terça-feira, 3 de novembro de 2009

Desenha-me um carneiro?

Neste final de semana fui ao Ibirapuera e dei com a cara na porta da Bienal de Arquitetura que ainda não estava aberta. Para não perder viagem fui à Oca e ao MAM, ali pertinho. Na Oca havia uma exposição sobre o Pequeno Príncipe. Era uma exposição infantil, mas como me interessava muito saber de que maneira eles estavam contando essa história, fui conferir.

O resultando não empolgou. Fiquei até meio decepcionado. A cenografia era um pouco simplista, um pouco óbvia demais. Haviam algumas projeções horríveis e mal feitas. Apenas uma delas tinha interatividade: uma projeção do espaço sideral, um desenho à moda do Exupèry, e quando uma criança passava pela projeção segurando uma esfera iluminada surgiam pássaros que levavam a criança a viajar entre os planetas da mesma forma como viajava o Pequeno Príncipe. Era bonito.

Em relação ao conteúdo, ficou meio perdido pela pobreza da apresentação. As informações mais interessantes não eram sobre o livro, mas sobre o Saint-Exupèry, sobre a vida do autor e sobre sua passagem pela América do Sul, incluindo o Brasil, como agente do correio aéreo francês (hoje Air France).

Mas a minha maior decepção veio de uma boa idéia mal aproveitada. Uma caixa branca formando uma salinha. Na parede branca revestida com um tipo de fórmica onde estava escrito: "Desenha-me um carneiro?" E havia giz para que a gente desenhasse um carneiro para o Pequeno Príncipe. Quem leu o livro lembra desse trecho em que o Pequeno Príincipe aborda o piloto de avião acidentado (o próprio Exupèry) no deserto pedindo que ele lhe desenhe um carneiro para que ele coma o baobá antes que ele invada o planetinha onde vive. E como é difícil para um adulto atender a esse pedido simples, desenhar um carneiro. Mas para uma criança é fácil. Ou era...

Quando entrei na salinha imaginei encontrar uma porção de carneiros desenhados pelas crianças. Mas para minha surpresa, encontrei muito poucos, 4 ou 5. De resto eram palavras, letras, nomes. Um "vai corinthians". Letras, letras, palavras. Um menininho nas costas do pai. Desenha-me um carneiro? E o pai: pega o giz, vai lá filho, escreve "Felipe" lá em cima.

E eis que temos menos um pequeno príncipe no mundo.