quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

CAP XX - Peru, um país pobre

Alguém me disse logo que entramos no Peru: bem melhor que a Bolívia né? Sim, agora sim é um país pobre, enquanto a Bolívia às vezes não parece nem um país. A diferença já começa nos guichês de imigração na fronteira. Um ao lado do outro, o peruano é novinho, limpinho e organizado enquanto o boiviano é uma zona, feio e sujo.

Digo isso apesar do ônibus que nos levou até Puno, que era um lixo. E nem nos deixou na rodoviária, mas na rua de trás. Descemos de madrugada, tortos, doloridos e eu, ainda por cima, doente. Por sorte, antes que eu ficasse desesperado encontramos uma pousada do outro lado da rua com um restaurante do lado onde, depois de um banho quente (que eu não tomava desde La Paz), comi um "montado", que é o nosso "bife a cavalo", com um ovo frito por cima. O refrigerante estava quente, mas no Peru é assim. Depois foi cama.

Na manhã seguinte acordei e fui tentar tomar um café na rodoviária. Deu um certo trabalho pedir um pão com manteiga. Depois saímos pra passear por Puno. Passamos em um estádio de futebol e fomos entrando. No campo tinha uma molecada treinando com um professor brasileiro, de Niterói, chamado Lima. De lá fomos até o centro da cidade trocar dólares por soles (1 dólar para 3,10 soles) e eu descobri que com meu cartão VISA conseguiria até sacar dinheiro da minha conta corrente! Que beleza! Com grana no bolso, saí pra comprar uma máquina nova e dessa vez comprei também uma capinha. Nunca mais perco!

Puno é uma cidade bonita. Não sei por que, talvez pela proximidade da experiência da muvuca que é La Paz, gostei muito de lá. Dei boas voltas pelo centro e almocei uma trutcha (as trutas do titicaca) com Inca Kola. A trutcha estava fria e a Inca Kola quente, mas tudo bem. A tarde fechamos um passeio para a Isla de Uros, as ilhas flutuantes peruanas.

Explicações do próprio habitante sobre as ilas. Na época do domínio Inca, os povos dominados tinham que carregar as pedras. Um desses povos, que não era muito chegado em trabalhar, foi fugindo e preferiu viver no lago do que trabalhar pros Incas. Primeiro construíram barcos e moravam nos barcos. Daí emendaram 2 barcos, e outros barcos, e foram desenvolvendo as técnicas de fazer as Islas Flutuantes que são cubos de terra de uns 2 palmos de aresta amarrados uns nos outros e recobertos com totora. A totora é uma planta, parece um capim, que nasce no lago. A totora seca serve para cobrir as ilhas, os barcos e as casas onde moram, que parecem ocas. A totora verde ainda tem um miolinho comestível e eles aindam comem totora para limpar os dentes. Ou seja, já jantam e escovam os dentes numa tacada só. Muito prático.

Ah! E a totora também serve para fazer artesanato. E eles fazem muitas coisas de totora, de pedra, de lã, enfim. Pegamos um barco para ir até a Isla e antes de saírmos um peruano subiu tocando beatles numa daquelas flautinhas. Claro que depois ele pediu uma "propina", como eles chamam lá. Depois o barco foi até a isla onde tivemos a explicação que já relatei, onde comemos totora e compramos bugigangas. Meus companheiros, que gostavam mais de bugigangas do que eu, atacaram as banquinhas dos nativos como um enxame e saíram carregando metade da ilha. Enquanto isso eu dei uma propina para ir até uma outra ilha no barco de totora em vez do nosso. Durante a viagem, enquanto os nativos remavam, 4 menininhas iam cantando e pedindo propina.

Fim do passeio, era arrumar as malas e tocar para Cusco. O ônibus era bem bom e a rodviária era bemm mais organizada do que as de até então. Viajamos a noite toda e antes de amanhecer já estávamos em Cusco. Machu Picchu estava cada vez mais perto.



Com uma menininha de Uros, as ilhas de totora.