segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

CAP V - La Paz

Coincidentemente, estou novamente em La Paz quando venho contar a minha primeira passagem pela capital da Bolívia. Capital mais ou menos, porque sei que Sucre também é capital. Uma é administrativa e outra política, eu sei lá, o que eu sei é que o Evo mora aqui (até topei com ele hoje, mas isso é outra história).

Chegamos em La Paz, toda a trupe, e pegamos um táxi para a rua Sagarnaga. O Frans tinha dado risada quando perguntamos onde ficava a "feira das bruxas", como os brasileiros a chamam, e disse que o nome correto era feira da rua Sagarnaga (sagárnaga). Rodamos um pouco e encontramos hotel para todos na rua Illampu, dois quartos, um de 8 e outro de 5 pessoas que ficou para a gauchada. Os quartos eram no sexto e sétimo andar, o que nao fez diferenca na hora, já que havia elevador, mas faria depois. De uma maneira geral nao era uma espelunca muito melhor do que as outras, mas a promessa era de banho quente. O problema é que mal chegamos e já ouvi um BUM no banheiro. O chuveiro estourou e chamuscou até o teto. Tive que tomar banho no outro quarto, mas, incrivelmente, o pessoal do hotel consertou a ducha no mesmo dia.

Fomos almocar num restaurante cubano. Depois do banquete que tinha sido o rodeo em Santa Cruz de la Sierra, estávamos a uns 2 dias sem botar algo decente na barriga. Eu pedi um pollo enrolado. A comida era boa mas seria natural prever que um restaurante cubano na bolivia teria um tempero estranho pra gente. Desceu que parecia um tijolo, e eu ainda por cima pedi uma Paceña bock que era mais forte que a normal e me deu uma baita dor de cabeca.

Na primeira noite, saímos para conhecer La Paz. A Gabriela, outra vez, deu trabalho. Achou que tinha perdido o dinheiro e tivemos que voltar correndo para o hotel procurar. O problema é que voltamos correndo, na subida, e daí o pessoal sentiu o peso da altitude boliviana.

Pode ser só pressao psicologica, nao sei, mas a altitude teve alguns efeitos em mim como uma dificuldade em me recuperar depois de um esforco físico como subir uma ladeira correndo. Voce fica ofegante e parece que nao se recupera. O ar nao vem. Mas depois passa. A Gabriela achou o dinheiro e voltamos para a cidade.

Boa parte do comércio fica aberto até tarde da noite. A feira das bruxas na verdade nao ocupa só a rua sagarnaga, mas parece que a cidade inteira. Por todo o lado sao cholas vendendo de tudo - luvas, gorros, lembrancas, colares, frango, pilhas - em qualquer cobertor estendido na calcada, de um modo que faria qualquer camelo brasileiro se sentir balconista da Daslu.

Pausa para explicar o que é uma chola. Uma chola, uma cholita, é aquela boliviana tradicional, gorda, com umas 500 camadas de roupa, cara de índia, dente de ouro, tecido colorido amarrado nas costas e chapeuzinho. Sao figuras mais exóticas que agradáveis, e elas nao sao exatamente bem-humoradas. Acontece de tirarmos fotos no onibus com elas dentro e elas nao gostaram nada. Sao meio porcas, eu nao sei. Sao estranhas. Mas parece que sao respeitadas.

Andamos pelo mercado até a Plaza Murillo, que é onde fica o Palácio Presidencial, uma lanchonete, uma fonte e um cinema onde estava passando Madagascar 1. O Evo, evidentemente, nao deu a menor pelota pra gente, desfrutando do seu sono presidencial protegido pela guarda do castelo. Parei na lanchonete para tomar um suco de laranja e mandei um expetacular "jugo de naranja" que foi entendido de primeira!

Rodamos, rodamos, rodamos. A cidade agitada a noite, as pessoas comprando e vendendo no calcadao, as pessoas comendo na rua. Os cachorros bolivianos que parece que nunca estao a toa, mas andam sempre omo quem tem compromisso. Os cachorros de rua bolivianos sao espertos, peludos e fortes, ao contrário dos peruanos que sao uns tontos. Acho que como tanta gente come pollo na rua, deve obrar muitos restos para os perros.

Na hora de voltar nos perdemos pelo labirinto de ladeiras que é La Paz. Por sorte, eu, JUSTO EU, me lembrava do nome da rua do hotel, calle Illampu, e salvei a lavoura. Chegando no hotel, a surpresa: lembra daquele elevador que ia direto até o sexto andar? Pois é, ele só funciona até as 10 horas. E toca subir de escada os 6 andares e morrer lá em cima, escorado na parede, procurando o ar. E no dia seguinte nós iríamos subir ainda mais alto. MUITO mais alto.

Rogério no restaurante cubano em La Paz com as bandeiras de Cuba e da Bolívia