sexta-feira, 1 de maio de 2009

Scrap

lição de casa:

Comente este trecho do texto “Definindo Arte”:
“A arte, a representação pictórica de uma realidade externa, originada na mente do seu autor, continua tendo função mágico-religiosa na aldeia primitiva até que, gradualmente, assume apenas o papel de representar o belo, os ideais estéticos de uma dada civilização”.

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As pinturas rupestres, expressão artística pré-histórica, possuía papel mágico-religioso na medida em que eram utilizadas pelos homens para determinar eventos futuros (boa caça, por exemplo) através da manifestação de seu desejo em rituais. Assim, além de representação da realidade - a pintura de um animal representa como esse animal é na realidade - a arte rupestre pretendia criar a própria realidade, influenciando a concretização das cenas pintadas como uma profecia.

Com o desenvolvimento da filosofia da arte, ou estética, a arte perde seu valor ritual e passa a representar o belo. Na Grécia clássica, Platão coloca a arte como "mimesis", ou seja, como representação da natureza e, mais do que isso, como representação da positividade: um objeto será belo na medida em que se aproximar das leis estruturantes do universo (segundo ele, a geometria e a proporção) e em que puder ser igualmente útil e apropriado. O belo está, portanto, ligado ao bom e ao justo, ou seja, o belo é a representação/imitação do "ideal", e cada objeto, forma ou corpo será mais bela se aproximar-se desse ideal de utilidade e apropriação que estará necessariamente expresso em um ideal de beleza.

Finalmente, estando por muitos séculos a arte fundada sobre os padrões clássicos de representação e beleza, convém lembrar que a "morte da arte" como "espírito de seu tempo", descrita por Hegel, e as quebras de paradigmas efetuadas pela arte moderna fizeram do alinhamento platônico entre bom-belo-justo um preceito inválido para a leitura da arte contemporânea.