sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

CAP XXV - Lá e de volta outra vez

Ainda passei mais um dia em Cusco fazendo o tour pelo vale sagrado - o tour que não conseguimos fazer antes por causa da greve. Visitamos ruínas, fortificações, cidadelas e templos incas, e feiras de artesanato por toda a região, outras cidades. Numa dessas feiras eu comprei um chapéu Panamá, do jeitinho que eu vinha procurando há bastante tempo.

De Cusco, voltei sozinho para La Paz. Depois de atingido o objetivo, desfez-se a sociedade do anel: os gaúchos seguiram para Lima, os que subiram o Wayna Picchu ficaram em Águas Calientes, alguns estavam na trilha Inca e outros voltaram para La Paz mas por outro caminho. Como estava cansado, peguei um ônibus direto. Êta viagem demorada. A passagem na fronteira foi difícil, pela primeira vez. Chegamos cedo demais e esperamos muito na fila. Revistraram minha mala, perguntaram coisas. Mas tudo certo.

Cheguei em La Paz com chuva. Quis tirar fotos da cidade para compensar as que perdi com a máquina, mas o tempo estava muito feio. Almocei, fiquei no hotel assistindo Chaves. Para poder dormir uma noite em La Paz, resolvi ir para Santa Cruz de avião. Desfeito o grupo, viajando de volta pra casa, a gente perde um pouco o pique.

De Santa Cruz para o Brasil foi só trocar de avião. Passei algumas horas no aeroporto torrando com a Paula, uma carioca simpática que estava esperando o mesmo vôo, os bolivianos que ainda nos restavam na lanchonete do aeroporto. Quase não passo pela alfândega por causa da minha garrafa de Inca Cola (sim, eu trouxe uma de 2 litros) e pelas garrafinhas de Pisco que tinha na mala. O guarda deixou no ar um pedido de propina, eu deixei no ar que não entendi e ele deixou passar.

Desci em Campo Grande e segui até a pior rodoviária do Brasil para pegar um ônibus de Prudente. Quase me deu saudade dos ônibus da Bolívia, que pelo menos iam direto aos destinos. umas 10 horas depois, tava em casa.

Tem muitas, muitas histórias mais que essas, mas que não valhe a pena contar. Não aqui, pelo menos. Muitas lembranças dos lugares e das pessoas, dos companheiros de viagem até aos que só vi uma vez. Na minha mochila agora tem 3 bandeiras costuradas: Brasil, Bolívia e Peru. Mas tem ainda muito espaço vazio. Ainda dá pra colocar muitas mais.

De chapéu, comendo o milho peruano que tem grãos do tamanho de azeitonas.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CAP XXIV - Machu Picchu

A noite foi mal dormida entre o cansaço da caminhada, o frio da chuva, a revolta da comida chinesa no estômago e a ansiedade pelo dia seguinte. Além disso, o despertador tocou 5 horas da manhã, sem folga. Ainda na escuridão foi entrar dentro da roupa e sair para a rua.

O ponto de onde saem as vans para Machu Picchu ficava bem perto e, aparentemente, todo o mundo tinha a mesma idéia de sair antes do Sol. Acontece que em Machu Picchu tem uma montanha - Wayna Picchu - que só é aberta para os 200 (ou algo assim) primeiros visitantes que chegarem na fila. E mesmo quem não fosse subir o Wayna Picchu, ainda teríamos que voltar para Cusco no mesmo dia, então o negócio é sair cedo. 6 da manhã já tem van saindo, e pelo caminho a gente vê o pessoal que em vez da van vai até MP subindo pela escada inca. E tome subida, barranco e precipício, até que chegamos em Machu Picchu quase junto com o Sol.

Machu Picchu é um parque nacional. Não tem nada lá, a não ser um hotel, um restaurante e uma lanchonete, todos absurdamente extorsivos. Por isso é sempre bom levar umas bolachas e água. Quando chegamos o parque estava abrindo. Nós já tínhamos comprados os tickets em Águas Calientes então entramos rápido. E eis que ela estava lá, a cidade perdida inca, Machu Picchu.

Logo que se entra, a primeira visão que se tem é Wayna Picchu ao fundo das ruínas, assim como os cartões postais e as fotos que a gente tanto viu durante toda a viagem. A cidade é enorme. Não sei precisar a área e isso não deve ser difícil de achar no Google, mas deve ser do tamanho de um bairro. Além do Wayna Picchu, as ruínas tem grosseiramente duas partes, uma colina de cá onde, pelo que eu entendi, se cultivavam os alimentos, e outra do lado de lá onde estão as maioria das casas e dos templos.

Estar em Machu Picchu é algo incrível. É incrível pensar em tudo o que já se passou ali, naquelas ruínas quando ainda tinham cobertura de palha e eram uma cidade inca. As escadas que sobem e descem são um desafio para o fôlego e para o medo de altura. Confesso que em alguns lugares eu não passei bem na beirinha. Além disso, olhando aquela imensidão encravada no meio da cordilheira dos andes não há como não lembrar de todo o trajeto até ali, do trem da morte e das estradas alternativas, do santuário de copacabana e do titicaca em puno.

Tudo isso não tem como escrever, talvez fique mais claro nas fotos, mas pra saber mesmo da grandeza de MP, só indo lá. Ficamos umas 4 horas por lá, dentro das ruinas. Eu não subi Wayna Picchu já que achei que não daria conta da escalada, tanto por falta de equipamento e de um tênis decente como por incompetência, mas de lá de cima é possível ver a forma de condor da cidade, compondo a tríade com a serpente (rio amazonas) e a puma (cusco). Da nossa turma, 3 subiram e ficaram por lá. O restante continuou junto o caminho de volta.

Descemos pela escada inca até Águas Calientes. Os degraus são altos e o cansaço nas pernas era bem grande. No caminho meu nariz começou a sangrar, acho que pela falta de pressão da altitude e pelo tempo seco, e tive que ir com papel higiênico no nariz até cusco. As coxas tremiam feito gelatina, mas chegamos vivos lá embaixo para o almoço. Bem que eu procurei passagens para a volta no trem, mas éstavam esgotadas, então o jeito foi voltar pelos trilhos outra vez, e novamente de van da hidrelétrica até Cusco. Atrasamos muito por que em certa altura o pneu da van simplesmente explodiu e tivemos que esperar uma meia hora até que passasse uma van vazia que nos levasse. Chegamos em Cusco mais de meia-noite, debaixo de garoa. Exaustos, mas com o dever cumprido.

Vimos Machu Picchu.



Eu e Dellas, minha amiga argentina, que reencontrei em Machu Picchu.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

CAP XXIII - Andando na linha

Existe uma maneira bem fácil de se chegar a Machu Picchu, vindo de Cusco, de trem. O dito te pega de um lado e te deixa em Águas Calientes, o povoado mais próximo de Machu Picchu, sem dor de cabeça, uma beleza. O problema é que, além de custar 100 dólares, a viagem de trem é o jeito mais fácil, e nessa viagem a gente nunca escolhia o jeito mais fácil para fazer as coisas.

Tirando esse jeito mais fácil, haviam muitos jeitos mais difíceis. Um deles era ir até Ollaytaytambo (alguma coisa assim) e comprar lá as passagens de trem que saíam mais baratas pra quem saísse dessa outra cidade. Mas não, ainda tava muito fácil. Surgiu então uma terceira possibilidade, cheia de aventura, escalas e chance de dar errado. Bem do jeito que a gente gosta. E foi assim que fomos.

O primeiro passo foi sair de Cusco para Santa Teresa, um povoado no meio das montanhas, do tipo de povoado que você pergunta por que diabos alguém resolve morar ali. O ônibus até Santa Teresa não sai da rodoviária de Cusco, que era até bonitinha, mas de uma rodoviária alternativa que nos fez matar a saudade da Bolívia. Fomos até um dia antes comprar as passagens, mas o ônibus era do estilo sem-horário-sai-quando-lotar. Já prevendo a batalha da viagem, compramos pras 8 horas da manhã mas saímos quase 9 horas, sabe-se lá porque. Todo o mundo dentro do ônibus lotado, esperando. Por sorte o ônibus tinha banheiro e ar condicionado. Tá, mentira, não tinha nem banheiro e muito menos ar condicionado, bem ao estilo sudamérica.

Enquanto esperávamos, vi um cara do lado de fora do ônibus olhando pra gente e oferecendo lanternas. Eu tinha levado uma lanterna pra viagem, mas tinha deixado na mala guardada lá no Estrelita. Bom, se o cara tava vendendo lanterna, alguma coisa tinha. A Jane, que com mais uma amiga também se juntou ao nosso grupo a partir daí, comprou e avisou que talvez fosse útil. Eu comprei, e seria mesmo...

E saímos! E chacoalha dentro do ônibus, chacoalha, e chacoalha mais. No caminho fui lendo George Orwell (A sombra de1984) e comendo bolacha, que era a única coisa que comeríamos praticamente o dia inteiro. Dentro do livro, que eu comprei em sebo, achei uma raridade! Um recorte de jornal , colado na contra capa, com durex, em que o repórter criticava a adoção do RG no Brasil. Pode isso? O artigo alegava que o RG tinha a função exclusiva de controlar os passos do cidadão e de tirar as liberdades pessoais do povo. Questão de controle. E que caminhávamos assim para um regime totalitário como o previsto por Orwell em 1984. Incrível, uma pérola. São fantásticas as surpresas que um livro de sebo podem trazer pra gente.

Depois de chacoalharmos muito, e de subir ainda mais pelas montanhas, descemos em um lugar no meio do abismo para comprar comida e ir ao banheiro inexistente. Sim, claro que não havia banheiro, então o pessoal se virava no mato e; bom, deixa pra lá. Um tempão depois, chegamos no povoado de Santa Teresa.

Ficamos bem pouco, o suficiente para arrumar uma van que nos levasse até a hidrelétrica de Santa Maria, o que não levou mais de 10 minutos. Como éramos muitos, conseguimos fechar uma van só nossa, e toca estrada de novo. Montanha, precipício, estrada de terra e um motorista com a faca nos dentes, tudo o que a gente já tava acostumado. E um calor infernal! De repente, fim. A van pára em lugar quase nenhum. Tem algumas outras vans e algumas barraquinhas vendendo coisinhas como papel higiênico e banana. Dali pra frente era a pé.

Lembra do trem? Pois ele passa pela hidrelétrica também, vindo de Cusco. E quem não vai no trem, vai andando pelos trilhos. Foi o que fizemos. Mais ou menos 3 horas de caminhada pela linha, se equilibrando nos dormentes ou machucando os pés nas pedras.

Eu não sei por que eles enchem o espaço entre os dormentes do trilho com pedras. Não é muito bom andar por cima delas, então tivemos que bolar maneiras de chegar andar de modo a chegar com o pé inteiro do outro lado. Em algumas horas dava pra andar pelo "acostamento" de terra. Outra pelas tábuas do próprio trilho. O problema é que elas não são espaçadas regularmente como os desenhos de criança, e você tem que dar um passo comprido e um curto, cada um de um tamanho, e não consegue andar bem. Andar sobre o dormente é complicado, porque é apenas uma linha de metal, redonda, onde é difícil se equilibrar. Depois de algumas tentativas chegamos a conclusão que o melhor é andar em duplas, cada um de um lado da linha, sobre os dormentes. Pra se equilibrar, um coloca a mão no ombro do outro, e vamos andando juntos. Depois de um tempo dói o ombro, mas você vai revesando entre dor no pé e dor no ombro e descansa um enquanto explora o outro.

A noite nos pegou nos trihos. O homem que vendia lanterna sabia das coisas. Por sorte eu tinha a minha! Depois da noite, a chuva nos pegou nos trilhos também e a nossa chegada em águas calientes foi apoteótica. Meus pés estavam com bolhas de tudo o que era jeito, de todos os tipos, tamanhos e cores. Meu estômago ainda lembrava do restaurante chinês do dia anterior. Meu ombro doía do andar em pares, a lanterna era insuficiente na escuridão. Estávamos todos molhados e sem lugar para ficar. E a entrada da cidade ainda era uma ladeira! E toca subir. Lá em cima ainda levamos uma meia hora para encontrar um hotel barato que tivesse banho quente e aceitasse todos.

Águas Calientes é uma cidadezinha bem turística. Só tem os hotéis de um lado e restaurantes do outro. Mas são restaurantes bonitinhos. Me lembrou um pouco Paraty, não sei por que. Passamos em frente a uma pizzaria e depois da convenção habitual com votação em 2 turnos decidido por maioria absoluta de 50% + 1 como eram todas as nossas decisões, paramos para comer. Ai, que saudade de uma pizza. A pizza não era ruim, mas só haviam 2 sucos: plátano, ou seja, banana, e limão. Eu já previ o que ia acontecer e pedi de limão, e não deu outra. Os sucos vieram sem gelo, e suco de banana sem gelo é um troço intragável.

Pés inchados e bucho cheio, fomos dormir por que o dia ceguinte começaria bem cedinho. Era dia de Machu Picchu!



Andando na linha.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

CAP XXII - City Tour

Eu coloquei o nome do capítulo anterior de "umbigo do mundo" e nem sequer expliquei, pelo que me lembro. Mas explico agora. Na verdade "Cusco" quer dizer "centro" ou "umbigo". Deve querer dizer outras coisas que também se parecem com o umbigo, mas essa parte o guia não contou. Depois do dia de passeio descompromissado pela cidade, fechamos com uma empresa para fazer os principais roteiros turísticos da cidade - fora Machu Picchu: o City Tour, roteiro que inclui diversos museus da cidade (e eles tem uma porção de museus lá) e o Vale Sagrado. Cada passeio dura um dia e marcamos o City Tour para a quarta e o Vale Sagrado para a quinta-feira. E lá fomos nós.

Funciona assim: existe uma certa central turística em Cusco em que vc compra um ingresso que vale para 16 locais diferentes, entre museus, locais históricos o centro de danças cusqueñas. Ah, o velho truque da venda casada... De qualquer forma, logo cedo estávamos bem cedo no ônibus da empresa vara o rolê. Tá, mentira, claro que não chegávamos bem cedo em lugar nenhum já que estávamos em 12 e pra cada passo pra direita ou pra esquerda precisávamos de uma pequena assembléia com votação em 2 turnos. Nesse caso, foi a moça da agência de turismo que bateu a porta do "Estrelita" pra conduzir a boiada até o ônibus que estava estacionado numa praça um pouco longe dali. Além disso, pela primeira vez na viagem, agora tínhamos um guia!!! Carlitos, o guia-humorista de Cusco.

Essa coisa de descrever visita à ruínas é meio complicado. Se fosse possível, a gente comprava a descrição pelo correio e não precisaria ir até lá. E eu nem me lembro de todos os nomes em Inca dos lugares que a gente visitou. Algo como Orikancha era um templo dedicado ao Sol em que os jesuítas (acho) construíram um mosteiro por cima. Nesse lugar tem uma fonte em que os Incas colocavam cachaça pro Sol beber (evaporava, eles achavam que o Sol bebia). Depois teve Saqsawaman, algo assim, a maior ruína de Cusco. Lembra que eu falei que tudo tem forma de serpente, puma ou condor? Pois a Cusco inca tinha forma de puma, e Saqsawaman era a cabeça do puma, ruínas enormes. Mais pra frente, fomos até a fonte sagrada. Segundo o Carlitos, quem lavasse o rosto nessa água ficaria para sempre com o rosto como estava naquele momento, a água congelava o rosto eternamente. Eu fiquei meio em dúvida se lavava o rosto ou não, já que de repente com a idade eu poderia ficar mais bonito... Mas acabei lavando e vi que a água realmente congelava o rosto. Era fria pra diabo.


O passeio do dia seguinte era pelo Vale Sagrado, ruínas ainda maiores mas mais distantes de Cusco. Subimos no bumba, atrasados como sempre, e a moça da agência não sai do telefone, agitada. Depois vem o aviso: o vale sagrado tinha sido fechado por uma manifestação de trabalhadores, uma mesma manifestação que ~tínhamos visto na cidade na tarde anterior. O passeio tinha miado, teria que ficar para outro dia.


Assim, ficamos mais um dia a vagabundear pela cidade. Aproveitando o dia de ócio, saí para visitar todos os museus a que o meu ticket-turista tinha direito. Tem museu de arqueologia, de arte sacra, de arte moderna. De tudo o que é jeito. E a noite ainda fui ao centro de danças cusqueñas, na Av. del Sol, onde há um espetáculo com danças típicas de Cusco e região.


Depois da apresentação e de passear mais um pouco em outra feirinha de bugigangas, resolvi jantar em um restaurante chinês. Pedi frutos do mar. Agora pensa uma coisa: Cusco não tem mar. Cusco fica longe pra caramba do mar. Sem dúvida, Cusco não é o lugar mais saudável do mundo pra se comer frutos do mar. Ainda mais num restaurante chinês, que não é o lugar mais saudável do mundo pra você comer qualquer coisa. Mas é que eu não aguentava mais pollo.


Resultado, passei mal pra burro. E não foi muito inteligente, porque no outro dia era sexta-feira, dia da nossa saída pra Machu Picchu.


Ai ai...



Um dos museus com a bandeira de Cusco, que bem que poderia ser a bandeira da Argentina...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

CAP XXI - O umbigo do mundo

Eu sei que vocês (?) já estão cansados de ler esse diário sem fim, assim como eu já estou cansado de escrevê-lo. Mas quando eu cheguei em Cusco eu não tava cansado não. Ao contrário, tava bombando.

Chegamos em Cusco na terça-feira, bem cedinho, ainda de madrugada. O pessoal tinha reservado um hostel para a gente e, pasmem, quando descemos do ônibus tinha um sujeito já nos esperando (ele não tava nos esperando na rodoviária, estava REALMENTE na porta do ônibus). E toca pro holstel "estrelita".

Só fui dar uma geral no lugar depois que amanheceu. Era uma construção de dois andares, meio velha, com uns 20 quartos, uma cozinha coletiva e um grande pátio interno. E pela primeira vez na viagem, com café da manhã (!!!), que se resumia a café solúvel, chá de coca, pão com manteiga, geléia e uevos revoltos, que são ovos mexidos. O pão não era pão francês, claro, mas um pão que parece o pão sírio. É só o que tem depois da fronteira de Corumbá.

Por uma questão de viablizar o sei lá o que, decidimos que saíriamos de Cusco para Machu Picchu apenas na sexta-feira, ou seja, tivemos 3 dias em Cusco para fazer outras coisas e esperar o grande momento.

A primeira coisa a fazer foi conhecer a Plaza de Armas, a famosa, onde tudo acontece. O Estrelita não era longe, uma caminhada de 10 minutos. Demos uma rodada e enquanto o pessoal foi procurar um MacDonalds eu me desgarrei e fui conhecer a catedral de Cusco. O ingresso foi meio caro, 25 soles, uns 20 reais. Lá dentro eu me servi da minha velha tática de grudar num grupo e aproveitar o guia alheio. A catedral é realmente fantástica, tão enorme que faz a catedral da Sé parecer uma capelinha de sítio. E tem tanta história que nem dá pra eu ficar contando tudo aqui.

E daí foi rodar e conhecer a cidade, as ruazinhas e as avenidonas. Eu gosto de caminhar assim até ficar perdido, o que no meu caso acontece rapidinho. A noite fomos no famoso "Mama África", um bar onde se reúnem os estrangeiros. Eu que vinha animado com a festa de La Paz, lembrei por que eu não gosto de "balada". Muito homem, muito argentino, muita gente procurando droga. Muito playboy. E o DJ odeia o dono do bar e só toca música ruim que é pra terminar de melar a festa.

A noite seguinte foi bem mais divertida. De posse de um violão veiaco que tinha no Estrelita, fomos para a Plaza de Armas, sentamos na fonte e mandamos ver. Meus dedos estavam duros de frio e as cordas só não arrebentavam por que Deus não queria. Muita gente doida apareceu por ali. O menininho veio vender um chiclete e acabou jogando futebol com as bolinhas de malabaris de um dos nossos amigos. Um índio brasileiro, não muito limpo (estava vestido de maconheiro, não de índio), esquisito, com uma caixa de som tocando reagge pediu um gole da nossa coca (que tinha conhaque misturado). Dali a pouco a polícia apareceu por que não se pode consumir bebidas alcoólicas na rua, mas por sorte a nossa coca cola com conhaque tinha acabado de acabar.


Catedral de Cusco.