sem taxas extras. Outro site do gênero, o decolar.com, cobra taxas misteriosas embutidas no preço da passagem. Taxas caras, de até 100 reais pelo que eu tenha visto. E ainda cobra em dólar. O Submarino já converte para reais.

Pra quem vai viajar, fica a dica.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Twitada

O Silvio Santos é o único cara no Brasil que tem moral pra fazer um concurso de travesti no programa sem ninguém falar nada.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

Direito

"Afinal, estragar a própria vida é um direito inalienável."
O fabuloso destino de Amelie Poulin