terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Seu Nilson

Na segunda corrida que participei, ano passado, vim correndo boa parte da prova ao lado de um japonês. Um senhor de uns 50 anos de idade, chuto, meio baixinho, como todo japonês. Corria compenetrado. No finalzinho da prova ele tomou a frente e eu fiquei um pouco pra trás.

Um ano se passou nesse agitado calendário esportivo prudentino que conta com 2 provas por ano: a do Bradesco, em outubro, e a da Sociedade de Medicina, em novembro. Em outubro não corri nem 5 minutos depois da largada e com quem eu emparelhei de novo? O mesmo japonês. Será possível? Ah, mas daí eu dei o troco. Na subidinha final dei o último gás, postura de locomotiva, e venci! Não venci a prova, mas venci o japonês!

E não é que em novembro, duas semanas atrás, outra vez larguei e logo emparelhei com ele de novo? Tanta gente e sempre nós dois juntos, correndo no mesmo ritmo. Pensei em puxar conversa. Eu olhava pra ele, aquela cara de japonês que você não sabe se é bem humorado ou não. Nem olhava pra mim. Minha timidez me impediu. Segui correndo por um bom tempo ao longo do parque. De repente, do outro lado já passa o cara que estava em primeiro, já voltando, correndo no dobro da nossa velocidade. E não é que ele falou comigo? "Nossa, olha onde ele já está". E dava risada.

É simpático o seu Nilson (esse é o nome dele). Contei pra ele que era a terceira prova que corríamos lado a lado e ele disse: "então temos o mesmo ritmo". Muito bem observado, seu Nilson. Mas o nosso ritmo não foi muito o mesmo dessa vez. Na metade da prova ele já deu uma adiantada, e foi se distanciando. Nem vi quando ele chegou. Acabei correndo com um senhor negro, até meio gordinho, de 55 anos reclamando de bolha no pé. Imagina se não tivesse? "Se eu não tivesse com essa bolha, já tinha chegado". Ainda jogou na minha cara...