quinta-feira, 29 de abril de 2010

Jaboticaba


Frase dita por Joelmir Beting no Jornal da Band de hoje e atribuída por ele à Mário Henrique Simonsen:

Tudo o que só existe no Brasil e não é jaboticaba só pode ser besteira.

Dia desses vou parar para fazer uma lista de coisas que só existem no Brasil e não são jaboticaba...


domingo, 25 de abril de 2010




Cadeia? Claro que não.

A.R. também pode virar político! Ou publicitário!!!

Ô campanha imbecil...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Guia politicamente incorreto da história do Brasil

Toda (tá, toda é muita gente) nação ou sentimento nacionalista se constrói a partir de personagens que diferenciem uma país do outro. Se os americanos são tão legais, porque não viramos logo um deles? Eles tem o Mickey Mouse, o Michael Jackson, o Waldisney! Bom, porque nosso país também é legal, a gente teve Leornardo da Vinci, ou Napoleão, ou Gardel, dependendo se você for italiano, francês ou argentino (mesmo Gardel sendo uruguaio). Se você for brasileiro pode dizer que tivemos Alberto Santos Dumont, Luís Carlos Prestes ou Zulu, dependendo se você é engenheiro, comunista ou ativista racial. Ou Aleijadinho, se você for arquiteto.

O que o guia tenta mostrar (e muitas vezes consegue), é como esses personagens passaram de pessoas a mitos, num processo geralmente guiado para a consolidação deste nacionalismo, para a criação dos heróis nacionais que são pessoas, normalmente, com méritos próprios, mas nem de longe os super-heróis que a historiografia faz crer.

Tenho comentado alguns pontos do livro com pessoas diferentes. "Zulu tinha escravos". Todo o mundo aceita essa idéia. "O desfile das escolas de samba é uma parada militar com samba". Até vai. Agora, quando digo que "Santos Dumont não inventou o avião". Ah, daí o bicho pega.

Incrível a força do Santos Dumont no nosso imaginário. No entanto, o autor do guia é bastante convincente ao descrever como os americanos irmãos Wright já tinham inventado um avião muito mais eficiente - e que podia SIM decolar com motor próprio, sem rampa de lançamento - enquanto o 14 BIS dava seu vôo de galinha na Torre Eiffel. Pouca gente sabia porque os Wright queriam primeiro patentear sua invenção, com medo de serem roubados. Santos Dumont nunca patenteou suas invenções. Ele era rico. Mas os Wrights eram bicicleteiros e já estavam negociando inclusive a venda de suas máquinas para o exército americano enquanto a patente ainda estava em trâmite. Daí Santos Dumont venceu seu famoso prêmio na França, ou um prêmio de consolação já que conseguiu voar apenas 20 metros e não 1 km como pedia o prêmio principal. Enquanto isso a máquina dos Wright voava por meia hora seguida.

Não que isso faça diferença também. Aliás, conta que Dumont era o maior balonista do mundo, inventou o dirigível e o seu avião posterior, o Demoseille, foi o precursor do ultraleve. Mas de avião, avião mesmo, o 14 BIS não tem nada.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília, 50 anos

Hoje, 21 de abril, aniversário de Brasília!

Comemorado com um lindo desfile do... Pato Donald?


Mas que diabos!

Eu preferia o Pateta...

sábado, 17 de abril de 2010

Samba


Eu não posso perder uma dança
Que balance pra lá e pra cá
Eu não posso esquecer a criança
Que me move a me movimentar
Eu não posso esquecer a esperança
De que a vida ainda vai se ajeitar
Eu não tiro você da lembrança
E esse samba do olhar

O chefe da polícia pelo telefone mandou avisar
Que lá na Golden Gate há uma roda de samba pra gente sambar
Me mandou um endereço, um lugar que eu conheço lá no Canadá
Dá pra ser bem feliz, sambando em Paris, para ver no que dá

Picadinho, tutu com torresmo
Quebra-queixo, feijão, guaraná
Salaminho, pastel, pão-de-queijo
Farinha, farofa, bolo de fubá
Churrasquinho, pimenta, tempero
Mandioca, laranja, cajá
Por favor seu doutor brasileiro
Me passa um café que é pra eu acordar

Não repare se eu faço uma trança
De ciranda e balé do Pará
De azeitona, farofa e castanha
De gim-tônica com guaraná
De trançar desgraceira e festança
De trançar santo com orixá
Vou trançar Orleans e Bragança
Com um tupinambá

domingo, 11 de abril de 2010

Grêmio Prudente


Hoje é dia de jogo no Prudentão! Semifinais do campeonato paulista, Prudente x Santo André. E eu estarei lá!

Na quarta-feira o presidente do Corinthians respondeu que o favorito para ganhar o campeonato (restando São Paulo, Santos, Santo André e Prudente) seria o "Barueri". É claro que ele fez isso de propósito, alfinetando que o Grêmio Prudente era o antigo Grêmio Barueri com o nome trocado, um certo "olha que avacalhação esse campeonato, nem queria classificar".

Aliás, a mudança fez o Grêmio Prudente levar bordoada de todo o lado. Os cronistas esportivos de SP acham a mudança uma avacalhação, que outro nome caracteriza outro time, portanto o Prudente deveria voltar para a 4ª divisão e subir de novo, se pudesse, e não herdar a vaga. E dentro da cidade há sempre aquela sensação de pão-e-circo, de "trouxeram um time para inebriar o povo". Eu entendo as duas posições, mas discordo.

Em primeiro lugar, mudar o nome não muda o time. O clube é um clube empresa, e se uma empresa muda de nome ela não necessariamente se torna outra empresa. Se uma mulher se casa e troca de nome ela não perde o emprego, o diploma, a conta no banco. Ela é a mesma pessoa, com outro nome. Então não vejo a dificuldade de fazer isso com um time de futebol. Se o Grêmio Prudente herdou os contratos do Barueri, o CNPJ, os patrocínios, os equipamentos e, inclusive, as dívidas, deve herdar a vaga também. Do contrário, todos os contratos com jogadores estariam rescindidos, já que o Barueri não existe mais.

Sobre o pão-e-circo, é sempre o conflito que incomoda qualquer pessoa mais inteligente sobre o futebol. Eu já tentei não ligar para os campeonatos, mas se o Chico Buarque é Fluminense fanático, quem sou eu para dizer que ele é um manipulado? A linha é tênue, mas há uma linha, embora não possa dizer que a grande maioria das pessoas que vão aos estádios enxergue isso. Mas o fato de que a diversão seja usada como ópio do povo não pode criminalizar a diversão em si, mas o uso que se faz dela. A diversão serve pra muitas coisas além disso, e a vida sem diversão é muito chata. E neste caso, há um agravante.

Prudente já tem um estádio faraônico, acho que o segundo maior do Brasil fora das capitais. Se você me perguntasse, eu acharia um absurdo a construção daquele elefante branco, como achei na época. Mas foi construído. Como não havia um time na cidade, além da cidade não ter retorno do investimento feito, o estádio ainda estava se degradando pelo desuso. No entanto, a prefeitura nunca formou na cidade um time capaz de ganhar alguma coisa ou de levar a torcida aos jogos, e nem acho que deveria. Para piorar, começou a "comprar" clássicos. Houve um Corinthians e Palmeiras (aquele em que o Ronaldo derrubou o alambrado) em que a prefeitura gastou 1 milhão de reais com o jogo, cedeu o campo gratuitamente e ainda fretou um avião para buscar a Gaviões da Fiel. Um absurdo.

Já com o Grêmio Prudente é diferente. Embora acredite que haja uma ajuda da prefeitura, a maior parte é em uso de uma infra-estrutura que já existe. O estádio, os alojamentos, a academia, já existem. Os testes físicos estão sendo feitos em parceria com a Unesp. Bom para todo o mundo. Que prejuízo temos com isso? É claro que o dono do time está lucrando, valorizando jogadores, em cima de uma infra-estrutura pública. Mas há algo em troca. A cidade está bonita, está animada. Está mais unida e mais identificada, mais orgulhosa de si mesma. Isso é importante. Quem sabe, além de não ser o ópio do povo, o time ainda resgate o orgulho e a cidadania? Eu acho isso possível. Não sei. Mas, por enquanto, VAAAAAAAAAAI PRUDEEEEEEEENTEEEEEEEEEEEEEE!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

10 observações sobre Turquia e Grécia - parte 2


É difícil separar a sensação que temos de uma experiência da expectativa anterior que temos desta mesma experiência.

Se a gente aprende que determinada coisa é incrível e que outra é ruim, que determinada coisa é bela e outra não, é difícil ir contra a opinião formada. Ainda que o contato, o sensível, nos diga o contrário, dificilmente aceitamos que achamos feio aquilo que deveríamos achar belo, que achamos bom aquilo que deveríamos achar ruim. E não demoramos a admitir por conveniência ou desvio de caráter, mas porque não podemos separar a experiência da expectativa, ou aceitar facilmente que a primeira não corresponda à segunda. Ou podemos, mas é muito difícil.

E se acontecesse o contrário?

Dentro da arquitetura, sempre aprendi e sempre ouvi que a proporção é fundamental, e que o grande paradigma da proporção, da perfeição formal da arquitetura grega, se encontrava em Atenas, sobre a Acrópole: o Partenon.

O Partenon é o antigo tempo da deusa Atenas Parthenos e foi construído por Iktinos e Kalikrates, sob a supervisão de Fídias. Fídias, o grande escultor grego, conhecedor (e usuário) de uma proporção presente na natureza e no corpo humano: a proporção áurea. Utilizando-se dessa mesma proporção na arquitetura e na escultura, Fídias desejava que o ser humano reconhecesse a harmonia do universo, do homem e da natureza na construção que, portanto, lhe pareceria bela.

Subi caminhando a Acrópole de Atenas, passando pelos antigos teatros e pela Ágora, entrando pelo Propileu e avistando, de repente, o tão celebrado Partenon. Uma certa euforia contida, uma alegria de ver materializado o cartão postal. Ficamos lá um tempo, demos a volta, olhamos de perto, mas foi só depois de caminhar por toda a Acrópole que eu pedi à Érica para voltarmos. Queria dar mais uma olhadinha no templo. E então pude observá-lo mais calmamente e apreciar a beleza de sua proporção.

A impressão que tive foi que a proporção do Partenon é realmente bela. Experimentei uma sensação de beleza diferente, por exemplo, da beleza da Torre Eiffel ou da Mesquita Azul. É uma beleza mais natural, mais harmoniosa, mais parecida com a beleza do Corcovado. É difícil explicar, mas o edifício realmente hipnotiza, forçando a gente a dar mais uma olhadela para trás antes de ir, e mais uma, e mais uma, não para gravar na memória um prédio visto em milhares de fotografias, mas para gravar essa experimentação da beleza tranqüila e eterna da harmonia.

Como disse, não sei até que parte minha impressão foi sensível, até que parte foi condicionada pela minha expectativa sobre o encontro. Provavelmente um pouco de ambos. Mas independentemente de mim, o Partenon é lindo.




sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cine Sexta-feira Santa

Sexta-feira Santa é sempre assim, todo o mundo tira da gaveta aquele filme bíblico pra passar na TV. Hoje a tarde a via sacra estava na Globo, na Record e no SBT ao mesmo tempo.

E eu fiquei pensando quando vão fazer um filme sobre Cristo que não seja tão canastrão...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Os cisnes de Leonardo

Quando contei o causo dos livros no caixa do supermercado, um deles era Elite da Tropa, e o outro era Cisnes de Leonardo, de Karen Essex, que comprei absolutamente sem compromisso, só porque tava barato e tratava de arte. Na verdade, temia que a minha decepção fosse tão grande quanto O Ladrão de Arte, um livro horroroso que comprei no escuro e não aguentei chegar ao final.

Mas não foi isso que aconteceu. Eba! Na verdade, Cisnes de Leonardo contam a história não do próprio Leonardo da Vinci, mas das irmãs Isabella e Beatrice d'Este, filhas do duque de Ferrara. Isabella se casa com Francesco Gonzaga, duque de Mântua, e Beatrice se casa com Ludovico Sforza, o poderoso duque de Milão e mecenas de Leonardo, o Florentino (ele vinha de Florença) conhecido como Magistro. Agora duquesas de Mântua e Milão, as irmãs d'Este vão se tornar peças chave no conturbado mapa cultural e político da Itália do século XV, um aglomerado de cidades-estado espremidas entre o império francês e germânico.

Enquanto articula guerras, traições, alianças e golpes de estado Ludovico Sforza faz diversas encomendas ao Magistro, entre elas a pintura da Última Ceia, o retrato de sua esposa e também de suas amantes. Em Mântua, Isabella reconhece Leonardo como o maior gênio da Itália e procura seduzir Ludovico para que ele convença o pintor a retratá-la, nem que para isso tenha que destruir o casamento da própria irmã. Isso até que as grandes batalhas pelo ducado de Milão se iniciem, o bronze das estátuas sejam desviados para a fabricação de canhões e o poder de Ludovico Sforza entre em decadência minado pelas guerras entre seus impérios e suas mulheres.

Afora isso, a autora é muito feliz em retratar o clima da época, muito útil para quem se interessa por arte, e em localizar as obras de Leonardo neste panorama, não da maneira irresponsável e marqueteira de Dan Brown, mas dentro de um romance histórico interessante e bonito. E isso basta.

Uma boa descrição encontra-se na contra-capa do livro: Sensual e inteligente, esta história de amor, intriga e arte criada por Karen Essex é inesquecível, e fará você correr em busca das obras do gênio da pintura - não para encontrar as pistas de um mistério, e sim para contemplar os segredos do coração humano."

É bem isso. Eu corri.

Dama com Arminho, óleo de Leonardo da Vinci. A modelo é a amante de Ludovico Sforza, Cecilia Gallerani.
O arminho é um símbolo da família Sforza.