domingo, 1 de fevereiro de 2009

CAP XXI - O umbigo do mundo

Eu sei que vocês (?) já estão cansados de ler esse diário sem fim, assim como eu já estou cansado de escrevê-lo. Mas quando eu cheguei em Cusco eu não tava cansado não. Ao contrário, tava bombando.

Chegamos em Cusco na terça-feira, bem cedinho, ainda de madrugada. O pessoal tinha reservado um hostel para a gente e, pasmem, quando descemos do ônibus tinha um sujeito já nos esperando (ele não tava nos esperando na rodoviária, estava REALMENTE na porta do ônibus). E toca pro holstel "estrelita".

Só fui dar uma geral no lugar depois que amanheceu. Era uma construção de dois andares, meio velha, com uns 20 quartos, uma cozinha coletiva e um grande pátio interno. E pela primeira vez na viagem, com café da manhã (!!!), que se resumia a café solúvel, chá de coca, pão com manteiga, geléia e uevos revoltos, que são ovos mexidos. O pão não era pão francês, claro, mas um pão que parece o pão sírio. É só o que tem depois da fronteira de Corumbá.

Por uma questão de viablizar o sei lá o que, decidimos que saíriamos de Cusco para Machu Picchu apenas na sexta-feira, ou seja, tivemos 3 dias em Cusco para fazer outras coisas e esperar o grande momento.

A primeira coisa a fazer foi conhecer a Plaza de Armas, a famosa, onde tudo acontece. O Estrelita não era longe, uma caminhada de 10 minutos. Demos uma rodada e enquanto o pessoal foi procurar um MacDonalds eu me desgarrei e fui conhecer a catedral de Cusco. O ingresso foi meio caro, 25 soles, uns 20 reais. Lá dentro eu me servi da minha velha tática de grudar num grupo e aproveitar o guia alheio. A catedral é realmente fantástica, tão enorme que faz a catedral da Sé parecer uma capelinha de sítio. E tem tanta história que nem dá pra eu ficar contando tudo aqui.

E daí foi rodar e conhecer a cidade, as ruazinhas e as avenidonas. Eu gosto de caminhar assim até ficar perdido, o que no meu caso acontece rapidinho. A noite fomos no famoso "Mama África", um bar onde se reúnem os estrangeiros. Eu que vinha animado com a festa de La Paz, lembrei por que eu não gosto de "balada". Muito homem, muito argentino, muita gente procurando droga. Muito playboy. E o DJ odeia o dono do bar e só toca música ruim que é pra terminar de melar a festa.

A noite seguinte foi bem mais divertida. De posse de um violão veiaco que tinha no Estrelita, fomos para a Plaza de Armas, sentamos na fonte e mandamos ver. Meus dedos estavam duros de frio e as cordas só não arrebentavam por que Deus não queria. Muita gente doida apareceu por ali. O menininho veio vender um chiclete e acabou jogando futebol com as bolinhas de malabaris de um dos nossos amigos. Um índio brasileiro, não muito limpo (estava vestido de maconheiro, não de índio), esquisito, com uma caixa de som tocando reagge pediu um gole da nossa coca (que tinha conhaque misturado). Dali a pouco a polícia apareceu por que não se pode consumir bebidas alcoólicas na rua, mas por sorte a nossa coca cola com conhaque tinha acabado de acabar.


Catedral de Cusco.