domingo, 28 de dezembro de 2008

Museu do Futebol

Adoro o jeito como vivo a cidade de São Paulo. Adoro vir para cá nas férias, aproveitar tudo o que a cidade tem de legal (ok, não tudo porque é muita coisa), assim como adoro ir embora uma semana depois. Mas entre as alegrias da chegada e da partida, dessa vez, a agenda está bastante interessante (nem me lembre que minha última visita foi para ver a "Bienal do vazio"...). Tem a São Silvestre e depois, se as pernas deixarem, concerto da Osesp na Sala São Paulo. Coisa boa! E teve ainda a visita ao Museu da moda na cidade, o Museu do Futebol.

Eu já tive algumas crises do tipo "tanta coisa importante no mundo e eu perdendo tempo com futebol" ou "o futebol não resolve a fome das criancinhas da África" ou o mais clássico "futebol é o ópio do povo". Nessas horas eu buscava consolo nos intelectuais-conscientes-respeitáveis que jogavam qualquer respeitabilidade pros ares quando o assunto é futebol, como o Chico Buarque, por exemplo. De qualquer forma, todas as minhsa tentativas de abstenção futebolística acabavam no domingo seguinte, na hora do jogo. Eu adoro futebol, dane-se.

E pra quem adora futebol, o Museu do Futebol é uma orgia de sensações. O Museu lembra um pouco o Museu da Língua Portuguesa mas acho que não chegou no mesmo nível. Mesmo assim é muito bom (a logomarca, por exemplo, é genial, e olha que eu sou chato pra essas coisas). Logo de cara fiquei feliz ao ver em um quado o escudo da Prudentina, o time antigo de Prudente que disputou alguma coisa lá pelos anos 60 e depois acabou. Depois tem vídeos, a história das copas, curiosidades, gols, defesas, dribles. É Pelé dando soco no ar, Garrincha dando voltas por todo o lado, Ronaldinho Gaúcho tridimensional e até o Rogério Ceni fazendo gol de falta. Tem Zico, Sócrates, Rivelino, Jairzinho, Friederich, Leônidas. Uma festa! E no final ainda tem uma decepcionante lojinha que vende mais coisas do Arsenal e do Milan do que do São Paulos e do Corinthians.

É claro que um museu como esse pode ser tão estupendo como entediante, depende de quem olha. Por isso, escolhi a melhor companhia possível para o mergulho: meu avô. Mesmo ele sendo corinthiano, na família é ele, além de mim, quem mais acompanha e gosta do esporte, além de ter visto quase todos aqueles momentos pessoalmente. Num vídeo do Maracanazzo de 50, perguntei a ele: onde você estava nesse dia? Ele respondeu: eu estava num bailinho! Quando saí todos falavam: gol do Uruguai. O povo chorava. Foi uma tristeza...

Meu avô no Museu do Futebol. Ao fundo, Bellini ergue a Jules Rimet.