sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Leite Derramado

Eita livrinho meio encruado. Sou tão fã do Chico Buarque cantor que acabo criando muita expectativa quanto aos livros. Nessa, não sei se a minha expectativa é muita ou se os livros realmente não são tão bons.

Leite Derramado até que não é o último da lista do Chico. Não há dúvida de que não é. Pessoalmente li, Estorvo, Budapeste e Leite Derramado, e talvez Estorvo fique um pouquinho atrás e Budapeste um pouquinho na frente.

Leite Derramado fica no meio. É o depoimento de um velho de família nobre, porém falida, a beira da morte num leito de hospital, contando sua vida para as enfermeiras. Misturando sua história com delírios, o personagem não consegue distinguir coisas que realmente aconteceram, coisas que ele acha que aconteceram e coisas que ele gostaria que acontecessem. A gente fica sem saber muito bem o que é verdade o que é alucinação na delirante fala de Eulálio Assumpção.

O ponto forte, como sempre, são as frases. No meio do texto confuso o Chico solta pensamentos e aforismos desses que dá vontade de anotar no caderno. É o lado poeta aflorando. É o lado que diz numa frase o mesmo que o escritor diz em um capítulo.

Enfim, é sempre Chico Buarque. Se o Chico escreve, a gente lê.