segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O ano que não terminou.


Nos meus 45 minutos (quase) diários de fisioterapia, para fugir da televisão que hipnotiza os demais acidentados (Ana Maria Braga ou Sessão da Tarde), armei-me de uma boa leitura para encarar a sessão de podochoque (como batizei os choques que eles dão no meu pé) de maneira menos entediante. A escolha foi boa e, assim como a fisioterapia, tem tudo a ver com choque.

A dupla de livros "1968 - O ano que não terminou" (1988) e "1968 - O que fizemos de nós" (2008) do Zuenir Ventura foi dica da Camilla e estava em promoção no Submarino, numa caixa bacana acomodando a dupla. Mandei vir. Ótima leitura, prende a gente.


1968 foi um ano importante para o mundo, a começar pela França onde os estudantes saíram às ruas para protestar contra uma coisa qualquer da universidade e acabaram protestando contra tudo e contra todos, por todos os tipos de liberdade, principalmente, é claro, a sexual. Tá, minha descrição do 68 francês foi bizonha, mas tudo bem.


O fato é que, no Brasil, o bicho pegou também. A ditadura militar instaurada em 1964 dava sinais de desgaste, os partidos comunistas se articulavam, os artistas se agitavam e o movimento estudantil bombava. Os estudantes da esquerda da USP entravam em confronto com os direitistas do Mackenzie no meio da rua. Roda Viva, passeata dos cem mil, congresso de Ibiúna, tropicália, atentados militares e, em dezembro, o AI-5 - estava instaurada a repressão e a censura no Brasil.


Os líderes dos então "rebeldes" tornaram-se nomes importantes do país (alguns já eram importantes), até hoje. José Dirceu, Franklin Martins, Fernando Gabeira, Hélio Pellegrino, Ziraldo, Millôr Fernandes, Caetano, Chico Buarque, Gil, Fernando Henrique, José Serra, José Celso Martinez, Heloísa Buarque, César Benjamin, Betinho, etc., etc., etc.. No segundo livro, o Zuenir analisa o que mudou de 1968 para 2008 (o comportamento dos jovens, o sexo, a política...) e vai atrás de algumas dessas pessoas para perguntar o que se fez daqueles ideais.


Boa pedida.