quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Twitada

Entendo a saída da Hebe do SBT por tentarem cortar seu salário ao meio. Ora, se o programa dela é exatamente igual a 20 anos, é justo que ela ganhe exatamente o mesmo. Isonomia, chama-se.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Impossível


Ora,
O que sabemos nós da impossibilidade?
Do impossível que trás consigo
O cerne da não existência?
Só o possível há
E, homem-feito, já não ponho-me a crer
No que não possa tocar
No que não possa ver
No que não possa, apenas.
E não podendo discordar-me
Ela tocaria minha mão e pediria que eu descresse
Daria-se vencida
E creria apenas no amor
Palpável suficiente para a minha abstração.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

1,618

Quantos retângulos áureos estão no rosto de Gisele Bündchen?

domingo, 26 de dezembro de 2010

Matemática

Ela é 20% mais velha que eu, mas com o tempo essa diferença só vai diminuir...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Diálogos

Conversando com o autor José Roberto Torero, na Feira do Livro de Pres. Prudente desse ano.

- Pois é Torero. Eu já tinha ganho um livro seu numa promoção do seu blog. Você mandou pra mim o "Terra Papagalli".

- E hoje eu te dei "O Evangelho Segundo Barrabás".

- E "Ira" eu li o da biblioteca da faculdade.

- Você nunca compra os meus livros. Desse jeito eu vou a falência.

- Na verdade o único que eu comprei, eu não li. Comprei "O Chalaça" de presente para a minha namorada, na esperança de pegar emprestado depois. Mas o namoro acabou antes do livro e acabou que eu não li nada.

- Não é uma boa estratégia essa...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Quintan(ilh)a


O exagero do amor
Aceitável descaminho
Ninguém faz samba a dizer
Que ama só um pouquinho...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Twitada

A Susana Vieira cantando no Faustão diminui sensivelmente o meu apreço pela humanidade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Diálogos


- Mas professor, é um ponto só. É pouquinho.

- Quanto você tirou?

- Cinco.

- Se a mensalidade aumentasse 20% ano que vem, você ia achar muito ou pouco?

domingo, 19 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Paciência

Essa semana tomei pelo menos meia dúzia de atropelamentos de deixar o corpo na beira da estrada. Três só hoje (e ainda são 17 horas). Deus dá, Deus tira. Acho justo. Num dia horroroso assim, alguém buscaria conforto na Bíblia, ou no Alcorão, ou no guia da TV a cabo. No meu caso, buscarei um verbete do meu livro do Millôr Fernandes (A Bíblia do Caos), que também é um papa a seu modo.

PACIÊNCIA

- Se certas pessoas tivessem um pouquinho de paciência, esperassem um pouquinho mais, acabavam pensando antes de falar.

- A paciência? Ali, na primeira porta. Mas bate de leve, senão ela fica furiosa.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mazembou


Mazembar. Verbo. 1. Estragar, dar errado inesperadamente, dar zebra, melar, f****.

Catalogado pela academia rogeriana de letras.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

E te mudou a direção...


O hiato do blog é causado por problemas e soluções de todos os tipos.

Voltamos com a nossa programação normal.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Colômbia


Confirmado. Próximo destino, Colômbia - Bogotá, San Andrés e Cartagena. Érica, companheira de Grécia - Turquia, vai também.

Fazer o que né? Lá vamos nós.

Em tempo, meu estrogonoffe ficou bem bom. Coloquei pinga em vez de conhaque e pomarola em vez de suco de tomate. Uma hora eu distraí e ele deu uma queimada no fundo da panela, mas nada que não passasse por chique se tivesse um nome francês.

Te cuida Shakira...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Estrogonofe de Frango

Vou escolher aqui uma receita no meu livro novo para tentar fazer. Se ficar bom, eu coloco uma foto minha degustando o prato aqui. Vamos ver.

Estrogonofe de Frango

1. Corte os filés de frango em tirar e tempere-as com um pouco de sal e pimenta-do-reino. Reserve. (nota: vou fazer sem pimenta)

2. Leve uma panela ao fogo, aqueça e adicione a manteiga e a cebola picada. Refogue até que esteja macia. (nota: macia a cebola ou a panela?)

3. Coloque os pedaços de frango e cozinhe por 2 minutos. Adicione os champignons e refogue por mais 3 minutos. Salpique a farinha de trigo e misture.

4. Regue com o conhaque e deixe evaporar. Coloque o molho inglês e o ketchup. Misture bem e regue com o suco de tomate e com o caldo de frango. (nota: conhaque?)

5. Cozinhe em fogo baixo por 10 minutos e acrescente o creme de leite. Tempere com sal e pimenta-do-reino. Sirva com arroz e batatas palha.

Amanhã vou comprar os ingredientes. Preciso de frango, farinha, tomates e conhaque. Acho que panela eu tenho aqui, em algum lugar...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O fio de Ariadne

Nalgum dia de 2002 eu encontrei uma ponta solta numa aula de história da arquitetura sobre as utopias urbanas do século XX.

Puxei o fio, e ele me levou a Brasília no ano seguinte.

Continuei puxando e encontrei diversos modelos de cidade utópicas pós revolução industrial, em 2004.

Segui, e no ano seguinte relacionei essa arquitetura com as artes.

Mais a frente estava a "Cidade Contemporânea para 3 Milhões de Habitantes" e o purismo corbusiano.

Continuei puxando.

Encontrei cidades feitas a partir do nada. Segui.

Puxei o concurso de Brasília, e as capitais que ela nunca foi.

Mais a frente estava Joaquim Guedes, um dos participantes do concurso e urbanista de várias cidades brasileiras.

Agora cheguei ao padre Lebret, planejador urbano e hunanista, de quem Guedes foi estagiário.

O preocupante é que o meu fio de Ariadne não leva para fora, mas para dentro do labirinto.

Eita fio que não tem fim...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Oração de Platão


"Sócrates: Será que deveríamos fazer uma oração endereçada aos deuses daqui antes de irmos?

Fedro: Claro que sim.

Sócrates: "Ó caro Pan e todos vós demais deuses deste lugar, concedei-me que me torne nobre e belo interiormente, e que todos os meus bens exteriores estejam em amigável harmonia com o que é interior. Que eu possa considerar o homem sábio, rico. E quanto ao ouro, que possa ter eu dele somente a quantidade que alguém moderado é capaz de suportar ou portar consigo." Será que necessitamos de algo mais, Fedro? Para mim creio ser essa súplica suficiente.

Fedro: Permite-me também partilhar dessa súplica, pois amigos têm todas as coisas em comum.

Sócrates: Partamos."

Daqui pra frente, só rezo assim.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Política

Dia desses acabei lendo algumas coisas na internet sobre comunismo e comunistas. Na maioria, manifestações de jovens de direita, defensores do nacionalismo e do capitalismo. E, segundo os próprios, da democracia. Os textos se divertiam, deitavam e rolavam chutando os cachorros mortos de Fidel, do fracasso soviético, das ditaduras do Chávez e por aí vai. Se o comunismo fosse bom, os comunistas não teriam construído o muro de Berlim.

É claro que eu não entendo as coisas tão bem quanto eles, não sou engajado politicamente como eles e, portanto, estou errado ao achar que boa parte das críticas eram injustas. Seja por confundir socialismo com comunismo, seja por confundir socialismo e comunismo com ditadura, seja por dar a Alemanha como exemplo de capitalismo em vez do Haiti. Seria como se eu atribuísse ataques como os de hoje no Rio de Janeiro a uma desigualdade social que é a base do próprio capitalismo, e que 50 carros queimados e algumas dúzias de mortos por ano, pelo tráfico e pelo BOPE, é um preço bem barato para que se mantenha o nosso padrão de vida.

Seria como se eu atribuísse a riqueza e o sucesso da Alemanha ao fracasso do Haiti, dizendo que não são duas faces do mesmo capitalismo, mas são a mesma face do mesmo sistema onde um necessariamente se ergue às custas da tragédia dos outro.

Seria como se eu lembrasse que no meu país houve sim uma ditadura, mas militar. Uma ditadura que controlou, torturou e matou com o "firme propósito" de impedir uma ditadura comunista que controlasse, torturasse e matasse. Para impedir uma ditadura, uma ditadura. Muito inteligente, embora isso sugerisse que os ditadores o são por serem seres humanos, no pior sentido, e não capitalistas ou comunistas.

Mas é claro que eu não diria isso.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Paul

Paul MacCartney é mesmo incrível. Eu que, apesar de gostar dos Beatles, tenho um conhecimento que não chega nem a superficial sobre eles, não conseguia tirar os olhos dos trechos do show que passou na Globo. Tenho certeza que foi um dia inesquecível para todos os Beatlemaníacos de plantão. Boas energias.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cuitelinho

Já tinha dito AQUI sobre Cuitelinho, uma música de domínio público recolhida por Paulo Versolini e cantada por Renato Teixeira. Eu adoro a música. Acontece que o Paulo Versolini acrescentou por sua conta um verso novo que o Renato depois passou a cantar.

Depois de ouvi-lo eu quis brincar disso também. E desde então um verso me entalou que não saía, embora eu pensasse muito sobre ele. Mas como pensar não adianta, e verso agonia por gosto e só sai quando quer, hoje, quase um ano depois, quando eu nem pensava nisso, ele me saiu. Ficou assim:

"A estrada dessa vida, ora alonga, ora atalha
Ora anseia água fresca, ora acende uma fornalha
Quero a terra como herança
E o céu como mortalha"

Livrei-me...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Geração Y

Agora a moda dos jornais é fazer reportagens sobre a "geração Y", jovens nascidos nas décadas de 80 e 90 que estão entrando no mercado de trabalho. Segundo essas reportagens, os jovens da geração Y fazem muitas coisas ao mesmo tempo, são ambiciosos, impacientes e não ligam tanto pra dinheiro e nem para hierarquia. Eu não sei se sou da geração Y, já que nasci em 81, mas sei que quem faz essas reportagens também não é...

Que falta de assunto...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Dona Benta

Ganhei um inusitado presente de aniversário. Um livro de receitas, aquele "Dona Benta", um catatauzão. Minha tia disse que é pra eu comer outra coisa além de macarrão. rs.

O curioso é que eu descobri que eu queria mesmo um desses. Ontem já incrementei meu omelete. Vamos ver se dá certo. Para amanhã estou pensando em fazer frango assado, feijoada ou pastel de pizza. rá, mentira. Se eu aprender a fritar batata e fazer feijão já vai estar muito bom...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pa Panamericano

Os jornais noticiaram hoje a dívida do Banco Panamericano, aquele do Sílvio Santos. O SBT e o BAÚ está pendurados como garantia.

Será que a roleta parou no "Perdeu Tudo" Sílvioooo?????

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pintos


"Pintos: Tudo o que você mais gosta, no lugar que você sempre quis."

Tão de sacanagem... #ahpublicitários

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ombudsman

O blog deu uma emperrada, mas não desistam dele.

Voltaremos com a nossa programação normal.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Twitada

Com uma mulher na direção, tenho certeza que o Brasil irá pra frente. Mesmo porque, ela não saberia estacionar... #piadinhamachista

sábado, 30 de outubro de 2010

Mais eleições

E amanhã cumpriremos o dever cívico, risonho e límpido do voto universal brasileiro. E pelo Datagério, instituto de pesquisa do Rogério, a maioria das pessoas não vai votar nem na Dilma, nem no Serra.

Do que tenho ouvido por aí, boa parte das pessoas que votará no Serra tem, na verdade, um voto anti-Dilma ou anti-PT. Tanto faz o Serra, o Alckmin, o Tiririca ou o macaco Chico: contra a Dilma, o pessoal tá votando. Do mesmo modo, a maioria das pessoas que votam na Dilma tampouco estão votando na candidata, mas votando, isso sim, no Lula. Tanto faz a Dilma, a Marta, o Tiririca ou o macaco Chico: ordem do Lula, o pessoal tá votando.

A minha previsão é que a Dilma ganhará mas não terá vida fácil nos próximos 4 anos. Acabou o céu de brigadeiro do Lulão, uma figura muito mais histórica, forte e carismática do que ela.

Falando nisso, falando em deveres pétreos e pátrios, o censo acabou essa semana e eu não fui entrevistado. Até mandei um alerta pelo site oficial pedindo pra agendarem uma visita, mas nem tchum. A pátria não me quer. Mas que insignificância é essa...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eleições

E agora uma bolinha de papel e um rolo de fita crepe transformaram o Serra no Kennedy brasileiro. Daí a moda pegou e jogaram bexigas de água na Dilma. Quero ver o que vai ser agora... Todo o mundo jogando coisas nos candidatos. A oposição vai jogar ovos, os partidários vão jogar flores. Aliás, não sei qual o espanto. Jogar tomates nos políticos talvez seja a primeira manifestação legítima de democracia da história, e sem dúvida a primeira desta eleição.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Evolução

Na esteira da leitura de "A Origem das Espécies", mais um dos muitos livros começados e não terminados que se empilham no meu criado-mudo, ouvi hoje uma notícia sobre a super-bactéria. Um especialista dizia que o aumento da resistência dessas bactérias se dá graças ao uso dos antibióticos. Quer dizer, pra cada novo antibiótico, em seguida aparece uma nova bactéria mutante resistente a ele. Fiquei pensando sobre isso e desenvolvi duas explicações para o fenômeno.

A primeira é darwniana, quer dizer, estando as bactérias expostas aos novos medicamentos, a princípio irão todas morrer. Mas, se entre elas houver uma só capaz de resisti-lo, logo apenas ela será capaz de se multiplicar, passando o seu super-poder para toda uma super-prole. É claro que isso acontece com uma rapidez espantosa em termos de evolução genética, mas imagino que a vida de uma bactéria seja bem mais curta que a de um mamífero e, assim, sabe-se lá quantas gerações se sucedem em pouquíssimo tempo.

A segunda explicação, criacionista, é mais divertida. Vamos supor que a inteligência superior que tenha criado a todos os seres vivos conduza conscientemente essas mutações, e não ao acaso. Enquanto temos uma porção de ursos morrendo por causa do calor, de peixes morrendo por causa do frio, de pinguins morrendo de fome e cachorros morrendo de colesterol, as bactérias se adaptam muito mais rapidamente o que revelaria uma preocupação maior do demiurgo em preservar as bactérias do que os ursos, os peixes, os pinguins e os cachorros. Evidentemente, a única explicação seria que dentro do equilíbrio da natureza, as bactérias talvez fizessem mais falta à criação do que os cachorros e a grande maioria dos outros animais. Essa foi a minha primeira constatação.

No entanto, escrevendo agora, pensei que a única função dessas bactérias na natureza parece ser matar seres humanos. Ou seja, arrependido de não ter descansado no sexto dia, o criador pode estar querendo preservar as bactérias com a intenção de que elas continuem a dar cabo da humanidade.

É... Faz sentido...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nulo

Eu sou um democrata. Antes de ser de direita ou de esquerda (e eu sou de esquerda), acho que o mais importante é a democracia. E, é claro, me alegro imensamente de viver em um país onde, de ano em ano, somos convocados a votar para eleger nossos representantes.

Mas, este ano, pela primeira vez, vou anular um voto. Já tive vontade de fazer isso no Lula x Alckimin de 2006, mas como estava fora, justifiquei. Agora estou dentro e, mesmo sendo normalmente contra, vou meter um belo de um nulo neste 2º turno presidencial.

Parabéns Serra e Dilma.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eleições

É triste ver, com tantos temas a serem debatidos, questões religiosas decidirem uma eleição presidencial. E o que é pior, em cima do lado piegas e panfletário das religiões, que sem dúvida são o que há de menos proveitoso nelas.

O candidato da oposição, que adora tomar café em padaria, vai até Aparecida pagar promessa. A candidata do governo virou tão religiosa de uma hora pra outra que deve ser canonizada ao final do pleito.

Dos temas da moda na boca de ambos, concordo que o aborto é um problema complexo e aceito discutir sobre a adoção de crianças por casais homossexuais. Agora, a proibição do casamento gay é algo que não faz sentido pra mim. Que diferença faz? Deixe os gays casarem com quem eles quiserem... Isso não muda nada na minha vida, então, porque não? O casamento legal não é mais que um contrato firmado entre duas pessoas. Pois que cada um se contrate com quem quiser, uai.

Enfim a democracia brasileira ainda tem um longo caminho a percorrer...

domingo, 10 de outubro de 2010

Deuses da Bola


Não tem jeito. Vira e mexe eu pingo aqui no blog algo sobre um livro de futebol. Bom, isso é porque eu leio livros sobre futebol. Agora foi a vez de "Deuses da Bola", que fala especificamente sobre a seleção brasileira. Jogo a jogo, ano a ano.

Eu já tinha notado algo quando li "O futebol explica o Brasil": os anos de formação da seleção, os antigamentes, até a Copa de 70 e, talvez, até 82, me divertem muito mais do que as histórias recentes. Faz uns anos me diverti demais lendo a boa biografia de Garrincha, de Ruy Castro, e o futebol moderno, especialmente depois de 90, parece muito chato.

No caso de "Deuses da Bola", só mesmo a graça dos antigamentes salvam o começo do catalográfico livro. É um festival de números e poucas histórias. Mesmo assim, insisti. Passei pelos primórdios, pelo início das Copas, até 54. Chegou a Copa de 58 e não havia nenhuma historinha sobre o Garrincha ou sobre sua estréia na seleção. Daí desisti. Passei pra outro.

Se você gosta de letras, "Deuses da Bola" fica devendo. Se gosta de números, bom apetite.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Diálogo

Vendo na TV a apresentadora de um programa infantil de pouca audiência conversando com uma menina de 6 anos:

- Você sabia que a garrafa demora 150 anos pra se decompor na natureza?

- O que é decompor?

- Sumir na natureza.

- Ahm...

- Por exemplo, quantos anos você tem?

- Seis.

- Então, se você jogar uma garrafa de plástico na mata, quando você fizer 156 ela ainda vai estar lá.

- Ah! Que legal!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Diálogo

Meu pai me dando uma carona para pegar o carro na concessionária.

- Olha lá, acho que aquele estacionado ali é o seu.

- Será?

- Acho que sim.

- Acho que não. Esse é um Fiesta. Tá escrito aqui. O meu é Ka.

- E é quatro portas também. O seu é duas.

- Como nós somos ruins. Se eles entregarem um Fusca eu levo e não vou nem perceber.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Street View

Uma grande notícia que não saiu do pé-de-página dos jornais de ontem foi o lançamento do Google Street View das primeiras cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, que se juntam às grandes cidades mundiais como Nova Yorque, Paris e Roma entre as disponiblizadas pelo serviço.

O Google Street View é um programa que funciona em conjunto com o Google Maps, aquele buscador de ruas e mapas que é muito útil para pessoas perdidas como eu. Pois, buscando um endereço no Google Maps, ao aproximar-se bastante do ponto se cai automaticamente no Street View que mostra fotos reais do ponto procurado e permite um passeio pela cidade.

É viciante. Você pode dar, por exemplo, um passeio pela av. Paulista:














Ou ainda procurar a sua casa, ou qualquer rua de SP e Rio. Fantástico.

Para mim, o desafio agora é incorporar essas novas tecnologias às minhas disciplinas de urbanismo e arquitetura.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

2º Turno

Faltando 3 dias para a eleição, estava pensando. Dessa vez, parece que o 2º turno, ou a ausência dele, só virá depois da última urna contada. Dilma está bem no limite da vitória logo no 1º turno. Será voto a voto.

A candidata do governo é vista sempre como o boneco-de-posto do Lula. É Lula pra lá, Lula pra cá. Mas o curioso é que o próprio Lula nunca ganhou uma eleição para presidente já no 1º turno. Em 2002, estou vendo aqui, conseguiu 46,44% dos votos. Chegou perto. Foi para a final com o Serra, na famosa campanha do medo da Regina Duarte. Depois, em 2006, no auge do mensalão e do "escândalo dos aloprados", fez o segundo turno com o Alckmin que conseguiu ter MENOS votos no 2º turno do que no 1º.

O engraçado é que o último presidente a se eleger no primeiro turno foi o alter-ego de Lula (e vice-versa), FHC. E duas vezes. Tanto em 1994 como em 1998 o FHC nos poupou metade do show do horror do horário político. E pensar que hoje o Serra esconde o sociólogo debaixo do tapete azul e vermelho (listrado) da sala dele.

Moral da história. Será que a Dilma é melhor do voto do que o Lula? Ou será que se o Lula fosse candidato hoje, venceria de cara e com folga? Acho que sim, e ainda bem que ele não é, porque democracia é bom quando troca.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Diálogos


- E o que o carro tem?

- Não tem nada, comprei o modelo básico. Só travas e alarme.

- E tem vidro?

- Claro que tem vidro. Tem vidro na frente, tem atrás...

- Não, estou perguntando se tem vidro elétrico.

- Ahmmm. Esse não tem não.

domingo, 26 de setembro de 2010

Debate

Debate com José Serra, Dilma Roussef, Marina Silva e Plínio Salgado. É a maior reunião de gente feia por m² da história desse país.


Bem que a Leci Brandão diz que é "mulher com a cara do povo". Mas faltou o Tiririca.

Em 2014 eu quero ver debate com a Grazi Massafera, a Ísis Valverde, a Paola Oliveira e a Mariana Ximenez. Me ajuda aí, pô!

sábado, 25 de setembro de 2010

Eleições


Mesmo sabendo que a vaca já foi pro brejo, fica aqui o meu apoio.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Canto general


Cuántas vezes en las calles de invierno de una ciudad o en
un autobús o un barco en el crepúsculo, o en lá soledad
más espesa, la de la noche de fiesta, bajo de sonido
de sombras y campanas, en la misma gruta del placer humano,
me quise detener a buscar la eterna veta insondable
que antes toqué en la piedra o en el relámpago que el beso desprendia.

Pablo Neruda

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Bienal

Está para começar a Bienal de Arte de SP. Eu espero que seja melhor do que a última, a histórica "Bienal do Vazio". Na época, muita parede branca (um andar inteiro sem nada), muita obra velha e muitas vídeo artes dos anos 70 cujos autores não tiveram ao menos a delicadeza de legendar em português.

Foi de doer...

domingo, 19 de setembro de 2010

Eleições

3 observações sobre as eleições:

1 - A cabeça do eleitor não faz sentido. Que dizer, como se pode eleger em SP, todos com larga maioria, Dilma Roussef, Marta Suplicy, Netinho e Geraldo Alckmin? Os três primeiros são do lado vermelho (cola do Lula) e o último é do lado azul do bipartidarismo brasileiro. Quer dizer, tem paulista votando no Alckmin e na Dilma, ou na Marta, ao mesmo tempo. Pela lógica, ou Mercadante, o governador do Lula, ou Aloísio Nunes, o Senador do Geraldo, deveriam ter mais votos.

2 - Ouvi falar que as pesquisas estão colocando o Tiririca como o deputado federal mais votado de SP. Muitos estão fazendo a leitura do voto de protesto, mas eu não acho que é protesto não. Acho que é burrice mesmo, no máximo avacalhação, mas não chega a ser um protesto como manifestação crítica de consciência política. Ao contrário, é uma manifestação da falta de consciência política. Acho que o povo quer e merece o Tiririca. E vai ter.

3 - Ótimo site o do TRANSPARÊNCIA BRASIL onde você pode acompanhar a vida e a capivara dos senhores deputados e senadores brasileiros. Até a declaração de bens do Sarney. ô loco!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Louvores a Marcondes e a Goulart e ô


Deu no UOL:



Flamengo desperta com parada festiva em Presidente Prudente


Os jogadores do Flamengo foram acordados ao som de bandinhas. Nesta terça-feira, Presidente Prudente, local da partida contra o Grêmio Prudente, nesta quarta, completa 93 anos de fundação. Distante cerca de 600 quilômetros de São Paulo, a cidade tem pouco mais de 200 mil habitantes. O desfile de aniversário foi realizado no Centro, na Av. Washington Luiz, ao lado do hotel onde a delegação se concentra. A comemoração começou pouco depois das 8h. Uma das alas reuniu motociclistas, que abusaram do ronco dos motores. É a segunda vez seguida que o Flamengo visita um município em dia de festa. No início do mês, o time enfrentou o Cruzeiro em Uberlândia-MG, que também estava de aniversário.


#sucupira

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Las hay...

Estava conversando sobre isso dia desses, com meus pais, e agora procurando uma outra coisa da internet resolvi ver se o Google achava algo sobre o tema. Não achou.

O tema da conversa tinha sido um paranormal, do tipo força-da-mente, acho que foi o Uri Geller, que foi no Jô Soares uma vez faz muito tempo. Estava em casa assistindo com minha mãe e ele prometia que iria consertar relógios pela televisão. Minha mãe, claro, foi pegar um despertadorzinho quebrado que não despertava mais e colocou em cima da TV. Fez tudo certinho. Mentalizou, não sei o que, e isso, e aquilo, e fala "funciona", e ela do lado de cá "FUNCIONA". E não é que o bicho disparou de tocar sozinho? Ele que não tocava, tocou feito um desembestado. Depois parou de novo e nunca mais tocou. Quebrou de novo. Mas que naquele dia tocou, tocou.

Já o que pesquisei no Google era sobre quebranto (ou mal-olhado). Minha mãe e minha avó são benzedeiras de quebranto e desde que eu me conheço por gente rola essa história entre elas, o que me faz achar muito normal. Pelo que eu entendo, o quebranto é quando a inveja de alguém suga a sua energia e te deixa meio mole. Enfim, energias à parte, a gente pode acreditar ou não, mas tem um detalhe curioso.

Para saber se alguém está ou não com quebranto, minha mãe coloca água em um pires e pinga uma gota de óleo. Se você não fugiu das aulas de química da oitava série, você sabe que o óleo e a água não se misturam. Pega na sua casa e faz um teste. Pois quando ela pinga, se o benzido estiver com quebranto, o óleo desmancha. O óleo se dilui na água. Some, como se fosse água. Então ela segue benzendo e pingando, até que o óleo não desmanche mais, sinal que a pessoa já está boa.

Se fosse qualquer outra pessoa, eu desconfiaria. Mas minha mãe... Minha avó... Uma vez eu até escrevi para o Fantástico numa série onde um gringo ia pagar um montão de dólares pra quem apresentasse a ele qualquer fenômeno não explicável pela razão. Nunca me responderam, e minha mãe disse que não se deve ganhar dinheiro com essas coisas.

É como dizem. Eu não creio em bruxas, pero que las hay, las hay....

domingo, 12 de setembro de 2010

O gato dos telhados


Dia desses estava em São Paulo ouvindo rádio com o meu avô, dentro do carro. O entrevistado era o autor de um livro sobre Meneghetti, de quem este muito mequetrefe paulistano nunca tinha ouvido falar. Já meu avô, paulistano da gema, evidentemente conhecia a história do "gato dos telhados" e então foi me contando.

Meneghetti é um personagem histórico da São Paulo antiga. Era um ladrão. Roubava casas ricas e joalherias, quando não havia ninguém. Entrava, limpava e ia fugia deixando um bilhete, às vezes reclamando da má qualidade das jóias que roubara. Era famoso pelas fugas espetaculares, pulando de telhado em telhado, e pela elegância. Era um "bom ladrão". Nunca matara ninguém, não usava armas. As lendas se estendiam até fazê-lo um Robin Hood urbano, roubando dos ricos e ajudando os pobres.

O livro sobre ele é bem curtinho e meu avô me disse que não acrescentou nada sobre a história que ele já conhecia. Eu acredito, é curtinho mesmo, quase catalográfico. Talvez porque as histórias sejam boas, a gente fica achando que poderiam haver mais. Da infância em Pisa (lembrei das ruelas da cidade e imaginei Meneghetti correndo por lá), na Itália, ao casamento com Concetta, as muitas prisões, os anos de cadeia, as fugas e as lendas, fica a impressão de receber um lindo copo de suco de laranja e perceber depois que é TANG. É gostoso, mas meio decepcionante...

Foi estranha essa metáfora, mas foi o que me ocorreu. De qualquer forma, vale a pena para conhecer o bom ladrão de SP, Meneghetti, o gato dos telhados.

sábado, 11 de setembro de 2010

Fragmento

Depois descobri o silêncio. Apaguei as luzes elétricas, a luz azul da TV, deixava entrar a luz do dia e caminhava a noite entre as silhuetas. Meus sentidos se despertaram e os dias ficaram cada vez mais longos. E quando havia de pensar muito nela, deixava que a natureza me fizesse companhia.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eleições

Acho que vou votar no Batoré para Deputado Estadual, no Tiririca para Deputado Federal, no Moacir Franco para Senador e no Carlos Alberto de Nóbrega para presidente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ofensa


Série onde eu ofendo gratuitamente alguém que, por um motivo ou por outro, não posso ofender pessoalmente:

Foda-se.

Obrigado.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fragmentos

Só podia dar em merda. E o que é pior, havia plena consciência disso, desde o início. É uma pena, no entanto, que a nossa capacidade de prever as merdas futuras não seja inversamente proporcional à nossa capacidade de fazê-las. Até que haja a mais completa desesperança e descrença, seguimos. A merda prevista é, assim, duplamente frustante, pela incapacidade e pela burrice.

domingo, 5 de setembro de 2010

Eleições

Deu no UOL:

Roberto Jefferson critica uso de imagem de Collor em horário gratuito de Serra na TV.


E eu que achava um partido (PTB) ser presidido pelo Roberto Jefferson (aquele do mensalão) e contar com ilustres membros como Fernando Collor (você conhece), Gim Argello (aquele senador que já assumiu respondendo processo no conselho de ética) e Jair Bolsonaro (o nazista) já fosse humilhação suficiente. É interessante notar como eles ainda acham que tem um nome a zelar.

Parece quando o DEM expulsou o Arruda por falta de ética... Ah tah...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Diálogos


- Essas propagandas de carro nunca dizem quanto o carro custa. Diz juros zero, diz o valor da parcela, diz opcionais grátis, mas não fala quanto custa o carro.

- Eu acho que tava na hora de você comprar um carro. Essa vida de motoqueiro tomador de chuva já não dá mais.

- Ah não, tudo bem. Aqui não chove nunca mais mesmo...

domingo, 29 de agosto de 2010

Chico Buarque - Histórias de canções


Meu xodozinho por esses dias tem sido o livro "Chico Buarque - Histórias de canções". Comprei faz uns meses, e estava na minha cabeceira, junto com outros 3 ou 4 que estão sempre por lá. Dia desses estava com ele na mão, e acabei largando-o na sala. Isso mudou tudo.

Não é um livro pra se ler. É um livro pra se fuçar. Com ele ali por cima do sofá, a cada sentada de passagem eu dou uma olhada, folheio, encontro uma música, leio uma história. O livro traz letras do Chico e pequenas histórias sobre aquela música. Pequenas mesmo, às vezes um parágrafo ou dois. Curiosidades como a troca de cartas com VInícius por causa da letra de "Valsinha", ou que Chico não gostava da clássica "Carolina".

Pra quem gosta de Chico, é um livro pra se deixar no tapete da sala e tropeçar várias vezes por dia.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Umidade do ar chega a 8% em Presidente Prudente (SP)

O índice de umidade relativa do ar chegou a 8% na cidade de Presidente Prudente (542 km de São Paulo) na tarde desta quinta-feira, de acordo com o instituto Climatempo. O índice caracteriza estado de emergência, segundo classificação da Organização Mundial da Saúde, e é inferior ao do deserto do Saara (entre 10% e 15%).

Deu no portal da FOLHA.

Agora teremos em Prudente coisas como sandboard, tapete voador e tribos nômades. Meu medo é que o Paulo Skaf, candidato a governador, com aquele narigão venha visitar a região e nos roube o pouco de umidade que nos resta e... Puts, peraí que meu camelo tá fugindo. Volta aqui Alladim!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O quadro perdido


"O quadro perdido" conta a história do descobrimento de "A prisão de Cristo" uma tela do pintor italiano barroco Caravaggio desaparecida por alguns séculos e conhecida apenas por cópias. Duas pesquisadoras italianas, ao procurar arquivos antigos sobre uma outra obra do mestre, acabam encontrando a pista do Caravaggio perdido e vão em sua busca, tentando remontar os passos da tela e as mãos pelas quais passou.

No fim, o livro fica nisso mesmo. Não é um romance. É um relato. Conta como as italianas, e depois outros pesquisadores, tentam puxar o fio que leva até o quadro. Nisso, acabamo contando um pouco sobre os hábitos e sobre a vida do pintor barroco. Mas não muito, inclusive porque pouco se sabe. Como não é um romance, a história pode ser um pouco monótona. Não há grandes mistérios ou conspirações, nem momentos emocionantes. Mas pensando bem, da última vez que me arrisquei a ler um livro que misturasse o mundo da arte com romance de aventura (em "O Ladrão de Arte"), não dei conta de terminar de tão ruim. Então é melhor assim.

O engraçado é que no final das contas o quadro é reencontrado quase por acaso no... Ah, não vou contar.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

360º

Ah, mas é impossível não ter assunto pra postar com a volta das eleições e do horário político. Logo de cara me aparecem como candidatos o Netinho, a Leci Brandão, a Simony e o Moacir Franco. Só voto se for a Vanusa! Mas o primeiro troféu George W. Bush dessas eleições vai para o candidato a senador Ciro Moura, do PTC. O número da criança é 360, e o slogan é "CIRO 360º".

Alguém precisa avisar o rapaz que um giro de 360º deixa a gente no mesmo lugar.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Cadê?

Nossa, de repente o blog ausentou-se. Postei tanto no mês passado... É que ainda estou no período de readaptação ao trabalho.

Ando desconfiado. Estou farejando entrocamento. A nossa vida é cheia dessas coisas, dessas mudanças. Ando farejando alguma coisa estranha no ar.

Veremos...

sábado, 7 de agosto de 2010

Preguiça

De volta ao trabalho! E eu ando sofrendo de preguiça de readaptação. É que eu demoro muito mais pra me adaptar ao trabalho do que às férias.

Até o blog, que vinha no embalo, ficou abandonado essa semana. E olha que foi uma semana agitada com ultrapassagem do Rubinho, jogo de futebol e debate de presidenciáveis.

Mas tô com preguiça...

sábado, 31 de julho de 2010

Florianópolis

Voltar a Florianópolis é sempre especial pra mim, como voltar a Londrina. O engraçado é que fui de São Paulo para a ilha, e mesmo sendo nascido na primeira e não na segunda, é a ilha que talvez me cause mais impacto. E o motivo é simples.

Enquanto eu ando pelas ruas do centro, pelo calçadão da universidade, a cidade olha pra mim. Ela se lembra do ano mais difícil e estimulante entre esses meus 28 últimos, e a cada vez que passo ela me conta quem eu sou. E essa Florianópolis ninguém mais conhece.

Ninguém sabe dos guarda-chuvas coloridos atravessando em massa a avenida em direção ao mercado, nem da lanchonete perto do trabalho onde eu almoçava um salgado (era tudo que meu dinheiro dava). Passei em frente, os salgados continuam lá. A praça com a floricultura e o ponto de ônibus, a primeira que vi na cidade, lembrou-se de mim. As avenidas que me viram caminhando sonâmbulo de olhos fechados, decidindo terminar o percurso a pé para economizar um pouquinho que fosse, apenas me olharam. A escadaria onde tirei um retrato das pombas, a sala onde me intoxiquei com o cheiro da tinta fresca, o restaurante onde tocava às sextas, a portaria onde me apaixonei perdidamente. O bar onde sentava com meus amigos e a entrada do campus que me viu tantas vezes repetir: vou lutar mais um dia. E depois outro dia, e mais outro, até que chegou o dia de vir embora. Porque é assim que as coisas são.


Não que eu conheça Florianópolis. Freqüentemente converso com pessoas que na apenas como turistas conhecem mais lugares do que eu que morei lá. Como aliás, eu também pouco conheço Londrina, ou Prudente, ou São Paulo, já que minha distração me coloca sempre a observar as mesmas coisas como se fosse a primeira vez. O que me comove, é que é Florianópolis quem me conhece.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Muito longe de casa

Quando eu vejo algum programa de TV, desses de barraqueira, eu quase sempre duvido que sejam atores e que aquela história não seja real. Na verdade, esse pessoal da periferia tem um jeito de brigar dando risada que um ator não conseguiria fazer tão bem a caricatura.

Eu me lembrei disso ao ler a história de Ishmael Beah pela forma simples com que ele escreve. Ora, eu tinha acabado de sair do Umberto Eco, extremamente prolíxo, e caído num texto quase infantil de um menino africano. A diferença é que Umberto Eco compõe uma obra de arte sobre histórias que ele nunca viveu enquanto em Muito longe de casa Ishmael conta sem arte coisas que ele próprio viu, viveu e, principalmente, fez.

O livro conta a adolescência de Ishmael passada no meio da guerra civil em Serra Leoa, dividida entre um ditador golpista e rebeldes igualmente sanguinários. Depois de escapar acidentalmente de um ataque que destruiu sua aldeia, Ishmael passa meses fugindo da guerra cruzando boa parte das aldeias e das florestas de Serra Leoa a pé, até ser capturado pelo exército governista e ser transformado em um menino-soldado, tomando lugar nas frentes de batalha.

Algumas coisas me chamaram a atenção. A primeira é que, a questão política - ditadura, golpe, revolução, eleição, direita, esquerda, rebeldes, causa - não chega em absoluto na ponta da guerra. Ninguém sabe porque está lutando, ou sabe, para vingar a destruição de sua casa, sua aldeia e a morte de sua família. Fazem isso destruindo outras casas, aldeias e famílias, o que faz com que o argumento seja o mesmo para ambos os lados. Além disso, basicamente invadem as aldeias que encontram pela floresta para roubar drogas, munição e, principalmente, comida, criando um ciclo interminável: matam e roubam comida para poder continuar caminhando até a próxima aldeia para matar e roubar mais comida.

Essa psicologia da guerra me fez compreender melhor o que talvez possa acontecer, em certa medida, com um menino do tráfico, por exemplo. Toma aqui essa arma e vai matar aqueles que mataram seu pai, ou tomar daqueles que te humilham na rua, que cospem em você, que te olham de cima porque você é preto, pobre e favelado. Agora você pode, você tem uma arma. Você não iria? E não sei dizer... Mas no mínimo a gente compreende porque é que alguns aceitam.

A segunda coisa que me chamou a atenção foi a presença dos voluntários da ONU. Se em Gostaríamos de informar que amanhã seremos mortos com nossas famílias a presença das forças de paz é tida como desastrosa em Ruanda, no caso de Serra Leoa ela parece ser frágil, mas válida. São esses voluntários que "compram" o menino Ishmael e o levam para um centro de recuperação. No entanto, tirado da guerra no dia anterior, os meninos continuam a se comportar com se estivessem nela: batem nos voluntários, lutam entre si, roubam, ameaçam. A guerra continua dentro deles. Certo tempo eu tive vontade de ser voluntário da ONU, mas não deve ser coisa fácil.

Finalmente, me chamou a atenção a capacidade física e de sobrevivência de Ishmael. Ele diz coisas como "a aldeia ficava a dois dias de distância". Se eu tivesse que andar dois dias pra chegar em algum lugar... Sem água ou comida. Em certo momento ele passa meses na floresta, sozinho, comendo cocos. Isso talvez seja pior do que matar para sobreviver. Em todo o caso, é uma coisa que espero jamais descobrir...

Leitura recomendadíssima.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Twitada

Em vez de Caras, porque as salas de espera não tem livros de poesia?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Um ombro amigo

* a pedido da minha amiga Ieda, vou republicar aqui um texto de 2005 que estava lá no outro blog.


- Pois então. Como eu estava dizendo, meu avô foi um homem muito bom.

- Ah! O meu também. Foi enfermeiro voluntário na guerra, distribuía comida aos pobres, ajudava as velhinhas a atravessar a rua. Uma beleza.

- Não, o meu avô nunca fez isso. Era só um homem do campo, preocupado em plantar tomates e cuidar bem da família.

- Nossa! Na minha cidade tem um japonês que planta tomates do tamanho de cocos. Já saiu até no Fantástico. E todos na cidade são assim. Uma vez até pensaram e organizar um “festival do tomate” com um concurso pra eleger o maior tomate da região.

- O meu avô plantava tomates normais mesmo, desses do tamanho de tomates. Mas graças a eles meu pai pôde ir estudar na cidade, fazer uma faculdade, se formar, mesmo que com alguma dificuldade.

- O meu pai sim teve dificuldades... Fazia três faculdades ao mesmo tempo, diurno, noturno e uma por correspondência. Só tinha um par de tênis. Uma vez quase perdeu uma prova porque não tinha dinheiro pra comprar uma caneta. Teve que pedir emprestado.

- Sim, mas eu estava contando a história do meu avô. É uma pena que ele tenha falecido. É muito triste estar aqui, olhar para o caixão, as flores...

- Você tinha que ver o velório da minha tia. Muito mais triste do que esse.

- E como se não bastasse, meus tios já andaram se desentendendo sobre o que fazer com a casa que ele deixou. Podiam ao menos respeitar um pouco. Só o que falta agora é uma briga em família.

- Rapaz! As brigas da minha família são homéricas. Duvido que a sua família tenha brigas tão grande quanto às da minha e...

- Caramba meu! Como você é chato. Eu estou aqui, triste, em um momento importante, precisando desabafar. E você só fica falando que o seu avô isso, que o seu pai aquilo. Fica me interrompendo. Até o tomate da sua cidade era maior. Será que não dá pra me ouvir e calar a boca não? Impressionante. Sinceramente, você deve ser o cara mais chato que eu conheço...

- Xiii você não viu nada. Uma vez eu conheci um cara tão chato...



domingo, 25 de julho de 2010

Abulafia

Vou continuar hoje a sortear mais frases para o Abulafia. Como viajei com a mala cheia de livros, vou pegar em cada um deles uma frase ao acaso.

de "Muito longe de casa":

As mulheres e os idosos da aldeia apareceram em suas varandas e assistiram a tudo enquanto fomos levados pelos soldados adultos para a clareira na floresta.

de "Meneghetti: o gato dos telhados":

O companheiro Vasco não denunciou, e só no dia seguinte perceberam a sua fuga.

de "Canto Genereal" de Pablo Neruda, que comprei no Chile:

Desde el flagrante olor de los pinos urales miro la biblioteca que nace no corazón da Rusia.

e duas do próprio 'Pêndulo de Foucault":

O material iconográfico encontrado em Milão e Paris não bastava.

No debate, eu havia levantado uma objeção.

Meu Plano está tomando forma!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Abulafia

Em "O pêndulo de Foucalut", que comentei abaixo, um dos artifícios que os personagens usam para formular o seu "Plano" fantasioso de dominação mundial é o Abulafia. Trata-se de um programa de computador que simplesmente pega frases inseridas e as reorganiza aleatoriamente, formando um novo texto desconexo. No entanto, a mania humana em estabelecer conexões inexistentes - e encontrar exatamente aquilo que está procurando - enxerga neste texto desconexo segredos escondidos que, na verdade, não estão lá. Vou dar um exemplo.

No livro, o Abulafia serve para a construção de um plano de dominação mundial que começa com os templários. Como não tenho capacidade pra tanto (não sou o Umberto Eco) vou fazer uma experiência mais próxima, pra ver se dá certo. Por exemplo, o que aconteceu com Ronaldo na final da Copa de 98? E depois vou simular o Abulafia, criando algumas frases desconexas e depois sortando um texto que revela este segredo. E lá vão algumas frases.

Dois pares não formam uma trinca.

Boa. Vamos ver outra. Bem misteriosa.

O que está dentro está fora. O que está fora, está dentro.

Essa eu tirei do álbum de nascimento do filho de um amigo meu. Vamos ver uma frase de música agora...

Todos satisfeitos com o sucesso do desastre.

Renato Russo. Agora uma afirmação sobre geografia:

Montanhas podem ter neve durante todo o ano.

Uma frase de propaganda:

Não tem preço.

E uma frase absolutamente desencaixada:

As crianças estão brincando na praça.

Depois coloco mais frases. É preciso de várias para o Abulafia funcionar bem. Acompanhe...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Twitada

Eu abro o meu Neruda e apago o Sol... (Fui à casa-museu do Neruda em Santiago hoje, daí a homenagem...)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Twitada

Todo corpo parado tende a permanecer parado a não ser que haja uma força interna (primeira lei de Newton do Acarajé)

domingo, 18 de julho de 2010

O pêndulo de Foucalut

Essa viagem de 24 horas num ônibus entre Santiago e San Pedro do Atacam me fez praticamente encerrar, tarefa que foi completada em poucos dias seguintes no deserto, a história complicada de Causabon, Belbo e Diotallevi, editores italianos que de tanto receberem livros de autores mirabolantes sobre sociedades ocultas, segredos revelados e teorias conspiratórias secretas acabam sendo encarregados de organizar uma coleção de bobagens místicas para a editora em que trabalham. Um desses autores, Ardenti, fala sobre um plano dos templários para a dominação do mundo que duraria uma centena de anos e estaria pronto para ser completado. No entanto, após apresentar seu livro aos editores, Ardenti desaparece misteriosamente do hotel onde se hospedava.

A partir da idéia inicial de Ardenti, os editores elaboram, por brincadeira, o Plano templário em sua totalidade. Neste ponto, a pesquisa de Umberto Eco, esse gênio, é impressionante. O "Plano", como eles o chamam, passa a envover não apenas os templários, mas a Rosa-Cruz, Sheakspeare, Napoleão, os jesuías, e uma infinidade de grupos, seitas, personagens e fatos históricos, todos colocados agora como parte de uma cosnpiração universal. Procurando, e muitas vezes criando, relações entre fatos e mesmo frases desconexas, os três começam a levar o seu plano tão a sério que acabam por vê-lo realizar-se de algum modo, transformando a vida de cada um e deixando em dúvida (nossa e deles) o que é realidade, o que é imaginação, o que é pura e simples paraóia.

Há alguns dias me perguntaram sobre esse livro e eu o defini como "um Código da Vinci com pós-doutorado". É exatamente isso. Enquanto Dan Brown usa seu livro para dar às pessoas exatamente o que elas querem, uma conspiração, Eco usa uma conspiração para nos dar o que precisamos, mas não queremos: um tratado sobre a nossa fé, sobre a fragilidade do nosso universo e sobre a nossa cegueira ao claro, ao simples e ao elementar. Mais ainda, sobre a realidade que sequer existe, mas que também não passa de uma construção nossa, seja ela qual for.

Encontrei, inclusive, na Wikipédia, uma frase interessante de Umberto Eco sobre essa relação com Dan Brown:
Eu inventei Dan Brown. Ele é um dos personagens grotescos do meu romance que levam a sério um monte de material sobre ocultismo. O Pêndulo de Foucault projeto brinca com teorias cospiratórias e teve início com uma pesquisa entre 1.500 livros de ocultismo reunidos por seu autor. Ele [Dan Brown] usou grande parte do material. Em "O Pêndulo de Foucalt", eu havia inserido um bom número de ingredientes eotéricos que podem ser encontrados no Código da Vinci. Os meus personagens, ao elaborarem os seus projetos, levam em conta a importância do Graal, por exemplo. Eu quis fazer uma representação grotesca daquilo que eu via em volta de mim, de uma tendência da qual eu previa o crescimento. Era fácil fazer uma profecia como esta. Ao pesquisar para escrever "O Pêndulo de Foucault", eu esvaziei todas as livrarias que já se especializavam nessa "gororoba cultural". Dan Brown copia livros que podiam ser encontrados trinta anos atrás nos sebos da Rua de la Huchette, em Paris. O sucesso pode ser explicado pelo fato de que as pessoas são sedentas por mistérios.
E como diz uma frase do próprio Código da Vinci, "as pessoas adoram uma conspiração".

sexta-feira, 16 de julho de 2010

moCHILEiro

O blogueiro está de férias no Chile, subindo vulcoes no deserto a -17 graus celsius. Portanto, o blogue está cerrado.

Volto no fim do mes.

sábado, 10 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Divórcio

O congresso aprovou ontem uma lei que facilita o divórcio no Brasil. Ao que parece, antes eram necessários 2 anos de separação de fato para que o divórcio saísse. Agora não há mais essa exigência, ou seja, o divórcio pode sair imediatamente a separação do casal. Eu não entendo muito de lei, e muito menos de divórcio, mas é mais ou menos isso aí.

Em compensação, eu entendo de pitaco e acho que em vez de mexerem na lei do divórcio, deveriam mexer na lei do casamento. Afinal de contas, o problema do divórcio só existe pelo problema do casamento. Então, os dois anos de carência do divórcio podiam passar para o casamento legal que só valeria depois de dois anos do casamento de fato. Antes disso, se não rolar, cancela tudo e pronto.


Olha só que boa idéia!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Twitada

Oscar Niemeyer que me desculpe, mas essa logo da copa de 14 é muito feia.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Paul Kagane

Interessante entrevista do Der Spiegel com Paul Kagame, presidente de Ruanda, que fala sobre o genocídio sobre o qual já comentei AQUI.

Tendo acesso ao UOL, pode-se ver a entrevista AQUI.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Torre H


Deu na Folha de SP.Dois artistas holandeses estão exumando um importante cadáver da arquitetura brasileira: o projeto da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Uma década após Brasília, o projeto urbano foi realizado novamente por Lúcio Costa, com edifícios de Niemeyer e jardins de Burle Marx. Confesso que não conheço muito bem essa história, mas parafraseando Lúcio Costa, "veio o mau destino e fez da Barra o que quis".

De qualquer forma, esses holandeses encontraram um cadáver que jaz a céu aberto no bairro nobre carioca: a Torre H, uma das 70 torres projetadas por Niemeyer para o bairro, das quais 4 saíram do papel, 3 estão de pé e duas são habitadas. A Torre H nunca foi concluída e está a mais de 40 anos abandonada. Segundo a reportagem, ela nem consta no catálogo das obras de Niemeyer.

A idéia é fazer um livro remontando a história do edifício e das pessoas por trás do concreto: construtores, arquitetos, engenheiros, proprietários dos apartamentos, incluindo uma versão virtual do edifício a partir dos projetos originais. Muito interessante.

Vasculhando o blog desse projeto, encontrei também imagens feitas do centro de São Paulo. É sempre legal observar o olhar do estrangeiro sobre as cenas que estamos habituados a ver. Eu que me encantei com um guarda-corpo de praça no centro de Istambul sei bem como é esse olhar do turista, o olhar novo a quem tudo encanta e tudo interessa. Agora são eles que vêm olhar o centro de SP. Legal.

Artistas nas ruínas Torre H

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Diálogos


- Eu não vou votar não. Faz muito tempo que eu não voto.

- Você justifica?

- Eu não. Não faço nada.

- Não pode cara, tem que ao menos justificar. Um dia desses você precisa desses comprovantes, daí dá rolo.

- Ah é? Bom, então eu vou lá, faço um "X" em qualquer um e pronto.

- Um "X"? Meu, realmente faz tempo que você não vota...

sábado, 3 de julho de 2010

Futurologia

Agora que acabou a Copa de 2010, começa a discussão dos convocados para a Copa de 2014. Eu mesmo já consultei a minha bola de cristal que me deu, em primeira mão, o time titular.

Na verdade, basta olhar esta seleção para prever a próxima. Esta é uma continuação dos pontos fortes da passada (Lúcio, Juan, Gilberto Silva, Robinho, Kaká) mais os destaques dos melhores times de até 2005, o Santos (o próprio Robinho, Elano) e São Paulo (Kaká de novo, Luís Fabiano, Josué, Júlio Batista, Grafite). Hoje, devem sair os criticados (Felipe Melo, Josué...) e os velhinhos (Lúcio, Juan...). Vejamos como será o time do nosso técnico Felipão.

Júlio César deve continuar no gol. Ele é muito bom e se o seu reserva imediato é o Doni, você imagina como é fraca a concorrência. Os melhores times do Brasil tem goleiros velhos. Correm por fora o Víctor, do Grêmio e o até o Bruno do Flamengo, se ele não estiver preso. Acho que o Márcio, do glorioso Grêmio Prudente, também pode ter uma convocação ou outra se sair para um time grande.

Maicon fica na lateral direita, concorrendo apenas com o seu já concorrente Daniel Alves.

Thiago Silva assume o lugar de Lúcio. Já está sendo preparado pra isso.

Alex Silva fica no lugar de Juan, que também já está vovô.

Continuamos sem um lateral esquerdo. Deve ser alguém que hoje joga em um time médio, um Figueirense, um Vitória, um Corinthians, e aparecerá nos próximos anos. Vaga aberta, inclusive pro próprio Michel Bastos ou praquele Filipe que vive machucado.

O mesmo vale para a posição de primeiro volante. Vaga aberta pro lugar de Gilberto Silva, mas será de um hoje desconhecido. Talvez o Pierre seja o reserva.

Hernanes ocupará substituirá Felipe Melo com muita, mas muuuuuuita vantagem.

Kaká deve continuar no time, mas não sei se com a 10. Vai disputar a vaga com o Ganso. Um será o 10, outro será o 20.

Robinho, com 4 anos a mais e um tanto de fôlego a menos, recua para o meio campo como faz hoje no Santos e tem tudo para pipocar na sua 3ª Copa seguida.

Neymar, que a essa época deverá estar no Manchester City, na Turquia ou na Rússia, tentará ressurgir das cinzas na Copa.

Pato que já deverá ter ganho um prêmio de melhor do mundo até lá, comanda o ataque e vai com tudo esfregar o título na cara do Dunga que não o chamou esse ano.

Duvida? Pois vou programar esse post para reaparecer em junho de 2014. Daí eu conto quantos eu acertei, quantos eu errei...


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Copa do Mundo IX

E o Brasil perdeu para a Holanda. Eles ficaram com a final da Copa, mas nós ficamos com Pernambuco. Tudo bem, foi uma derrota honrosa. Pelo menos dessa vez o Brasil perdeu correndo desesperado e não tomando chapéu do Zidane. Pelo menos dessa vez o nosso craque estava com dor no púbis e não com 100 Kg. Pelo menos dessa vez o Robinho saiu nervoso em vez de sair sorrindo e a grande idiotice da partida foi um pisão no adversário em vez de uma arrumada na meia. Prefiro perder sendo expulso de campo do que arrumando a meia.

Agora eu torço para o Paraguai. Vaaaaaaaai Paraguai!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fragmento

Fiz o poema mais cuidadoso e delicado que fui capaz, e embora fosse verdadeiro o meu amor, escrevê-lo custou-me mais que tantos versos falsos de amores falsos que andava cultivando por aí. Coloquei-o sob o seu travesseiro. Dias depois ela se despediu, saiu para sempre de mim e de minha vida. Achei, a princípio, que não tivesse gostado do poema, mas com os anos entendi o que ela percebeu na manhã seguinte: sua missão estava, de alguma forma, concluída.

domingo, 27 de junho de 2010

Copa do Mundo VIII - Mas que infortúnio...


E hoje tem jogo do Brasil, outra vez. E nem deu tempo de eu lavar a minha camisa amarela. Pra piorar, o primeiro adversário do morre-morre é justamente meu próximo destino: o Chile. Se o Brasil ganhar, os chilenos me tratarão mal. Se perder, rirão de mim. E se der briga no jogo? Não quero nem pensar...

Aliás, estava reparando que dos meus destinos mochileirísticos, quase todos tiveram um infeliz destino nesta Copa. Bolívia, Peru e Turquia nem se classificaram. Grécia, Suíça, França e Itália saíram na primeira fase. Só restam Portugal e Espanha que vão se enfrentar agora, de modo que um voltará mais cedo para a península Ibérica. Será que sou eu que dou azar?

terça-feira, 22 de junho de 2010

Copa do Mundo VII - Hasta la Vitória



Estou torcendo para a Argentina!

E para Uruguai, Chile e Paraguai.

Até o início da rodada final da primeira fase, todos os sulamericanos eram os líderes de seus grupos.

Chupa Europa! Viva la Copa Bolivariana!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Caverna

Eu me lembro de uma moça que conheci no ônibus indo para Londrina, quando ainda estava fazendo vestibular. Eu já tinha ouvido falar em José Saramago mas nunca tinha lido nada dele. Eu não sei como, neste caminho, o assunto passou ao escritor português que tinha dado um pouco antes uma entrevista para o Jô Soares sobre seu último livro, A Caverna, dizendo que se tratava de uma crítica aos condomínios fechados. Pois essa moça ria. Ele tinha sido irônico. Dizia que A Caverna é uma tremenda crítica ao capitalismo.

Bem pouco tempo depois a Folha publicou A Caverna em uma coleção dessas que vem domingo com o jornal. E assim eu me encontrei dentro d'A Caverna de Saramago. Dentro da crítica aos condomínios fechados, dentro da crítica ao capitalismo. Dentro da crítica a tudo o que você possa imaginar.

É meio difícil ler Saramago no começo. Ele faz um texto corrido, quase sem pontuação (mais ou menos como algumas provas que eu pego pra corrigir), onde as ações viram falas, as falas viram pensamentos e os pensamentos viram qualquer outra coisa sem muito aviso. Cansa até você pegar o jeito, mas depois vira um vício.

A Caverna conta a história de uma família de produtores que mora fora da cidade. Estão sem dinheiro por terem que competir com grandes produtores mecanizados e resolvem investir na produção de bonecos artesanais. Vira e mexe, acabam por se mudar para a cidade que na realidade é um grande edifício único, cheio de habitações, andares e salas de todo o tipo, onde o velho avô tenta se adaptar à nova vida.

Tá, isso é bem mais ou menos. Eu não lembro bem, li o livro faz 10 anos. Mas se a história nos escapa depois de um tempo, o sentimento da leitura fica. E A Caverna é, até hoje, um dos meus livros preferidos.

Saramago faleceu hoje. Não foi pro céu, nem pro inferno. Era ateu e eu sei que Deus dá grande liberdade para cada um fazer o que quiser da sua morte. Mas, onde estiver, um abraço.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Inevitável


será um aviso?
será um acaso do incorruptível destino?
será um atraso, um desequilíbrio
rapino
um descontínuo no passo do
passeio menino que passo
de porta em porta a entregar flores
a esperar que me saia
à janela
mas que sublime descompasso
se o pedaço de caminho que
me cabe era tão claro
e defronte à janela que
se abre
vou cantar
e defronte è janela que
se abre
vou postar-me indefinidamente
até que a chuva tardia ou
imediata
ponha-me a correr.
será um aviso?
agora é tarde.
o amor já é
inevitável.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Caso de Futebol

E já que o assunto por todos os lados é a Copa, ressuscito um conto meu, antigo, sobre o assunto.

- Mas Carlão, todas essas suas fotos de futebol, em cada uma você está em uma torcida diferente!

- O mundo dá voltas...

- Mas qual é o seu time afinal?

- Eu nasci atrás do Palestra Itália. Família italiana, papai era sócio do Palmeiras, freqüentávamos o clube. Domingo era dia de jogo e depois do macarrão descíamos a rua de bumbo, corneta e camisa do verdão.

- E o que aconteceu?

- Ta vendo essa foto? Era dia do meu aniversário e o Palmeiras ia jogar em Goiás. Eu tinha 10 anos e nunca tinha viajado pra tão longe. Pedi, insisti, briguei, até que meu pai resolveu me levar.

- Até Goiás?

- Até Goiás. Uma cidadezinha do interior. Era um jogo fácil e eu estava esperando a goleada para comemorar os meus anos. A viagem foi dura, 23 horas de carro. 25 por um pneu furado. 30 horas, já que papai se perdeu em Minas Gerais.

- E quanto foi o jogo?

- Chegamos atrasados, no final do primeiro tempo. Estava esgotado, mas feliz. Botei o pé no estádio esperando que já estaríamos vencendo, mas qual... Foi sentar na arquibancada e não é que os goianos nos meteram um gol de cabeça?

- Pé frio...

- Se fosse só por isso... Naquele dia choveu bola no gol. Levamos gol de cabeça, de pênalti, de falta, gol contra. Gol de tudo o que é jeito. A torcida delirava enquanto eu me encolhia no meu lugar. O jogo nem terminara e eu já tinha tirado a minha camisa. Queria vingança por aquela vergonha. Nunca mais torci para o Palmeiras.

- Virou a casaca?

- Virei. Virei corintiano fanático, para desespero da minha família. Dizem que meu avô morreu por conta disso. Sabia toda a escalação, todos os títulos. Entrei para a Gaviões...

- Não acredito que você foi capaz de fazer isso...

- Eu fui. E nada me dava mais prazer do que vencer o verdão. Criei raízes no Pacaembu. Fazia festa, arrumava briga, ia aos treinos. Mas durou pouco.

- Abandonou a fiel também?

- Eu não. Foi ela quem me abandonou. Na saída de um jogo,de frente pra Independente... Apanhei que nem um cão naquele dia e troquei de time.

- De novo?

- De novo. Traição com traição se paga. E dessa vez queria ir mais longe. E eu fiquei imaginando qual seria a maior infidelidade possível. Abandonei o futebol paulista e passei pro lado de lá do muro. Cruzei o vale do Paraíba e acabei no Maracanã. Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!

- Você torce pro Flamengo?

- Torci. Mas não torço mais. Depois que eles venderam o meu ídolo Paulinho Tarraqueta para o Vasco, fiquei furioso e virei Fluminense. Depois disso, trocar de time, trair as flâmulas, virou um vício que eu nunca mais pude evitar. Passei para o Botafogo, Bahia, Vitória, Grêmio, Inter, Londrina... Até que apliquei o meu grande golpe! Traí todos os clubes, grêmios e associações ao mesmo tempo: troquei de esporte, virei basqueteiro!

- Mas então o que é que você está fazendo aqui? Nós vamos ver a Copa do Mundo! Estamos nesse avião pra isso! Nós vamos ver a seleção!!!

- Pois é. Mas eu vou torcer para a Argentina...

domingo, 13 de junho de 2010

Na cueca

E pra você que já está de saco cheio da Copa do Mundo antes mesmo da primeira partida do Brasil, uma notícia que ficou só no rodapé da página, escondida embaixo do frango do goleiro da Inglaterra ou das emoções de Argélia x Eslovênia. Acontece que o ex-acessor do PT José Adalberto Vieira da Silva está tentando reaver na justiça o dinheiro tomado dele pela polícia em uma investigação. Que dinheiro era esse? Trata-se do famoso caso do dinheiro na cueca no aeroporto de Congonhas, durante o escândalo do mensalão petista. Você se lembra.

Uma vez que as investigações nunca apontaram certamente quem foi o doador, quem era o dono e quem seria o destino do dinheiro, o ex-acessor quer declará-lo como doação, pagar a multa do Imposto de Renda (que já levou) e ficar com o resto. Claro que o dinheiro não era dele, era do PT, claro que existe um doador, mas ele não fala quem, e claro que era dinheiro de propina, mas ninguém provou. Sendo assim, sua única condenação é por não declarar a quantia à receita.

E ele já foi multado por isso. 200 mil reais. Tire os 200 mil dos 500 mil reais que ele levava e você vê que sobrarão 300 mil para um acessor laranja, pé-de-chinelo, que mora numa rua de terra em Arati (CE). E quem vai reclamar esse dinheiro? Imagina o PT dizendo "esse dinheiro é do meu caixa 2, devolve". Ou algum empreiteiro: "Essa propina fui eu que paguei, quero de volta". Ou o Roberto Jéfferson...

Mas pensando bem, se o Delúbio chamou caixa 2 de "verba não contabilizada", porque não pode chamar os 300 mil de propina acabando com o acessor pobre como "distribuição de renda alternativa"? Um pobre a menos no país. Olha que coisa boa!

sábado, 12 de junho de 2010

Copa do Mundo VI


Muito tocante a mensagem de apoio que o Ronaldo deixou para seus colegas da seleção. E muito espontânea também.

Além de mandar força para todo o time, ainda manda recados particulares para alguns do time: Kaká, a quem ele chama de "Camisa 10", Robinho, a quem chama de "moleque" (isso desde a época em que o Robinho chegou na seleção e o chamava de "Presidente") e ao Luís Fabiano, a quem ele chama de "guerreiro".

Peraí. Guerreiro?

Ninguém chama o Luís Fabiano de guerreiro. O apelido dele é "Fabuloso".

A não ser na campanha publicitária da Brahma, em que ele, o Júlio César e o Dunga aparecem sendo chamados de "guerreiros". Campanha esta da qual Ronaldo também faz parte em um de seus muitos patrocínios particulares. Será que ele seria capaz de vender até os seus recado no twitter?

Bom, o endereço dele é twitter.com/claroronaldo. Logo, a respota é: "Claro" que sim.

Ah esses publicitários...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fragmento

Resolveu agir por exclusão. Colocaria em uma lista bem ordenada todas as piores maneiras de declarar amor, começando pela pior. A última da lista seria, desse modo, a melhor, o que resolveria a questão. Descobriu, no entanto, que tampouco era fácil imaginar qual a pior de maneira de se declarar amor a alguém, e ainda ordenar essas possibilidades sem nenhum critério definido a não ser o próprio bom senso. Depois de quase uma hora pensando e mordendo o corpo da caneta, anotou: "1- Eu te amo consideravelmente".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Copa do Mundo V


Outro tema importantíssimo em uma Copa do Mundo: arte. A Copa é normalmente é um festival de arte de mau gosto.

Por exemplo, quem faz as musiquinhas da Copa? Só pode ser o próprio Sílvio Santos. Uma coisa horrorosa. E as pinturas de rua? Embora seja um evento pras crianças enfeitar a casa e pintar a cara do Robinho no muro, em geral as pinturas em si são um desastre. Além disso, aproveitando o clima e a exposição, um monte de artista aproveita o embalo pra fazer tudo sobre a Copa: escultura da Copa, vídeo da Copa. Tem até coleção de moda da Copa, como se fosse possível colocar na moda uma roupa verde e amarela, como dizia o Vinícius, tão feias as cores de minha pátria.

Mas tudo isso é pra dizer que encontrei uma boa obra de arte sobre a Copa. E mais do que isso, realmente sobre a COPA, e não sobre o Brasil. Obra de um desenhista japonês cujo nome eu não lembro. Mas é bonito. E muito bem feito. Aí sim!


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Copa do Mundo IV


E o prêmio de uniforme mais feio da copa vai paraaaaaa (tambores): Bosta do Marfim, digo, Costa do Marfim. É que esse uniforme usado no último amistoso parece estar cheio de Costa, digo, de bosta.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Copa do Mundo III

Eu demorei para encontrar o vídeo para colocar aqui, mas faz tempo que já elegi a pior propaganda da Copa. É claro que o que mais tem na Copa é propaganda e ser a pior de todas não é fácil. A Brahma bem que tentou ligando futebol com cerveja e violência, mas depois que o Adriano não foi convocado boa parte da propaganda perdeu a credibilidade.

Mas a Hyundai entrou com força em busca do prêmio. Vê se tem cabimento, um bando de japoneses querendo ensinar africanos a torcer. Peloamordedeus. Seria como um africano querer ensinar um japonês a montar um computador.

Tá louco...

domingo, 30 de maio de 2010

Copa do Mundo II

Depois da convocação do Dunga e da delegação saindo do avião, encontrei um bom motivo para me empolgar com a Copa. A música tema. Claro que a canção original, Wavin Flag, passou por cirurgia, ganhou jingle da Coca Cola na introdução e um verso sobre a Copa, mas a música é muito boa. Não acha não?


ps: Dunga não gostou. Disse que a música é bonita demais e que ela está aqui para vencer, e não para empolgar. Apresentou como alternativa uma outra música mais competitiva, com 4 volantes no meio campo. E xingou.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Copa do Mundo

E começou a Copa do Mundo! Pelo menos, está pra começar. Já hoje, vendo meu jornal matinal enquanto tomava meu café já pude acompanhar ansiosamente, com enfatizada exclusividade da Globo, o glorioso desembarque do escrete canarinho na pista do aeroporto da África do Sul. E com comentários do tipo:

"Olha, o primeiro a descer é Daniel Alves!" (E passa o Daniel Alves com sua mala. )

"Luís Fabiano está com cara de quem acordou agora."

Genial!

domingo, 23 de maio de 2010

Reencarnação

Tem uns caras que só podem ser reencarnação. Na fila em que São Pedro pergunta: "vai subir ou vai descer?" os caras respondem "vou descer". E ultimamente, como é muita gente morrendo e a fila anda grande, às vezes eles mandam de volta alguém sem passar pelo desmemorizador do céu (aquela máquina que te faz esquecer as coisas de sua vida passada). Lembram daquele menininho que toca piano (o Franklin do "Eu, a patroa e as crianças"), aquele marroquininho que com 5 anos dá chapéu e passa o pé em cima da bola, ou a Akiane, que já nasceu pintando como Delacroix.

Agora aparece esse moleque, João Montanaro, de 14 anos, que é cartunista. E pior do que isso, é um BAITA de um cartunista. E, ao que parece, acaba de assumir a charge política da Folha de SP. Putaquepariu, olha o desenho do cara. Ninguém de 14 anos desenha desse jeito, inteligente, amadurecido. Que inveja.

Inveja ruim mesmo. Vai se catar. O cara é muito bom.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Diálogo

- Eu ando assim sabe. Chega o sábado eu tranco a porta, deixo todo o mundo lá fora e fico aqui curtindo o apartamento, tocando, trabalhando, lendo, inventando alguma coisa. Tem nome isso?

- Tem. Velhice.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Fragmento

Na verdade, sua situação lhe parecia tão ridícula que nem ao menos podia procurar um amigo para desabafar a tristeza com medo de que ele o risse.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Diálogos


- O Rogério antes nem falava, agora não fica quieto.

- É que sou um falso extrovertido, na verdade eu sou tímido.

- Não acho que você seja tímido...

- É que além de falso extrovertido também sou um falso tímido. Eu sou uma falsidade só.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Operação Parceria


É pouco provável que você tenha visto, ou tenha dado muita importância, a mais uma operação da Polícia Federal que prendeu 11 suspeitos de desviar 300 milhões de reais de repasses do governo para uma ONG educacional em Londrina. Foram presos nessa operação o dono da Faculdade Inesul, Dinocarme de Lima, e um diretor da ONG, Juan Carlos Monastiero.

Mas quando um amigo meu me deixou um recado com essa notícia, quase caí de costas. O problema é que eu conheço essas duas figuras, uma indiretamente e a outra diretamente. Entre 2004 e 2005 eu estagiei e trabalhei no escritório de arquitetura da então esposa desse Juan, Andrea Torchi. Inclusive, a minha indicação para a vaga de estagiário veio de um professor amigo deste Juan, um arquiteto para quem, embora eu seja grato e admirador sincero, eu não emprestaria dinheiro. Esse professor participava de muitas licitações públicas, e de todos os rolos e tramóias que a atividade exige. Imagino que daí venha sua amizade com o Juan, um cara falastrão, meio agitado, arrogante, mas inteligente, sempre metido em política. Como não tinha escritório (o escritório dele era dentro do carro), várias vezes usou o nosso para marcar umas reuniões um tanto suspeitas. Como o escritório era grande, sentava em uma salinha com o secretário de não sei o que de não sei onde, o prefeito não sei o que lá, e a gente só via o trancetê.

O Juan era um lobista. Lobista é um cara extremamente bem relacionado politicamente que usa esta boa relação para fazer o maior número de trambiques possível. Se você quer fazer um trambique e não sabe como, o lobista é o profissional que te leva para conversar com as pessoas certas, com o político certo, com o secretário certo. E fica com uma parte do seu trambique. O incrível é que, no Brasil, "lobista" é uma profissão oficial, a não ser que eu esteja enganado sobre uma conversa que ouvi esses tempos atrás sobre a questão. Lembra quem pagava as contas da amante do Zé Dirceu? Era um lobista.

Pois era isso que o cara fazia. A gente sabia, mas tinha que fingir que não sabia. Ou não sabia, mas intuía. Na época da eleição para prefeito de 2004, o Juan estava metido na campanha. Ele era, que eu me lembre, do PSDB. Lembro que fiquei com medo de que ele me pressionasse a votar ou nos convocasse para fazer campanha, coisa que eu não ia admitir. Mas não disse nada.

No começo de 2005 o escritório andava meio mal, até que apareceu um projeto imenso: o novo campus da Inesul. O pedido tinha sido feito via Juan, que era amigo do dono da faculdade, o Dinocarme. Fizemos um estudo com bloco de salas de aula, biblioteca, teatro, capela, quadra e piscina. Depois de terminado, o Juan ficou de apresentar o projeto para o Dinocarme em uma reunião que não era marcada nunca. Uns dois meses depois, como a coisa não andava e a gente não recebia, a Andrea pagou o combinado pelo estudo pra gente, dizendo que o Juan havia adiantado aquele dinheiro para nos ajudar. Só depois que deixei o escritório é que entendi o que havia acontecido. Não havia projeto e nem reunião com o Dinocarme. O próprio Juan deve ter encomendado aquilo apenas para manter a esposa ocupada, brincando de escritorinho de arquitetura. Tanto que a Inesul nunca construiu um novo campus. Faz sentido, mas não sei se é verdade.

Outra coisa que eu fiquei com muito medo na época foi por um companheiro de escritório. Ele alugou uma casa bem próxima ao escritório e, como não tivesse fiador, o Juan ofereceu-se para assinar a papelada. E assinou. Mas a frase do Juan era "se você me deve um favor, pode contar que eu vou cobrar". Estou certo que o plano era devolver a assinatura em um trambique qualquer, fazendo esse amigo de laranja. Que eu me lembre, houve uma movimentação nesse sentido, mas acho que acabou não acontecendo.

Depois desse fato, apareceu um outro projeto público: um ginásio de esportes e a prefeitura duma cidadezinha lá, não lembro. Como eu apenas fazia os projetos, não sabia quais eram os rolos, mas sabia que havia algum. Neste caso, alguém da prefeitura ia levar alguma propina (que a Andrea chamava de "bola"). Depois que eu saí do escritório, liguei para cobrar o pagamento deste projeto. A Andrea argumentou (acho que neste dia foi ela quem me ligou) que o dinheiro estava demorando, que era normal, e me perguntou: "você sabe que nós demos 'bola' para o fulano, não sabe?" Eu tenho certeza que ela estava gravando aquela conversa, que tinha medo de que eu denunciasse alguma coisa. É claro que eu não teria como fazer isso, não sabia quem tava pagando propina pra quem, esse contato nunca passava pela gente. Mas acredito que ela estava gravando a conversa para que eu respondesse "sim" e me incriminasse. Na hora, só fiz "ham". Depois me senti mal com essa situação.

Uma das últimas lembranças que tenho dele foi numa pizzaria. Não que na época eu tivesse dinheiro para ir a pizzarias, inclusive porque o escritório ficou séculos sem me pagar. Mas ele nos convidou e nós fomos. No meio da conversa, explicou como fazia para roubar os amigos desde cedo. Sempre que saía com um grupo, na hora de pagar a conta se oferecia para dividi-la, mas não se colocava na divisão. Ninguém percebia, ele recolhia o dinheiro, entregava ao garçom e ia embora sem pagar nada. E ainda ficava com o troco. Esta história nunca me saiu da cabeça, como alguém podia ser desonesto assim com os amigos? Bom, pelo visto, se a PF chegou até a porta dele, os amigos dele também não eram tão santos assim. Mas na cadeia ele vai ter a oportunidade de fazer muitos amigos novos. Bom proveito.