quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quintan(ilh)a


GRAMÁTICA

Por mais que se ame,
Por mais que isso doa,
"Eu" sempre será
A primeira pessoa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nextel

Eu sou meio impaciente com propaganda. Não gosto de propaganda, não gosto dos produtos que elas vendem e, via de regra, não gosto de publicitários (não pessoalmente, mas profissionalmente, não das pessoas, mas da instituição). Mesmo assim, tem alguns publicitários e propagandas que me irritam especialmente.

E são muitas as propagandas que me irritam especialmente. Os comerciais da VIVO, por exemplo, odeio todos. Por isso meu celular é TIM. O UNIBANCO tem umas campanhas de cagar também. E as Casas Bahia? Até hoje o último lugar em que eu passo pra comprar alguma coisa é nas Casas Bahia. Acontece, mas eu evito...

Hoje em dia tenho o meu ranking de campanhas imbecis, e esse ranking tem um líder: NEXTEL. A propaganda tem sempre o mesmo esquema: um cara arrogante e metido que eu nunca ouvi falar andando e falando como ele é legal e rico. É uma baita falta de educação falar com alguém andando né? Eu acho. E o que é pior, as pessoas estão andam rapidamente em um lugar poético como o topo de uma montanha ou uma estrada no meio do nada. A estrada significa isso, significa aquilo, diria um publicitário. Significa o escambau, como se atrás da câmera não houvesse uma parafernália imensa, um caminhão de apoio, luzes água e sombrinha, de modo que o senhor bem-sucedido nem pode curtir de verdade aquele paisagem. Além disso, para mim o significado só pode ser o seguinte: quem fica andando rápido acaba sozinho no meio da estrada deserta. Ande devagar. Devagar é bom, devagar é legal. Fique parado!

Daí o cara legal e rico pega a câmera na mão (ou fala bem pertinho) contando que ele era um zé ninguém e que construiu um império. E sempre fazendo perguntas como: "quem acreditaria numa loja de roupa de neve em Búzios?" Eu sei lá! Quem compra roupa de neve em Búzios só pode ser um imbecil.

Depois de contar a bonita história de vida que se resume a "fiquei rico, me realizei, sou feliz" o cara legal sai andando como se estivesse atrasado com vontade de ir ao banheiro. Logo da Nextel com um narrador dando ao produto um ar de "entre para o nosso clubinho exclusivo para pessoas de sucesso". Ah, vai te catar! E pra corooar, o barulhinho característico do telefone que mais parece o rádio da PM.

E o pior é saber que alguma agência ganhou um rio de dinheiro pra bolar essa droga. E ainda contratar o Cacá Bueno como garoto propaganda! Quem quer ser como o Cacá Bueno? Tá loco...




quinta-feira, 22 de outubro de 2009

600 Kelvin

Corrigindo as provas dos alunos, é impressionante a quantidade de gente que confunde MAS com MAIS. Não o segundo pelo primeiro, mas o primeiro pelo segundo. Dá vontade de escrever: a prova está correta MAIS o seu português é medonho.

Falando nisso, o Globoesporte lançou um desafio pra uma turma que vai correr 600 kilômetros. E daí chamou de DESAFIO dos 600K. Peraí, 600K? Não seriam 600Km? "600 K" são 600 graus kelvin, uma temperatura lá pelos 300 e poucos graus centígrados, e todo o mundo sabe que correr a 300 e poucos graus centígrados não faz bem pra saúde...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Majestade do Xingu

Bem legal o livro de Moacyr Scliar. Não tanto como "A mulher que escreveu a bíblia", mas gosto muito deste judeu gaúcho cuja esposa dava aulas de inglês para a Letícia, minha colega de mestrado, no escritório de sua casa em Porto Alegre. Falando em judeu, o livro conta a história de um judeu russo, um comerciante do Bom Retiro, obcecado pela figura de Noel Nutels, um menino que foi seu amigo durante a viagem de navio da Rússia para o Brasil. Enquanto esse judeu, que nem tem o nome citado no livro, tem uma vida sem grandes emoções atrás do balcão de sua lojinha, acompanha a distância a vida de seu colega de imigração, um médico sanitarista envolvido com os intelectuais comunistas que, depois do golpe militar passa a trabalhar com os índios do Xingu. Noel Nutels é o herói idealizado desse judeu um tanto infeliz com a própria vida, mas com conformismo, e com grande capacidade de fantasiar situações de sua vida e da vida de Noel que não sabemos se são ou não inventadas.

Enfim, Moacyr Scliar é sempre um tiro certo. E é claro que, depois de ler o livro fiquei me perguntando se Noel Nutels era uma pessoa real ou apenas um personagem. E a resposta é sim, ele é real! Só gostaria de saber se ele tem mesmo uma cicatriz no lábio superior feita por sua mãe que lhe apertou demais a boca enquanto fugiam de soldados comunistas russos. Quem sabe?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Eeeeeeee

Sabia que o Rubinho não ia me decepcionar. Eu que desde o começo do ano estou torcendo contra. Durante o treino, quando ele fez uma bela pole position, quase deu um arrependimentozinho. Ou pior, agora que eu tô torcendo pra ele se ferrar, se ele ganhar eu vou achar que o pé frio sou eu.

Mas mantive firme a torcida e deu no que deu. Mais uma vez ficou em segundo. E sabia que o Rubinho não é o recordista de segundo lugares na fórmula 1? O Ricardo Patrese é o que mais vezes foi segundo lugar, e o Rubinho é o segundo!!! Nem nisso ele é o primeiro...

Pela primeira vez não me decepcionei com ele. E a cara de velório do Galvão? Ah, mas é muita alegria num dia só.

Correu como nunca, perdeu como sempre!

sábado, 17 de outubro de 2009

Trabalho braçal

E nesse sabadão de manhã, enquanto esperava o montador da mesa do computador, liguei a TV pra tomar meu café milagroso de todas as manhãs. Pulei do desenho da Globo pro pastor da Record, pro outro pastor, pro outro desenho e caí num documentário feito por alunos da PUC que estava passando na TV cultura.

O documentário era sobre as pessoas invisíveis que trabalham com limpeza: a moça que limpa as mesas no shopping, o gari que varre a rua, a mulher que limpa o banheiro da rodoviária, pessoas a quem normalmente ninguém dá atenção e que sofrem com humilhações de gente imbecil que, como a gente sabe, é o que não falta por aí. O documentário dava voz a essas pessoas. Muito interessante.

No meio dos depoimentos aparecia um cara que eu não sei quem era, devia ser um sociólogo, ou professor, dando uns pitacos. Pitaco aqui, pitaco lá, e o cara me solta essa: esse tipo de trabalho no Brasil é quase como um trabalho escravo. E como acabar com isso? Acabando com a profissão de gari. Enquanto houver o trabalho braçal haverá trabalho escravo.

Minha nossa, mas como o cara pode dizer isso? O trabalho braçal é o primeiro e o último dos trabalhos humanos. É o trabalho por definição. Acontece que a nossa herança platônica opõe o trabalho braçal ao intelectual e, pior que isso, encara o trabalho braçal como coisa de escravos, menos nobre e menos valorizado que o trabalho intelectual. Isso é Platão, isso é Marx, isso é um monte de gente, um problema cultural a ser equacionado e resolvido, mas não exterminado. Acabar com o trabalho braçal é, além de impossível, não entender o problema é não resolvê-lo. É preciso, ao contrário, valorizar o trabalho braçal, o bom trabalhador braçal, o bom mecânico, o bom faxineiro, o bom borracheiro, ao mesmo nível do bom advogado, do bom arquiteto. Vencer essa dialética.

Conheço um monte de gente que está na universidade sem a menor interesse, vontade ou talento para qualquer tipo de raciocínio intelectualmente profundo. Gente prática, gente manual. Gente braçal. É um tipo de personalidade. Da mesma forma, conheci eletricistas, pedreiros e montadores com um potencial muito grande de abstração, de raciocínio lógico e de pensamento profundo. Potencial, normalmente, não desenvolvido. Conheço vários diplomas engavetados por grandes comerciantes. Uns e outros estão no lugar errado e poderiam render muito mais se estivessem trabalhando conforme a sua maior capacidade. Mas, infelizmente, a universidade é o único caminho pra quem não quer passar fome.

Não me culpe. Culpe Platão.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pebolim olímpico 2016

Depois da campanha do Saci para mascote da Copa do Mundo de 14, agora queremos o pebolim como esporte olímpico nas olimpíadas do Rio em 2016!

Afinal de contas, se o tênis de mesa é, por que o pebolim não pode ser?

domingo, 11 de outubro de 2009

Tantas emoções


Quando eu viajava muito entre Londrina e Prudente, passava bastante tempo esperando o ônibus ou que fossem me buscar na rodoviária, daqui e de lá. E como toda rodoviária sempre tem uma banquinha de jornal caprichadinha, sempre dava um passeio por lá ainda que nunca tivesse dinheiro pra comprar nada. No caso de Prudente, esperava a carona bem de frente a uma banca que colocava na vitrine um bocado de revistas, de todo o jeito e gosto. Algumas estranhas. E como tem revista estranha...


Tinha revista de fofoca. Várias delas. E tinha revista de emagrecer. E de noivas. E de moda. E de moda pra noivas. E de pesca, de armas, de carro, de moto, de espingarda, de mangá, de origami, de feng shui, de história, evangélicas, de corrida. Revista de tudo o que é jeito e que eu nunca via ninguém comprar.


Mas nad supera a revista que vi exposta numa banca essa semana: RC EMOÇÕES. É uma revista só sobre o ROBERTO CARLOS! Exatamente, tudo sobre, e apenas sobre, Roberto Carlos. Realmente incrível. A capa é, claro, uma foto do Roberto Carlos. As chamadas de capa são ótimas: Rita Lee, FHC e Caetano Velloso falam sobre Roberto Carlos. "EXCLUSIVO: O que Roberto Carlos vê quando acorda e quando vai dormir!" A cara da mulher dele, presumo eu. Ou a da "amada amante", nos fins de semana...


Vou ficar de olho pra ver quais serão os destaques da RC Emoções nº 2. Que tal: "EXCLUSIVO: Roberto Carlos manda sua perna mecânica para a funilaria."? Seria legal!

domingo, 4 de outubro de 2009

Olimpíadas 2016

Ih... Já começou mal. Mal o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016 e já tive que me deparar com as cenas grotescas da política: primeiro o Lula dizendo que vai acabr com as favelas do RJ, o que se não é grotesco é, no mínimo, populista. Mas tudo bem. Depois lá vem o Nuzman com aquela cara de bobo dele, descendo no aeroporto com bandeirinha do Brasil como se a sua gestão no COB fosse um poço de elogios. Ai ai ai...

Mas nada comparado à entrevista do governador Sérgio Cabral ao Flávio Prado na Jovem Pan, hoje cedo. Peguei a história no meio, a pergunta já tinha sido feita e quem estava falando, parece que ao telefone, era o Lula. Daí ele passou o telefone pro Cabral que começou a contradizer o Flávio Prado dizendo que estava provado que o PAN tinha sido um sucesso, que as contas tinham sido aprovadas pelo TCU, sendo natural que houvesse uma "investigaçãozinha aqui, outra ali" e que havia sim restado um legado para a cidade, apontando inclusive que o COI afirmara em uma prévia que as instalações no Rio eram até melhores que as de Chicago.

Disse isso e desligou. A entrevista devia ser gravada já que o Flávio Prado disse: "Claro que não havia réplica, por que se houvesse eu perguntaria ao governador sobre" tal tal e tal. E começou a ler o parecer do TCU sobre as contas do PAN.

Bom, em primeiro lugar o PAN foi orçado em 95 milhões de reais e custou 1 BILHÃO e 800 milhões de reais. Isso dá mais de 1000% de aumento. Imagina se isso não é má gestão do dinheiro público. Aliás, se não foi desviado dinheiro, isso significa que os cariocas são muito ruins de conta, porque se você vai consertar uma cadeira na sua casa, imagina que vai gastar 95 reais e gasta 1.800 milhão, bom administrador você não é.

E por aí vai. Maria Lenk e Engenhão subutilizados, mais de 200 processos e pontos de irregularidades no parecer do TCU. Enfim, pelo visto o Sèrgio Cabral anda muito mal informado sobre o estado que governa. Considerando que o prefeito do Rio de Janeiro é aquele xarope do Eduardo Paes que teve uma atuação desprezível durante o caso do mensalão e que quase nos fazia torcer para os bandidos do PT, que o presidente do COB é o Nuzman e que o membro mais antigo do COI é o JOÃO HAVELANGE, o cara que inventou o Ricardo Teixeira, já viu...

A chance de dar certo é muito baixa...

Diálogos

- No começo do terceiro colegial eu estava na turma B, mas era muita bagunça. Então eu pedi para mudar para a turma C e eles mudaram.

- Não acredito que você pediu para ir pra classe dos nerds. Pra que, velho?

- Bom, hoje eu tenho 27 anos, me formei numa universidade pública, fiz especialização, mestrado e sou professor universitário. Talvez isso tenha alguma coisa a ver com aqueles dias...

sábado, 3 de outubro de 2009

Yes, we créu

E não é que o Rio levou mesmo, minha gente? Muita coisa ajudou: a crise americana (que aqui foi só uma marolinha) e a redundância entre dois jogos seguidos na Europa (um possível Londres - Madri) ou quase seguidos na Ásia (um possível Pequim - Londres - Tóquio), sem esquecer que o pessoal da grana não gosta muito desse tipo de evento lá no Japão porque obriga os europeus e principalmente os americanos a acordar de madrugada...

Eu não sou nem pacheco nem profeta do apocalipse. Acho que em qualquer lugar em que se realizem jogos como esse, alguém vai dar uma roubadinha. Na Europa isso acontece também. O pior de tudo é que na Europa eles roubam mas o troço sai: os estádios são construídos, o transporte é melhorado, fica tudo nos conformes. Dez por cento mais caro, mas nos conformes.

Já no Brasil, as coisas ficam duzentos por cento mais caras e, além de tudo, não ficam prontas. Eu me lembro do Pan, que eu não considero um sucesso de forma nenhuma. Eu me lembro, por exemplo, dos iatistas driblando um sofá velho que flutuava na lagoa Rodrigo de Freitas. Ou os atletas entrando na vila olímpica junto com o areião dos jardins que, ao que parece, não foram terminados até hoje... E mesmo o que ficou bom, estragou-se depois: o Enegenhão não pode receber clássicos, o Maria Lenk está fechado e o velódromo feito com madeira do Canadá foi desmontado. Aliás, onde será que foi parar aquela madeira caríssima?

Como urbanista, entendo que os jogos olímpicos são sim, como o próprio Lula falou de passagem, uma retribuição ao Rio de Janeiro por algo que lhe foi tirado: o posto de capital do país. Bom, foi exatamente na saída da capital federal para Brasília que o Rio de Janeiro se perdeu e nunca mais encontrou sua vocação. O urbanismo ficou à deriva e naufragou nos anos 90. Melhorou um pouco nessa década, ao que parece, mas pode ter nos jogos olímpicos uma grande virada, como aconteceu em Barcelona.

Enfim, é uma chance de ouro. Mais uma. Ou provamos que o Brasil mudou, ou que continua a mesma coisa. Mas também não precisamos perder por antecedência, e nem esperar o fim do oba-oba pra começar a trabalhar. No Brasil, o oba-oba não acaba nunca...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O internauta inexistente

De mudança para a minha casa nova, ando como um moderno Agilulfo: um internauta inexistente. Mas logo dou uma passadinha aqui.

Só pra dar uma satisfação...