domingo, 13 de junho de 2010

Na cueca

E pra você que já está de saco cheio da Copa do Mundo antes mesmo da primeira partida do Brasil, uma notícia que ficou só no rodapé da página, escondida embaixo do frango do goleiro da Inglaterra ou das emoções de Argélia x Eslovênia. Acontece que o ex-acessor do PT José Adalberto Vieira da Silva está tentando reaver na justiça o dinheiro tomado dele pela polícia em uma investigação. Que dinheiro era esse? Trata-se do famoso caso do dinheiro na cueca no aeroporto de Congonhas, durante o escândalo do mensalão petista. Você se lembra.

Uma vez que as investigações nunca apontaram certamente quem foi o doador, quem era o dono e quem seria o destino do dinheiro, o ex-acessor quer declará-lo como doação, pagar a multa do Imposto de Renda (que já levou) e ficar com o resto. Claro que o dinheiro não era dele, era do PT, claro que existe um doador, mas ele não fala quem, e claro que era dinheiro de propina, mas ninguém provou. Sendo assim, sua única condenação é por não declarar a quantia à receita.

E ele já foi multado por isso. 200 mil reais. Tire os 200 mil dos 500 mil reais que ele levava e você vê que sobrarão 300 mil para um acessor laranja, pé-de-chinelo, que mora numa rua de terra em Arati (CE). E quem vai reclamar esse dinheiro? Imagina o PT dizendo "esse dinheiro é do meu caixa 2, devolve". Ou algum empreiteiro: "Essa propina fui eu que paguei, quero de volta". Ou o Roberto Jéfferson...

Mas pensando bem, se o Delúbio chamou caixa 2 de "verba não contabilizada", porque não pode chamar os 300 mil de propina acabando com o acessor pobre como "distribuição de renda alternativa"? Um pobre a menos no país. Olha que coisa boa!