quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Política

Dia desses acabei lendo algumas coisas na internet sobre comunismo e comunistas. Na maioria, manifestações de jovens de direita, defensores do nacionalismo e do capitalismo. E, segundo os próprios, da democracia. Os textos se divertiam, deitavam e rolavam chutando os cachorros mortos de Fidel, do fracasso soviético, das ditaduras do Chávez e por aí vai. Se o comunismo fosse bom, os comunistas não teriam construído o muro de Berlim.

É claro que eu não entendo as coisas tão bem quanto eles, não sou engajado politicamente como eles e, portanto, estou errado ao achar que boa parte das críticas eram injustas. Seja por confundir socialismo com comunismo, seja por confundir socialismo e comunismo com ditadura, seja por dar a Alemanha como exemplo de capitalismo em vez do Haiti. Seria como se eu atribuísse ataques como os de hoje no Rio de Janeiro a uma desigualdade social que é a base do próprio capitalismo, e que 50 carros queimados e algumas dúzias de mortos por ano, pelo tráfico e pelo BOPE, é um preço bem barato para que se mantenha o nosso padrão de vida.

Seria como se eu atribuísse a riqueza e o sucesso da Alemanha ao fracasso do Haiti, dizendo que não são duas faces do mesmo capitalismo, mas são a mesma face do mesmo sistema onde um necessariamente se ergue às custas da tragédia dos outro.

Seria como se eu lembrasse que no meu país houve sim uma ditadura, mas militar. Uma ditadura que controlou, torturou e matou com o "firme propósito" de impedir uma ditadura comunista que controlasse, torturasse e matasse. Para impedir uma ditadura, uma ditadura. Muito inteligente, embora isso sugerisse que os ditadores o são por serem seres humanos, no pior sentido, e não capitalistas ou comunistas.

Mas é claro que eu não diria isso.