quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

CAP XXII - City Tour

Eu coloquei o nome do capítulo anterior de "umbigo do mundo" e nem sequer expliquei, pelo que me lembro. Mas explico agora. Na verdade "Cusco" quer dizer "centro" ou "umbigo". Deve querer dizer outras coisas que também se parecem com o umbigo, mas essa parte o guia não contou. Depois do dia de passeio descompromissado pela cidade, fechamos com uma empresa para fazer os principais roteiros turísticos da cidade - fora Machu Picchu: o City Tour, roteiro que inclui diversos museus da cidade (e eles tem uma porção de museus lá) e o Vale Sagrado. Cada passeio dura um dia e marcamos o City Tour para a quarta e o Vale Sagrado para a quinta-feira. E lá fomos nós.

Funciona assim: existe uma certa central turística em Cusco em que vc compra um ingresso que vale para 16 locais diferentes, entre museus, locais históricos o centro de danças cusqueñas. Ah, o velho truque da venda casada... De qualquer forma, logo cedo estávamos bem cedo no ônibus da empresa vara o rolê. Tá, mentira, claro que não chegávamos bem cedo em lugar nenhum já que estávamos em 12 e pra cada passo pra direita ou pra esquerda precisávamos de uma pequena assembléia com votação em 2 turnos. Nesse caso, foi a moça da agência de turismo que bateu a porta do "Estrelita" pra conduzir a boiada até o ônibus que estava estacionado numa praça um pouco longe dali. Além disso, pela primeira vez na viagem, agora tínhamos um guia!!! Carlitos, o guia-humorista de Cusco.

Essa coisa de descrever visita à ruínas é meio complicado. Se fosse possível, a gente comprava a descrição pelo correio e não precisaria ir até lá. E eu nem me lembro de todos os nomes em Inca dos lugares que a gente visitou. Algo como Orikancha era um templo dedicado ao Sol em que os jesuítas (acho) construíram um mosteiro por cima. Nesse lugar tem uma fonte em que os Incas colocavam cachaça pro Sol beber (evaporava, eles achavam que o Sol bebia). Depois teve Saqsawaman, algo assim, a maior ruína de Cusco. Lembra que eu falei que tudo tem forma de serpente, puma ou condor? Pois a Cusco inca tinha forma de puma, e Saqsawaman era a cabeça do puma, ruínas enormes. Mais pra frente, fomos até a fonte sagrada. Segundo o Carlitos, quem lavasse o rosto nessa água ficaria para sempre com o rosto como estava naquele momento, a água congelava o rosto eternamente. Eu fiquei meio em dúvida se lavava o rosto ou não, já que de repente com a idade eu poderia ficar mais bonito... Mas acabei lavando e vi que a água realmente congelava o rosto. Era fria pra diabo.


O passeio do dia seguinte era pelo Vale Sagrado, ruínas ainda maiores mas mais distantes de Cusco. Subimos no bumba, atrasados como sempre, e a moça da agência não sai do telefone, agitada. Depois vem o aviso: o vale sagrado tinha sido fechado por uma manifestação de trabalhadores, uma mesma manifestação que ~tínhamos visto na cidade na tarde anterior. O passeio tinha miado, teria que ficar para outro dia.


Assim, ficamos mais um dia a vagabundear pela cidade. Aproveitando o dia de ócio, saí para visitar todos os museus a que o meu ticket-turista tinha direito. Tem museu de arqueologia, de arte sacra, de arte moderna. De tudo o que é jeito. E a noite ainda fui ao centro de danças cusqueñas, na Av. del Sol, onde há um espetáculo com danças típicas de Cusco e região.


Depois da apresentação e de passear mais um pouco em outra feirinha de bugigangas, resolvi jantar em um restaurante chinês. Pedi frutos do mar. Agora pensa uma coisa: Cusco não tem mar. Cusco fica longe pra caramba do mar. Sem dúvida, Cusco não é o lugar mais saudável do mundo pra se comer frutos do mar. Ainda mais num restaurante chinês, que não é o lugar mais saudável do mundo pra você comer qualquer coisa. Mas é que eu não aguentava mais pollo.


Resultado, passei mal pra burro. E não foi muito inteligente, porque no outro dia era sexta-feira, dia da nossa saída pra Machu Picchu.


Ai ai...



Um dos museus com a bandeira de Cusco, que bem que poderia ser a bandeira da Argentina...