terça-feira, 4 de novembro de 2008

Eleições Americanas

Os EUA são realmente um país estranho. Acho que, por exemplo, só quem é amerciano entende como é essa coisa de ser um país formado por estados que tem leis diferentes, sendo que o que é crime em um não é crime no outro, o que pode em um não pode no outro, uma confusão. Mas nada se compara ao rolo das eleições presidenciais americanas que, por acaso, estão acontecendo neste momento.

A eleição, por si só, já é um troço peculiar, que faz o voto partidário brasileiro parecer a coisa mais óbvia do mundo. Em vez de todo o mundo votar pra presidente, na verdade cada um vota para eleger os delegados do seu estado que vão compor um colégio eleitoral que, este sim, elegerá o presidente. Mas ainda está muito simples. Pra complicar, cada estado tem dirreito a eleger um determinado número de delegados, ou seja, quem pode mais manda mais, e chora menos (bem ao estilo americano).

Ainda tava muito simples. Então, cada estado resolveu eleger seus delegados de um jeito. Em um, o candidato mais votado fica com todos. No outro, os delegados são divididos conforme o percentual de cada candidato. Pra piorar, cada estado vota como quer e quando quer. É voto por fax, por email (como pode isso?), pelo correio, voto fora de hora, voto em urna eletrônica, em máquina velha e em papel. Sessão eleitoral? What is this? Por lá o pessoal arma as urnas na garagem e fica a fila na porta. Quatro, cinco horas pra votar. E aqui no terceiro mundo eu não levei meia hora pra ir e voltar, isso porque fui a pé e tava chovendo.

Não satisfeitos em votar na mesma eleição para Presidente, deputado, senador, xerife e uns cargos bem esquisitos, ainda aproveitam para fazer plebiscitos: O casamento gay deve ser proibido na Califórnia? A corrida de cachorros deve ser proibida em Maryland? O que esperar de um povo que faz plebiscito para decidir sobre o futuro das corridas de cachorro?

Moral da história. A maior potência do mundo tem um sistema eleitoral que é uma zona. Imagina se isso fosse no Brasil.... Ah, esse paisinho de terceiro mundo, iam dizer...

ps. Obama acaba de levar. Pelo menos isso.