quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CAP XXIV - Machu Picchu

A noite foi mal dormida entre o cansaço da caminhada, o frio da chuva, a revolta da comida chinesa no estômago e a ansiedade pelo dia seguinte. Além disso, o despertador tocou 5 horas da manhã, sem folga. Ainda na escuridão foi entrar dentro da roupa e sair para a rua.

O ponto de onde saem as vans para Machu Picchu ficava bem perto e, aparentemente, todo o mundo tinha a mesma idéia de sair antes do Sol. Acontece que em Machu Picchu tem uma montanha - Wayna Picchu - que só é aberta para os 200 (ou algo assim) primeiros visitantes que chegarem na fila. E mesmo quem não fosse subir o Wayna Picchu, ainda teríamos que voltar para Cusco no mesmo dia, então o negócio é sair cedo. 6 da manhã já tem van saindo, e pelo caminho a gente vê o pessoal que em vez da van vai até MP subindo pela escada inca. E tome subida, barranco e precipício, até que chegamos em Machu Picchu quase junto com o Sol.

Machu Picchu é um parque nacional. Não tem nada lá, a não ser um hotel, um restaurante e uma lanchonete, todos absurdamente extorsivos. Por isso é sempre bom levar umas bolachas e água. Quando chegamos o parque estava abrindo. Nós já tínhamos comprados os tickets em Águas Calientes então entramos rápido. E eis que ela estava lá, a cidade perdida inca, Machu Picchu.

Logo que se entra, a primeira visão que se tem é Wayna Picchu ao fundo das ruínas, assim como os cartões postais e as fotos que a gente tanto viu durante toda a viagem. A cidade é enorme. Não sei precisar a área e isso não deve ser difícil de achar no Google, mas deve ser do tamanho de um bairro. Além do Wayna Picchu, as ruínas tem grosseiramente duas partes, uma colina de cá onde, pelo que eu entendi, se cultivavam os alimentos, e outra do lado de lá onde estão as maioria das casas e dos templos.

Estar em Machu Picchu é algo incrível. É incrível pensar em tudo o que já se passou ali, naquelas ruínas quando ainda tinham cobertura de palha e eram uma cidade inca. As escadas que sobem e descem são um desafio para o fôlego e para o medo de altura. Confesso que em alguns lugares eu não passei bem na beirinha. Além disso, olhando aquela imensidão encravada no meio da cordilheira dos andes não há como não lembrar de todo o trajeto até ali, do trem da morte e das estradas alternativas, do santuário de copacabana e do titicaca em puno.

Tudo isso não tem como escrever, talvez fique mais claro nas fotos, mas pra saber mesmo da grandeza de MP, só indo lá. Ficamos umas 4 horas por lá, dentro das ruinas. Eu não subi Wayna Picchu já que achei que não daria conta da escalada, tanto por falta de equipamento e de um tênis decente como por incompetência, mas de lá de cima é possível ver a forma de condor da cidade, compondo a tríade com a serpente (rio amazonas) e a puma (cusco). Da nossa turma, 3 subiram e ficaram por lá. O restante continuou junto o caminho de volta.

Descemos pela escada inca até Águas Calientes. Os degraus são altos e o cansaço nas pernas era bem grande. No caminho meu nariz começou a sangrar, acho que pela falta de pressão da altitude e pelo tempo seco, e tive que ir com papel higiênico no nariz até cusco. As coxas tremiam feito gelatina, mas chegamos vivos lá embaixo para o almoço. Bem que eu procurei passagens para a volta no trem, mas éstavam esgotadas, então o jeito foi voltar pelos trilhos outra vez, e novamente de van da hidrelétrica até Cusco. Atrasamos muito por que em certa altura o pneu da van simplesmente explodiu e tivemos que esperar uma meia hora até que passasse uma van vazia que nos levasse. Chegamos em Cusco mais de meia-noite, debaixo de garoa. Exaustos, mas com o dever cumprido.

Vimos Machu Picchu.



Eu e Dellas, minha amiga argentina, que reencontrei em Machu Picchu.