terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CAP VI - No alto do Chacaltaya

O monte Chacaltaya, na Bolívia, era a mais alta estacao de esqui de algum lugar, nao sei se da america do sul ou de toda ela. De qualquer forma, por causa do aquecimento global já nao tem tanta neve assim por lá e eles estao construindo uma estacao em um outro monte. Mas mesmo nao dando pra esquiar, no Chacaltaya ainda há neve, e nós subimos até lá em cima para ver.

Bem no pé do nosso hotel havia uma agencia de viagens que leva para esses passeios. Aqui no centro de La Paz, onde ainda estou, tem uma agencia dessas do lado da outra, vendendo a mesma meia dúzia de roteiros que se pode fazer por aqui. Acertamos tudo no dia anterior e bem cedo a van já estava nos esperando no hotel. E tome subida.

Acho que esqueci de comentar sobre uma característica importante da cidade: o transito. Juro que nunca mais olharei o transito de SP da mesma forma. Mesmo que a quantidade de carros nao seja tao assustadora, o caos é total. Ninguém pára, ninguém respeita, tudo se resolve na buzina. Faixa de pedestre é coisa raríssima e o único semáforo que vi, entre a Illampu e a Sagárnaga, era sumariamente ignorado por todos os motoristas. Tanto que, debaixo do semáforo, fica um guarda com um apito tentando botar ordem na situacao. Inutilmente.

Fomos subindo, saindo de La Paz, e no caminho passamos por uma dúzia de campos de futebol. Boliviano gosta de jogar futebol. Nao sei por que eles nao aprendem. Eu mesmo gostaria de ter jogado com eles, já que poderia realizar meu sonho de colocar a culpa de meu fraco desempenho na altitude. Se o Robinho pode, por que eu nao posso?

Se a estrada entre Santa Cruz e La Paz já era ruim, imagina a que beirava o Chacaltaya. Asfalto nem pensar. Terra e pedra estrangulando os carros numa pista que só passava um por vez. Depois de um certo tempo, ainda tinha a neve. Parecia aquele joguinho do enduro, onde se passava da terra para a neve em 1 segundo. No Chacaltaya é bem assim, de repente, neve. Na subida passamos também por estacoes numeradas que, disse o guia, eraçm bases cientificas de estudo de precipitacao, aquecimento global e etc..

A van estaciona lá em cima, onde há uma casa grande, de madeira, a antiga estacao de esqui. O visual é incrível. Muitas montanhas, as nuvens passando bem pertinho. E a neve! É mais áspera do que eu imaginei, como o gelo de raspadinha. Evidentemente, nao levou um minuto para que a guerra de neve estivesse instaurada. Tinha até um bonequinho de neve por lá, de autor desconhecido.

Passando por dentro da casa se saía em uma trilha que subia mais um pouco, até o topo onde as vans nao iam. Comecamos a subir, mas eu desisti nos primeiros metros. Meu pé escorregava, aquele precipicio do lado, o ar faltava e eu ofegava muito. Masquei algumas folhas de coca para tentar de novo mas nao deu certo. Voltei e fiquei esperando o pessoal tomando um chá de coca na casa de madeira. Nem todos chegaram no fim, a maioria desistiu. É muito alto. A gente tem que saber o limite...

De volta a La Paz, amoçamos num restaurante em que tinha um jukebox. Pedi bife a milanesa, comi muito e deixei metade no prato. No jukebox tinha Roberto Carlos em espanhol, mas nenhuma música conhecida. Coloquei uma moeda de 1 boliviano e pus o Michael Jackson pra cantar. Um dos nossos companheiros, um que teria sérios problemas gastrointestinais por toda a viagem, teve seu primeiro contratempo. Usou um banheiro onde não tinha papel. Por sorte tinhamos subido o Chacaltaya com duas meias, então ele pode utiizar uma delas para fazer o serviço.

Passamos a tarde rodando e comprando. Eu comprei gorro e luvas, fui à catedral e ao museu de etnografia onde haviam muits máscaras de danças típicas e folclóricas. No fim da tarde, tomamos banho e saímos outra vez para comer. Essa noite combinamos de ir para o Hard Rock Café de La Paz. Seria a melhor festa da viagem e uma das melhores da minha vida.




Pertinho das nuvens. Todo o mundo no alto do Chacaltaya.