sexta-feira, 19 de março de 2010

Ganhou preyboy

A luta pelos royalties continuou no JN de ontem. Apesar de, claro, tendenciosa, a reportagem foi diferente do blablablá de sempre e revelou algumas mudanças no discurso carioca.

O JN explicou os royalties, o que são e por que são pagos. Bom, quando se explora petróleo em alguma região, mesmo essa produção atraindo refinarias, uma infinidade de empregos e uma montanha de impostos, há risco de poluição, de acidentes ambientais, ou ainda há a necessidade de se construir melhoramentos urbanos para atender aos trabalhadores migrantes que, de uma hora pra outra, desembarcam na cidade, como hospitais e escolas. É mais ou menos como uma multa que o país paga por criar tantos empregos e impostos de uma hora pra outra num lugar onde antes não havia nada, como se isso fizesse sentido. Mas tudo bem.

Como o estado do RJ JÁ É produtor, ele recebe alguns bilhões de reais em royalties. A emenda Ibsen redistribui não apenas o dinheiro do petróleo do pré-sal, mas também o do dinheiro que já é explorado. Pois já está sendo ventilado por aí, e aposto que é o que vai acontecer, que a nova distribuição passe a afetar os futuros royalties do pré-sal, mas não sobre a exploração do petróleo já existente. É claro que o RJ queria ficar com tudo, com pré-sal, com pós-sal, com existente, com pré-existente e até com não-existente se deixar. Mas vendo que o bolo é muito grande pra comer sozinho, agora vai propor dividir o que está no forno, desde que ninguém toque neste que ele tá comendo faz anos...

Parece razoável. Na verdade, eu não sou contra nem a favor dessa redistribuição. Não sou político, não entendo disso. O que me enche o saco é o populismo. Inclusive, se os royalties do petróleo são um ressarcimento pela exploração, se são para construírem estradas, hospitais e escolas, como disse o JN, não é pra fazer Olimpíada. É pra fazer hospital e escola. E se estão fazendo olimpíada com esse dinheiro que era pra fazer hospital e escola, mais um motivo para retirá-lo. Sinal que tá sobrando. Tô certo? E nem Copa do Mundo. Vai se catar.

A boa notícia é que parece que os cabeças-de-bagre agora querem mudar o projeto urbano do Rio, que também é absolutamente descartável. A idéia é que todos os investimentos, que antes estavam concentrados na rica região da Barra da Tijuca, agora sejam usadas para revitalizar a área portuária, exatamente como foi feito em Barcelona-92. O engraçado que, lá no longínquo ano de 2002, enquanto Rio e São Paulo disputavam o direito de candidatar-se à olimpíada, perguntei à minha professora Maria Izabel Villac sobre o que ela achava dos projetos, e ela disse que o projeto carioca estava errado pois concentrava todos esses investimentos na Barra. Agora, 8 anos depois, o Eduardo Paes faz reunião do IAB para perguntar a opinião dos arquitetos e mudar o projeto do jeitinho que a professora e muitos outros arquitetos queriam. Demorou eihn?