sábado, 3 de outubro de 2009

Yes, we créu

E não é que o Rio levou mesmo, minha gente? Muita coisa ajudou: a crise americana (que aqui foi só uma marolinha) e a redundância entre dois jogos seguidos na Europa (um possível Londres - Madri) ou quase seguidos na Ásia (um possível Pequim - Londres - Tóquio), sem esquecer que o pessoal da grana não gosta muito desse tipo de evento lá no Japão porque obriga os europeus e principalmente os americanos a acordar de madrugada...

Eu não sou nem pacheco nem profeta do apocalipse. Acho que em qualquer lugar em que se realizem jogos como esse, alguém vai dar uma roubadinha. Na Europa isso acontece também. O pior de tudo é que na Europa eles roubam mas o troço sai: os estádios são construídos, o transporte é melhorado, fica tudo nos conformes. Dez por cento mais caro, mas nos conformes.

Já no Brasil, as coisas ficam duzentos por cento mais caras e, além de tudo, não ficam prontas. Eu me lembro do Pan, que eu não considero um sucesso de forma nenhuma. Eu me lembro, por exemplo, dos iatistas driblando um sofá velho que flutuava na lagoa Rodrigo de Freitas. Ou os atletas entrando na vila olímpica junto com o areião dos jardins que, ao que parece, não foram terminados até hoje... E mesmo o que ficou bom, estragou-se depois: o Enegenhão não pode receber clássicos, o Maria Lenk está fechado e o velódromo feito com madeira do Canadá foi desmontado. Aliás, onde será que foi parar aquela madeira caríssima?

Como urbanista, entendo que os jogos olímpicos são sim, como o próprio Lula falou de passagem, uma retribuição ao Rio de Janeiro por algo que lhe foi tirado: o posto de capital do país. Bom, foi exatamente na saída da capital federal para Brasília que o Rio de Janeiro se perdeu e nunca mais encontrou sua vocação. O urbanismo ficou à deriva e naufragou nos anos 90. Melhorou um pouco nessa década, ao que parece, mas pode ter nos jogos olímpicos uma grande virada, como aconteceu em Barcelona.

Enfim, é uma chance de ouro. Mais uma. Ou provamos que o Brasil mudou, ou que continua a mesma coisa. Mas também não precisamos perder por antecedência, e nem esperar o fim do oba-oba pra começar a trabalhar. No Brasil, o oba-oba não acaba nunca...