segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fragmento

Fiz o poema mais cuidadoso e delicado que fui capaz, e embora fosse verdadeiro o meu amor, escrevê-lo custou-me mais que tantos versos falsos de amores falsos que andava cultivando por aí. Coloquei-o sob o seu travesseiro. Dias depois ela se despediu, saiu para sempre de mim e de minha vida. Achei, a princípio, que não tivesse gostado do poema, mas com os anos entendi o que ela percebeu na manhã seguinte: sua missão estava, de alguma forma, concluída.

domingo, 27 de junho de 2010

Copa do Mundo VIII - Mas que infortúnio...


E hoje tem jogo do Brasil, outra vez. E nem deu tempo de eu lavar a minha camisa amarela. Pra piorar, o primeiro adversário do morre-morre é justamente meu próximo destino: o Chile. Se o Brasil ganhar, os chilenos me tratarão mal. Se perder, rirão de mim. E se der briga no jogo? Não quero nem pensar...

Aliás, estava reparando que dos meus destinos mochileirísticos, quase todos tiveram um infeliz destino nesta Copa. Bolívia, Peru e Turquia nem se classificaram. Grécia, Suíça, França e Itália saíram na primeira fase. Só restam Portugal e Espanha que vão se enfrentar agora, de modo que um voltará mais cedo para a península Ibérica. Será que sou eu que dou azar?

terça-feira, 22 de junho de 2010

Copa do Mundo VII - Hasta la Vitória



Estou torcendo para a Argentina!

E para Uruguai, Chile e Paraguai.

Até o início da rodada final da primeira fase, todos os sulamericanos eram os líderes de seus grupos.

Chupa Europa! Viva la Copa Bolivariana!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Caverna

Eu me lembro de uma moça que conheci no ônibus indo para Londrina, quando ainda estava fazendo vestibular. Eu já tinha ouvido falar em José Saramago mas nunca tinha lido nada dele. Eu não sei como, neste caminho, o assunto passou ao escritor português que tinha dado um pouco antes uma entrevista para o Jô Soares sobre seu último livro, A Caverna, dizendo que se tratava de uma crítica aos condomínios fechados. Pois essa moça ria. Ele tinha sido irônico. Dizia que A Caverna é uma tremenda crítica ao capitalismo.

Bem pouco tempo depois a Folha publicou A Caverna em uma coleção dessas que vem domingo com o jornal. E assim eu me encontrei dentro d'A Caverna de Saramago. Dentro da crítica aos condomínios fechados, dentro da crítica ao capitalismo. Dentro da crítica a tudo o que você possa imaginar.

É meio difícil ler Saramago no começo. Ele faz um texto corrido, quase sem pontuação (mais ou menos como algumas provas que eu pego pra corrigir), onde as ações viram falas, as falas viram pensamentos e os pensamentos viram qualquer outra coisa sem muito aviso. Cansa até você pegar o jeito, mas depois vira um vício.

A Caverna conta a história de uma família de produtores que mora fora da cidade. Estão sem dinheiro por terem que competir com grandes produtores mecanizados e resolvem investir na produção de bonecos artesanais. Vira e mexe, acabam por se mudar para a cidade que na realidade é um grande edifício único, cheio de habitações, andares e salas de todo o tipo, onde o velho avô tenta se adaptar à nova vida.

Tá, isso é bem mais ou menos. Eu não lembro bem, li o livro faz 10 anos. Mas se a história nos escapa depois de um tempo, o sentimento da leitura fica. E A Caverna é, até hoje, um dos meus livros preferidos.

Saramago faleceu hoje. Não foi pro céu, nem pro inferno. Era ateu e eu sei que Deus dá grande liberdade para cada um fazer o que quiser da sua morte. Mas, onde estiver, um abraço.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Inevitável


será um aviso?
será um acaso do incorruptível destino?
será um atraso, um desequilíbrio
rapino
um descontínuo no passo do
passeio menino que passo
de porta em porta a entregar flores
a esperar que me saia
à janela
mas que sublime descompasso
se o pedaço de caminho que
me cabe era tão claro
e defronte à janela que
se abre
vou cantar
e defronte è janela que
se abre
vou postar-me indefinidamente
até que a chuva tardia ou
imediata
ponha-me a correr.
será um aviso?
agora é tarde.
o amor já é
inevitável.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Caso de Futebol

E já que o assunto por todos os lados é a Copa, ressuscito um conto meu, antigo, sobre o assunto.

- Mas Carlão, todas essas suas fotos de futebol, em cada uma você está em uma torcida diferente!

- O mundo dá voltas...

- Mas qual é o seu time afinal?

- Eu nasci atrás do Palestra Itália. Família italiana, papai era sócio do Palmeiras, freqüentávamos o clube. Domingo era dia de jogo e depois do macarrão descíamos a rua de bumbo, corneta e camisa do verdão.

- E o que aconteceu?

- Ta vendo essa foto? Era dia do meu aniversário e o Palmeiras ia jogar em Goiás. Eu tinha 10 anos e nunca tinha viajado pra tão longe. Pedi, insisti, briguei, até que meu pai resolveu me levar.

- Até Goiás?

- Até Goiás. Uma cidadezinha do interior. Era um jogo fácil e eu estava esperando a goleada para comemorar os meus anos. A viagem foi dura, 23 horas de carro. 25 por um pneu furado. 30 horas, já que papai se perdeu em Minas Gerais.

- E quanto foi o jogo?

- Chegamos atrasados, no final do primeiro tempo. Estava esgotado, mas feliz. Botei o pé no estádio esperando que já estaríamos vencendo, mas qual... Foi sentar na arquibancada e não é que os goianos nos meteram um gol de cabeça?

- Pé frio...

- Se fosse só por isso... Naquele dia choveu bola no gol. Levamos gol de cabeça, de pênalti, de falta, gol contra. Gol de tudo o que é jeito. A torcida delirava enquanto eu me encolhia no meu lugar. O jogo nem terminara e eu já tinha tirado a minha camisa. Queria vingança por aquela vergonha. Nunca mais torci para o Palmeiras.

- Virou a casaca?

- Virei. Virei corintiano fanático, para desespero da minha família. Dizem que meu avô morreu por conta disso. Sabia toda a escalação, todos os títulos. Entrei para a Gaviões...

- Não acredito que você foi capaz de fazer isso...

- Eu fui. E nada me dava mais prazer do que vencer o verdão. Criei raízes no Pacaembu. Fazia festa, arrumava briga, ia aos treinos. Mas durou pouco.

- Abandonou a fiel também?

- Eu não. Foi ela quem me abandonou. Na saída de um jogo,de frente pra Independente... Apanhei que nem um cão naquele dia e troquei de time.

- De novo?

- De novo. Traição com traição se paga. E dessa vez queria ir mais longe. E eu fiquei imaginando qual seria a maior infidelidade possível. Abandonei o futebol paulista e passei pro lado de lá do muro. Cruzei o vale do Paraíba e acabei no Maracanã. Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!

- Você torce pro Flamengo?

- Torci. Mas não torço mais. Depois que eles venderam o meu ídolo Paulinho Tarraqueta para o Vasco, fiquei furioso e virei Fluminense. Depois disso, trocar de time, trair as flâmulas, virou um vício que eu nunca mais pude evitar. Passei para o Botafogo, Bahia, Vitória, Grêmio, Inter, Londrina... Até que apliquei o meu grande golpe! Traí todos os clubes, grêmios e associações ao mesmo tempo: troquei de esporte, virei basqueteiro!

- Mas então o que é que você está fazendo aqui? Nós vamos ver a Copa do Mundo! Estamos nesse avião pra isso! Nós vamos ver a seleção!!!

- Pois é. Mas eu vou torcer para a Argentina...

domingo, 13 de junho de 2010

Na cueca

E pra você que já está de saco cheio da Copa do Mundo antes mesmo da primeira partida do Brasil, uma notícia que ficou só no rodapé da página, escondida embaixo do frango do goleiro da Inglaterra ou das emoções de Argélia x Eslovênia. Acontece que o ex-acessor do PT José Adalberto Vieira da Silva está tentando reaver na justiça o dinheiro tomado dele pela polícia em uma investigação. Que dinheiro era esse? Trata-se do famoso caso do dinheiro na cueca no aeroporto de Congonhas, durante o escândalo do mensalão petista. Você se lembra.

Uma vez que as investigações nunca apontaram certamente quem foi o doador, quem era o dono e quem seria o destino do dinheiro, o ex-acessor quer declará-lo como doação, pagar a multa do Imposto de Renda (que já levou) e ficar com o resto. Claro que o dinheiro não era dele, era do PT, claro que existe um doador, mas ele não fala quem, e claro que era dinheiro de propina, mas ninguém provou. Sendo assim, sua única condenação é por não declarar a quantia à receita.

E ele já foi multado por isso. 200 mil reais. Tire os 200 mil dos 500 mil reais que ele levava e você vê que sobrarão 300 mil para um acessor laranja, pé-de-chinelo, que mora numa rua de terra em Arati (CE). E quem vai reclamar esse dinheiro? Imagina o PT dizendo "esse dinheiro é do meu caixa 2, devolve". Ou algum empreiteiro: "Essa propina fui eu que paguei, quero de volta". Ou o Roberto Jéfferson...

Mas pensando bem, se o Delúbio chamou caixa 2 de "verba não contabilizada", porque não pode chamar os 300 mil de propina acabando com o acessor pobre como "distribuição de renda alternativa"? Um pobre a menos no país. Olha que coisa boa!

sábado, 12 de junho de 2010

Copa do Mundo VI


Muito tocante a mensagem de apoio que o Ronaldo deixou para seus colegas da seleção. E muito espontânea também.

Além de mandar força para todo o time, ainda manda recados particulares para alguns do time: Kaká, a quem ele chama de "Camisa 10", Robinho, a quem chama de "moleque" (isso desde a época em que o Robinho chegou na seleção e o chamava de "Presidente") e ao Luís Fabiano, a quem ele chama de "guerreiro".

Peraí. Guerreiro?

Ninguém chama o Luís Fabiano de guerreiro. O apelido dele é "Fabuloso".

A não ser na campanha publicitária da Brahma, em que ele, o Júlio César e o Dunga aparecem sendo chamados de "guerreiros". Campanha esta da qual Ronaldo também faz parte em um de seus muitos patrocínios particulares. Será que ele seria capaz de vender até os seus recado no twitter?

Bom, o endereço dele é twitter.com/claroronaldo. Logo, a respota é: "Claro" que sim.

Ah esses publicitários...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fragmento

Resolveu agir por exclusão. Colocaria em uma lista bem ordenada todas as piores maneiras de declarar amor, começando pela pior. A última da lista seria, desse modo, a melhor, o que resolveria a questão. Descobriu, no entanto, que tampouco era fácil imaginar qual a pior de maneira de se declarar amor a alguém, e ainda ordenar essas possibilidades sem nenhum critério definido a não ser o próprio bom senso. Depois de quase uma hora pensando e mordendo o corpo da caneta, anotou: "1- Eu te amo consideravelmente".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Copa do Mundo V


Outro tema importantíssimo em uma Copa do Mundo: arte. A Copa é normalmente é um festival de arte de mau gosto.

Por exemplo, quem faz as musiquinhas da Copa? Só pode ser o próprio Sílvio Santos. Uma coisa horrorosa. E as pinturas de rua? Embora seja um evento pras crianças enfeitar a casa e pintar a cara do Robinho no muro, em geral as pinturas em si são um desastre. Além disso, aproveitando o clima e a exposição, um monte de artista aproveita o embalo pra fazer tudo sobre a Copa: escultura da Copa, vídeo da Copa. Tem até coleção de moda da Copa, como se fosse possível colocar na moda uma roupa verde e amarela, como dizia o Vinícius, tão feias as cores de minha pátria.

Mas tudo isso é pra dizer que encontrei uma boa obra de arte sobre a Copa. E mais do que isso, realmente sobre a COPA, e não sobre o Brasil. Obra de um desenhista japonês cujo nome eu não lembro. Mas é bonito. E muito bem feito. Aí sim!


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Copa do Mundo IV


E o prêmio de uniforme mais feio da copa vai paraaaaaa (tambores): Bosta do Marfim, digo, Costa do Marfim. É que esse uniforme usado no último amistoso parece estar cheio de Costa, digo, de bosta.