sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Machu Picchu cap. I - de Prudente à Corumbá


Neste cyber-sem-café de La Paz, vou começar a contar a história da minha viagem que começou a 4 dias e ainda nao acabou (nao sei onde fica o acento deste teclado).

Saí de Prudente 19:40 horas do dia 5, segunda-feira. Entrei no ônibus, procurei meu lugar, sentei. Nisso, um garoto que estava atrás pergunta: você se importa de sentar lá atrás para que eles dois venham sentar aqui? Puts, lá atrás, até Corumbá? Olha, eu me importo sim. Respondi na cara da pau, um cara chato. Lá atrás chacoalha demais... Sentei e ouvi a conversa desse garoto, do vizinho dele, e mais de uma outra dupla que estava ao lado, e de mais um. Adivinha pra onde eles estavam indo? Acertou.

A viagem que começou solitária nao ficou assim por 5 minutos. Só naquele ônibus éramos 8 rumo ao Peru. Pessoal universitário, 18 ou 19 anos. Logo enturmamos. Em um posto no Mato Grosso do Sul, encontrei um amigo do meu pai, fazendo o que lá eu nao sei. E depois direto para Corumbá onde estava o meu primeiro problema: conseguir a carteirinha de vacinaçao internacional e encontrar o Ney.

O Ney é o operador que ficou de me vender as passagens para o trem da morte. O trem da morte (nao encontro as aspas) é o trem que sai de Puerto Suarez, já na Bolívia, e vai até Santa Cruz de la Sierra (deve ser esse o trem da música do Almir Satter). Antes de sair de Prudente ouvi dizer que as passagens estavam difíceis porque o trem havia ficado dois ou três dias sem sair. Na madrugada do Domingo, esse tal de Ney se ofereceu para comprar a passagem com antecedência. O custo fica quase o dobro do preço e no final haviam passagens até uma hora antes do trem partir, mas no meu caso o Ney foi providencial porque eu só cheguei na estaçao em cima da hora. Tudo por causa da carteirinha...

A carteirinha internacional de vacinaçao, que eu ia tirar em SP e nao tirei, atesta internacionalmente que voce é um cara vacinado, neste caso, contra a febre amarela. Eu já havia tomado a vacina de febre amarela no começo de 2008, entao só precisaria trocar minha carteira comum pela internacional. Mas nada é tao simples...

Chegando no posto da Anvisa, tinha uma fila de 10 pessoas. Eram 10 e meia e o posto fecharia 11 horas. Tive que esperar para a tarde e, para pegar lugar na fila, mofei na porta da Anvisa, deitado no chao e lendo George Orwell. Às duas da tarde estava eu na porta, mas nada do guarda abrir. É que o fuso-horário de Corumbá é uma hora atrasado ao de Brasília, entao toca esperar mais uma hora. Fui o primeiro a ser atendido. DOIS funcionários públicos que tem 3 horas de almoço levaram 10 minutos pra preencher uma ficha pela internet e imprimir a minha carteirinha.

Nisso já sao 3 e cacetada. O trem sai 4 e meia e ainda temos que encontrar o Ney, pegar as passagens, atravessar a fronteira com a Bolívia em Puerto Quijarro e ir até Puerto Suarez para pegar o famoso trem.

Pessoal esperando o Ney em Corumbá.