sábado, 22 de agosto de 2009

O velho Lobão

Esses dias parei pra ver o "Gordo Visita", na MTV (programa em que o João Gordo vai à casa de artistas, ou quase) na casa do Lobão. É, aquele Lobão ex-baterista do Blitz, ex-presidiário, ex-quase tudo (menos ex-rock and roll) e apresentador da própria MTV.

O programa é até interessante. É do estilo mostrar-casa-entrevistar-artista, mas com o João Gordo no lugar da Angélica, uma troca bastante desvantajosa em estética, mas muito proveitosa em Q.I. Além disso, muita gente que, imagino, não receberia a Angélica, como o Lobão e o Marcelo Tas, acaba recebendo o João Gordo.

A conversa entre os dois, Gordo e Lobão, caiu logo em música e em rock and roll. Estavam ali dois símbolos de uma geração iconoclasta, chuta-tudo e rock and roll, coisa que fizeram muito bem na época. Mas quando o assunto foi música nova, ou melhor, a "nova MPB", senti uma diferença no ar.

Sobre esse assunto o punk João Gordo resume: nem conheço, nunca ouvi e acho uma merda. Em dado momento ele disse que achava Oasis uma novidade. Perfeito! Ele é punk, é Ratos de Porão, e não tá nem aí pro resto, nunca ouviu e acha uma merda. Atitude punk, sem dúvida. Já o Lobão mostrou que conhecia o assunto.

É claro que o Lobão também achava a nova MPB uma merda, a começar pelo rótulo (esse nome é uma merda mesmo), mas principalmente o resgate dos novos cantores dos caras antigos. Segundo ele, Noel Rosa já era uma merda em 1930 e relido então virou uma merda e meia. A "nova MPB" estaria piorando as coisas resgatando a merda ("merda" é palavra dele) quando "o legal é o rompimento". Essa frase dele me encucou.

Diferente do João Gordo, me parece que o Lobão não soube envelhecer. João Gordo diz o que acha legal, mas não dá conselhos. Ao dizer "o legal é o rompimento" como um desejo de como gostaria que se portasse a nova geração, o Lobão Mau vestiu as roupas da vovó, sem enxergar inclusive que há sim, um rompimento no resgate. O resgate de Noel Rosa é, claro, um rompimento da geração atual com o próprio Lobão que não percebeu que passou a ser a referência, de rompedor a rompido, de vanguarda a retaguarda. Ao contrário, se a vanguarda atuar conforme o estabelecido (o Lobão), não há rompimento, e o legal da vanguarda não é romper, mas irritar o estabelecido Lobão. O que parece que está acontecendo...

Evidente que nunca ouvi o Lobão falar bem de alguma coisa, nem quando ele era vanguarda, nem quando virou referência. E é claro que isso é uma interpretação totalmente minha. Agora, acho que essa opinião o denunciou, como se depois de comer a chapeuzinho o Lobo Mau tivesse esquecido de tirar as calçolas da vovó...