sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

CAP VII - Hard Rock Café La Paz

Já estamos no dia 9 de janeiro. Depois que voltamos do Chacaltaya, saí com parte da turma para comer uma pizza. Já tinhamos comido uma pizza, muito ruim por sinal, no dia anterior. Dessa vez fomos para uma pizzaria vizinha onde o cheiro estava mais convidativo.

A pizzaria era no segundo andar, subindo uma escada. O lugar, que por fora era muito feio, por dentro era bonitinho, talvez o primeiro que tenha visto em La Paz com alguma preocupação estética. Havia um casal ou dois, e uma mesa com bolivianos tocando flauta e violão. Sentamos e pedimos. Os bolivianos tocavam animados, uma, duas músicas, das tradicionais. Dois tocavam e os outros batiam palmas. Na terceira música batemos palmas também. Depois da quarta, não aguentei, levantei e fui falar com eles.

Fui até a mesa e perguntei se eles gostavam de música brasileira, se queriam ouvir. O flautista disse que gostava do Chico Buarque e eu toquei "Samba de um grande amor" para eles. Bateram palmas. Devolvi o violão e eles retribuíram tocando "Asa Branca" num ritmo que de baião tinha muito pouco e que tentei acompanhar cantando, sem muito sucesso. Mais palmas.

Saindo de lá fomos reencontrar o resto do pessoal no Hard Rock Café La Paz. Descobrimos que o bar que estávamos procurando desde o dia anterior ficava bem na esquina do nosso hotel, mas sua entrada era um pouco escondida. Entramos no bar e os brasileiros estavam numa mesa lá no fundo, mas mesmo assim foi fácil percebê-los por causa do barulho. Estavam todos lá, tomando cerveja em umas canecas de um litro e com uma bandeira do Brasil em punho.

Depois de tomar uma caneca de cerveja e tirar umas fotos, começamos a dançar em volta da mesa. Depois descemos e começamos a nos espalhar. Logo logo tomamos conta da festa. Além dos bolivianos, haviam muitos mochileiros no bar. Peguei a bandeira do Brasil e comecei a abordar as pessoas que dançavam. Conheci a Dellas, uma argentina com quem eu encontraria até o fim da viagem e que estava com outras argentinas, uma alemã e um holandês, um italiano e o Lorenzo, um francês, alguns bolivianos, e a Kruskaya, a quem eu reencontraria na volta, em La Paz. De repente, a bandeira do Brasil se tornou um cartão de visitas e qualquer um com quem me aproximasse sorria e dançava. Estava com a camisa do São Paulo e 3 homens numa mesa me diziam que eram Corinthianos. Um outro argentino queria trocar a minha camiseta do Rogério Ceni pela do River Plate e de vez em quando os garçons espalhavam bebida pelo balcão e punham fogo. Lá pelas tantas o DJ tocou música brasileira, funk e pagode, e nós subimos no palco para ensinar os bolivianos.

Me diverti muito. Na verdade, tirando as formaturas e duas ou três outras festas, não me lembro de ter dançado e me divertido tanto como nesta. As pessoas eram abertas e receptivas, todos se divertiam. Havia um clima diferente no ar. Cheguei a pensar que a minha implicância e ausência desse tipo de balada era chatice minha. Depois, na outra festa a que fomos, no Peru, descobri que não. Acontece que no Hard Rock Café de La Paz houve mesmo uma confluência de astros, mochieliros e oportunidades que nem todo o dia se repete.

Fui o último da trupe a voltar pro hotel. Chegando lá, descobri que o elevador era desligado às 10 da noite e era preciso subir os 6 andares de escada. Estavam todos acordados ainda, conversando, e me contaram que um dos nossos companheiros tinha sido abordado na porta do bar por um vendedor de drogas. Como o dito companheiro gosta de marihuana, começou a conversar com o vendedor quando chegou a polícia e começou a sentar a borracha no boliviano. Para piorar, esse companheiro estava sem passaporte ou documentos, e a polícia queria evá-lo junto. Foi salvo por que outros amigos saíram do bar nessa hora e encontraram-se com ele, foram até o hotel, subiram correndo as escadas e encontraram o passaporte. Quase que o rapaz foi parar na Interpol!

Isso já eram umas 4 horas da manhã. No dia seguinte era tocar para Copacabana, a última parada na Bolívia. Todo o mundo foi dormir e eu tomei um dos melhores banhos quentes da viagem, com todo o mundo dormindo, sem pressa. E seria o último banho pelos próximos dias.





Uma parte do pessoal no Hard Rock Café.