domingo, 11 de abril de 2010

Grêmio Prudente


Hoje é dia de jogo no Prudentão! Semifinais do campeonato paulista, Prudente x Santo André. E eu estarei lá!

Na quarta-feira o presidente do Corinthians respondeu que o favorito para ganhar o campeonato (restando São Paulo, Santos, Santo André e Prudente) seria o "Barueri". É claro que ele fez isso de propósito, alfinetando que o Grêmio Prudente era o antigo Grêmio Barueri com o nome trocado, um certo "olha que avacalhação esse campeonato, nem queria classificar".

Aliás, a mudança fez o Grêmio Prudente levar bordoada de todo o lado. Os cronistas esportivos de SP acham a mudança uma avacalhação, que outro nome caracteriza outro time, portanto o Prudente deveria voltar para a 4ª divisão e subir de novo, se pudesse, e não herdar a vaga. E dentro da cidade há sempre aquela sensação de pão-e-circo, de "trouxeram um time para inebriar o povo". Eu entendo as duas posições, mas discordo.

Em primeiro lugar, mudar o nome não muda o time. O clube é um clube empresa, e se uma empresa muda de nome ela não necessariamente se torna outra empresa. Se uma mulher se casa e troca de nome ela não perde o emprego, o diploma, a conta no banco. Ela é a mesma pessoa, com outro nome. Então não vejo a dificuldade de fazer isso com um time de futebol. Se o Grêmio Prudente herdou os contratos do Barueri, o CNPJ, os patrocínios, os equipamentos e, inclusive, as dívidas, deve herdar a vaga também. Do contrário, todos os contratos com jogadores estariam rescindidos, já que o Barueri não existe mais.

Sobre o pão-e-circo, é sempre o conflito que incomoda qualquer pessoa mais inteligente sobre o futebol. Eu já tentei não ligar para os campeonatos, mas se o Chico Buarque é Fluminense fanático, quem sou eu para dizer que ele é um manipulado? A linha é tênue, mas há uma linha, embora não possa dizer que a grande maioria das pessoas que vão aos estádios enxergue isso. Mas o fato de que a diversão seja usada como ópio do povo não pode criminalizar a diversão em si, mas o uso que se faz dela. A diversão serve pra muitas coisas além disso, e a vida sem diversão é muito chata. E neste caso, há um agravante.

Prudente já tem um estádio faraônico, acho que o segundo maior do Brasil fora das capitais. Se você me perguntasse, eu acharia um absurdo a construção daquele elefante branco, como achei na época. Mas foi construído. Como não havia um time na cidade, além da cidade não ter retorno do investimento feito, o estádio ainda estava se degradando pelo desuso. No entanto, a prefeitura nunca formou na cidade um time capaz de ganhar alguma coisa ou de levar a torcida aos jogos, e nem acho que deveria. Para piorar, começou a "comprar" clássicos. Houve um Corinthians e Palmeiras (aquele em que o Ronaldo derrubou o alambrado) em que a prefeitura gastou 1 milhão de reais com o jogo, cedeu o campo gratuitamente e ainda fretou um avião para buscar a Gaviões da Fiel. Um absurdo.

Já com o Grêmio Prudente é diferente. Embora acredite que haja uma ajuda da prefeitura, a maior parte é em uso de uma infra-estrutura que já existe. O estádio, os alojamentos, a academia, já existem. Os testes físicos estão sendo feitos em parceria com a Unesp. Bom para todo o mundo. Que prejuízo temos com isso? É claro que o dono do time está lucrando, valorizando jogadores, em cima de uma infra-estrutura pública. Mas há algo em troca. A cidade está bonita, está animada. Está mais unida e mais identificada, mais orgulhosa de si mesma. Isso é importante. Quem sabe, além de não ser o ópio do povo, o time ainda resgate o orgulho e a cidadania? Eu acho isso possível. Não sei. Mas, por enquanto, VAAAAAAAAAAI PRUDEEEEEEEENTEEEEEEEEEEEEEE!