quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

CAP III - Santa Cruz de la Sierra

Ainda no Peru, agora em Cuzco, e sem acento.

Descemos na estaçao bimodal de Santa Cruz de la Sierra, que além de ferroviária é também rodoviária, e imediatamente fomos procurar passagens para o próximo destino: La Paz. Alguns do grupo tomaram a dianteira na negociaçao e logo de cara já soubemos da notícia de que a estrada para La Paz estava interditada por causa de deslizamentos, da chuva, de sei lá o que. Os onibus estavam cancelados e a estrada só deveria ser liberada em uns 3 dias.

Ai ai ai.

Procuramos uma soluçao. Primeiro pensamos em seguir para o aeroporto e ir de aviao para a capital. Chegou a noticia de que isso ficaria por volta de 100 dólares. Era caro, mas nao havia outra maneira, ou havia? Perai, havia sim! A estrada alternativa.

Com os deslizamentos na estrada nova, o governo liberou o uso de uma estrada antiga que estava bloqueada, acho que por nao ser exatamente segura. Se as estradas novas na Bolivia já nao sao essas coisa, imagine o que eles chamam de "estrada pouco segura". Mas o grupo se fechou e encarou. Compramos a passagem para depois do almoço, direto para La Paz. Ainda era cedo e fomos passear um pouco.

Saímos da estaçao. A primeira coisa que te chama a atenaçao na Bolivia é o transito. Um caos. Ninguém respeita nada, nao existe sinalizaçao, semáforo. Tudo se resolve na buzina. Nao se passa 10 segundos sem que alguém de uma buzinadinha pra indicar que vai virar, que vai passar, que vai parar. Buzinam pra tudo. Sobre a caçamba de um caminhao, um pessoal fazia um comício pela aprovaçao das mudanças constitucionais que serao votadas no dia 25 - coisas do Evo Morales. No geral, a cena é a de uma cidade pobre. Tudo na Bolívia parece mal feito, inacabado. Em muitos lugares nao há calçadas, todas as lojas sao pequenininhas, apertadinhas, feinhas, desde o guiche das empresas de onibus até os hotéis. Muita sujeira por todo o lado, água suja escorrendo. Causa um certo impacto.

Atravessamos a rua e entramos em um albergue para tentar tomar um banho. Eu havia tomado no dia anterior, um banho frio na rodoviária de Corumbá, mas tinha sido o único. Alugamos um quarto por algumas horas. O banheiro era coletivo, frio e com baratas, mas depois de 16 horas no trem da morte era um paraíso. E eu ainda encontrei alguns pesos bolivianos esquecidos na pia.

Banho resolvido, saí para comprar outra mochila de ataque (nao a grande, a pequena), já que a que eu havia levado tinha terminado de desintegrar no trem. Segunda liçao boliviana: aqui se pechincha pra tudo. Logo na saída doalbergue havia uma loja com umas mochilas penduradas. Eu perguntei o preço de uma - 40 bolivianos. Tá bom, vou levar. 35 para usted, respondeu a lojista. Ela tinha tanta certeza que eu iria chorar o preço que deu o desconto no piloto automatico, sem eu nem pedir.

Banho e mochila ok. Faltava o almoço. Pegamos algumas indicaçoes e fomos em um restaurante chamado Rodeo onde tivemos um dos melhores almoços da viagem: um churrasco argentino com uma salada boa e um arroz intragável que parecia sopa (a primeira das nossas surpresas com a peculiar cozinha boliviana). Pra coroar, tomamos muitas Paceñas geladas, a cerveja boliviana, muito boa por sinal.

Demos uma volta e chegamos atrasados à rodoviária. Mesmo que o onibus saísse 2:30, eles queriam que tivéssemos chegado meia hora antes. O homem que nos vendeu as passagens estava furioso com a gente e de cara já avisou que o onibus nao iria mais direto para La Paz, mas só até Cochabamba, pela estrada alternativa. Nos cobrou 80 bolivianos pela viagem e nos meteu dentro do onibus onde havia, uai, uma equipe de televisao fazendo entrevistas.

O que eles entrevistavam eu conto depois.

Hasta lluego.


Pessoal no Rodeo. Arroz intragável, churrasco maneiro e Paceña gelada.