domingo, 12 de setembro de 2010

O gato dos telhados


Dia desses estava em São Paulo ouvindo rádio com o meu avô, dentro do carro. O entrevistado era o autor de um livro sobre Meneghetti, de quem este muito mequetrefe paulistano nunca tinha ouvido falar. Já meu avô, paulistano da gema, evidentemente conhecia a história do "gato dos telhados" e então foi me contando.

Meneghetti é um personagem histórico da São Paulo antiga. Era um ladrão. Roubava casas ricas e joalherias, quando não havia ninguém. Entrava, limpava e ia fugia deixando um bilhete, às vezes reclamando da má qualidade das jóias que roubara. Era famoso pelas fugas espetaculares, pulando de telhado em telhado, e pela elegância. Era um "bom ladrão". Nunca matara ninguém, não usava armas. As lendas se estendiam até fazê-lo um Robin Hood urbano, roubando dos ricos e ajudando os pobres.

O livro sobre ele é bem curtinho e meu avô me disse que não acrescentou nada sobre a história que ele já conhecia. Eu acredito, é curtinho mesmo, quase catalográfico. Talvez porque as histórias sejam boas, a gente fica achando que poderiam haver mais. Da infância em Pisa (lembrei das ruelas da cidade e imaginei Meneghetti correndo por lá), na Itália, ao casamento com Concetta, as muitas prisões, os anos de cadeia, as fugas e as lendas, fica a impressão de receber um lindo copo de suco de laranja e perceber depois que é TANG. É gostoso, mas meio decepcionante...

Foi estranha essa metáfora, mas foi o que me ocorreu. De qualquer forma, vale a pena para conhecer o bom ladrão de SP, Meneghetti, o gato dos telhados.