quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O andar do bêbado


Estava contando à minha tia (não sei como a conversa chegou ali) sobre um conto que comecei a escrever (e não terminei) há tempos atrás. Se tratava de um mágico que convidava um senhor da platéia para um número e pedia que ele retirasse do baralho "uma carta, QUALQUER CARTA aleatoriamente". No entanto, o senhor respondia que essa tarefa seria para ele muito difícil, uma vez que, sendo destro, tendia a retirar uma das cartas da metade direita do leque e, sendo bastante conservador, tinha pouca chance de retirar, por exemplo, a carta da ponta. Por tanto, retirar uma carta aleatoriamente lhe parecia uma tarefa muito difícil, argumentando de tal modo que o próprio mágico acabava por abandonar o número e a profissão. Coincidência ou não, ela estava lendo exatamente um livro sobre o tema da aleatoriedade, passou na livraria e me trouxe de presente.


O subtítulo "Como a aleatoriedade afeta nossas vidas" parece meio auto-ajuda, mas na verdade a maior parte de "O Andar do Bêbado" é um curso rápido de estatística fundamental. Um curso muito interessante, misturando história, vida de cientistas e casos cotidianos (contei a uns posts atrás a história do programa de TV com 3 portas). Isso posto, daí sim, o último capítulo trata de como acontecimentos fortuitos podem influenciar a nossa vida e de como não consideramos esses acontecimentos no momento de julgar as habilidades de alguém (ou nossas) com base no sucesso ou no fracasso que tiveram. E pensando bem, isso é bem fácil de entender.

Eu mesmo, quando deixei o meu currículo na Unoeste, comentei que trabalhava em meu antigo emprego com uma aluna do curso. Pois não é que quando a vaga apareceu a coordenadora do curso tinha perdido o meu telefone e só conseguiu falar comigo porque eu tinha comentado que trabalhava com essa aluna? Por sorte ela se lembrou desse comentário. Quem me avisou sobre o mestrado em Florianópolis, que acabei cursando, foi uma amiga que estudava na UFSC e viu um cartaz, por acaso, no restaurante universitário. E pensando pra trás, quase tudo o que me aconteceu teve pelo menos um fator aleatório que podia simplesmente não ter acontecido. Agora, por outro lado, se eu consegui tantas coisas boas por um motivo aleatório como esses, imagina quantas eu não perdi por um triz...