segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Portugal mudou-se

1808 fez até um sucessinho nas prateleiras e nas listas de mais vendidos por esses tempos. Me parece que fez. O tema é sempre interessante: a fuga da família real portuguesa para o Brasil, no golpe de gênio de uma corte esbanjadora com uma rainha louca, Maria I, um príncipe comilão, Dom João VI, e uma princesa neurótica e conspiradora, Carlota Joaquina. Mas eu duvido que muita gente tenha realmente lido.

Digo porque, ao contrário do que imaginei, não se trata de um romance. É um livro histórico. Talvez não um livro para historiadores, no sentido acadêmico, mas um livro que se limita a relatar os fatos em vez de romanceá-los. No entanto, é bastante interessante.

Para quem não é historiador, como eu, o livro ajuda a clarear a dimensão do impacto da fuga da família real e a relação confusa entre Portugal e Brasil que explica, em grande medida, porque ambos são, hoje, o que são (especialmente o Rio de Janeiro).

Seriam muitos os pontos interessantes dessa história, mas a sensação ao terminar o livro foi a vontade de conhecer mais sobre um personagem que aparece apenas indiretamente no livro: Napoleão. Mesmo sendo o grande causador de todo o rebuliço, Napoleão é citado apenas de passagem, mas pelo menos em uma frase intererssante sobre Dom João VI: "foi o único que me enganou".

E enganou mesmo. Eu me lembro de uma musiquinha que minha mãe cantava:

Portugal entrou na guerra mas porém não se acovardou-se
Portugal entrou na guerra mas porém não se acovardou-se
Cobriram Portugal com um pano, escreveram por cima
"Portugal mudou-se"

Ora pois.