sexta-feira, 9 de abril de 2010

10 observações sobre Turquia e Grécia - parte 2


É difícil separar a sensação que temos de uma experiência da expectativa anterior que temos desta mesma experiência.

Se a gente aprende que determinada coisa é incrível e que outra é ruim, que determinada coisa é bela e outra não, é difícil ir contra a opinião formada. Ainda que o contato, o sensível, nos diga o contrário, dificilmente aceitamos que achamos feio aquilo que deveríamos achar belo, que achamos bom aquilo que deveríamos achar ruim. E não demoramos a admitir por conveniência ou desvio de caráter, mas porque não podemos separar a experiência da expectativa, ou aceitar facilmente que a primeira não corresponda à segunda. Ou podemos, mas é muito difícil.

E se acontecesse o contrário?

Dentro da arquitetura, sempre aprendi e sempre ouvi que a proporção é fundamental, e que o grande paradigma da proporção, da perfeição formal da arquitetura grega, se encontrava em Atenas, sobre a Acrópole: o Partenon.

O Partenon é o antigo tempo da deusa Atenas Parthenos e foi construído por Iktinos e Kalikrates, sob a supervisão de Fídias. Fídias, o grande escultor grego, conhecedor (e usuário) de uma proporção presente na natureza e no corpo humano: a proporção áurea. Utilizando-se dessa mesma proporção na arquitetura e na escultura, Fídias desejava que o ser humano reconhecesse a harmonia do universo, do homem e da natureza na construção que, portanto, lhe pareceria bela.

Subi caminhando a Acrópole de Atenas, passando pelos antigos teatros e pela Ágora, entrando pelo Propileu e avistando, de repente, o tão celebrado Partenon. Uma certa euforia contida, uma alegria de ver materializado o cartão postal. Ficamos lá um tempo, demos a volta, olhamos de perto, mas foi só depois de caminhar por toda a Acrópole que eu pedi à Érica para voltarmos. Queria dar mais uma olhadinha no templo. E então pude observá-lo mais calmamente e apreciar a beleza de sua proporção.

A impressão que tive foi que a proporção do Partenon é realmente bela. Experimentei uma sensação de beleza diferente, por exemplo, da beleza da Torre Eiffel ou da Mesquita Azul. É uma beleza mais natural, mais harmoniosa, mais parecida com a beleza do Corcovado. É difícil explicar, mas o edifício realmente hipnotiza, forçando a gente a dar mais uma olhadela para trás antes de ir, e mais uma, e mais uma, não para gravar na memória um prédio visto em milhares de fotografias, mas para gravar essa experimentação da beleza tranqüila e eterna da harmonia.

Como disse, não sei até que parte minha impressão foi sensível, até que parte foi condicionada pela minha expectativa sobre o encontro. Provavelmente um pouco de ambos. Mas independentemente de mim, o Partenon é lindo.