domingo, 31 de agosto de 2008

Segredo

Metade de mim constrói segredos
Enquanto a outra metade os destrói.

Metade de mim inventa histórias
Enquanto a outra metade as lança na fogueira.

Justo eu, que já nem sei o que vivi e o que inventei,
Que não distinguo mais lembranças de desejos. Não importa.
Passo com o trator sobre o joio e sobre o trigo
Até que a terra infértil e arrasada
Seja o último segredo do meu coração.

sábado, 30 de agosto de 2008

Diálogo

- E quem disse que mulher não pode trabalhar fora?

- Não pode ué. Não pode e pronto. Minha mãe não trabalhava...

- Mas a minha sempre trabalhou e nunca teve problemas.

- E quando você chegava em casa o almoço nunca tava pronto.

- Não é verdade...

- É verdade sim. E além disso, a mulher ganha muito menos que o homem, pra você ver que lugar de mulher é em casa...

- Ao contrário. Hoje as mulheres são muito mais capacitadas do que os homens pra trabalhar. Você vê nas universidades, só tem mulher estudando...

- A mulher é mais inteligente mesmo. Mas a mulher nasceu pra ser mãe, pra cuidar da casa, cuidar dos filhos...

- Temos dois braços e duas pernas como vocês. Um homem também pode aprender a passar a roupa, a varrer a casa, a desentopir a pia...

- Jamais!

- E um homem pode cuidar dos filhos tão bem quanto uma mulher. Tem um monte de crianças que moram só com o pai. Tem crianças agora que tem 2 pais e nenhuma mãe... E todas sobrevivem...

- Não é o que eu fiquei sabendo...

- Amamentar tudo bem. Mas trocar fralda todo o mundo pode.

- Você ia ficar uma graça de avental. Um marmanjo desses...

- Ponho avental, faço a janta, troco fralda. Arrumo tudo. E quando você chegar terá comida quente e o seu licorzinho te esperando. Querida, você vai aceitar o emprego sim, vai trazer comida pra casa e eu trato de cozê-la. Serei o rainho-do-lar. Eu já escrevi até uma carta de demissão pro chefe, ouve só...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Sonhos

Às vezes tem coisas, idéias fixas, que nos perseguem.

Tenho tido sonhos estranhos. Eu, que não costumo lembrar dos meus sonhos, e nunca tenho pesadelos. Agora, pelo visto, passei a ter.

Pesadelo número 1: um carro velho e dourado-escuro avança lentamente por uma estrada onde está muita gente. Um pouco a frente, no acostamento, há um bebê com a cabeça na estrada. O bebê é, na verdade, uma boneca, negra, mas está vestido com um bebê de verdade. O carro vai avançando lentamente e eu calculo que vai atropelar o bebê. Êu e outras pessoas batemos no capô, pedindo para que o carro pare. Batemos desespetadamente.

Pesadelo número 2: um homem está deitado na areia, numa praia, e outras duas pessoas estão ao seu lado. Uma dessas pessoas empurra o homem deitado pra baixo da areia, e não só ela afunda como abre um enorme buraco que começa a sugar tudo o que está em volta. Inclusive eu, é claro.

Tem outros, mas nem sempre me lembro. Ou me lembro, e depois esqueço. Hoje mesmo tive um pesadelo, mas não consigo me lembrar.

De qualquer forma, estava olhando postagens antigas do outro blog e encontrei uma história, também sobre um sonho, mas melhor. Uma frase que havia sonhado, e que havia permanecido na minha memória depois da amnésia tradicional causada pela escova de dente. A frase era assim:

Se os mercadores fossem curiosos, fariam a rota da Noruega, e não entre São Paulo e Paris, como são todas as rotas de mercadores.

Enfim...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Floripa

Fui viajar! Tive duas reuniões em Florianópolis, uma na sexta e´uma na segunda, com um conveniente fim de semana entre elas. Mas não se animem, o tempo estava péssimo e nem deu praia.

Se a cidade de São Paulo é, para mim, como um pai, Prudente é como uma mãe e Londrina é a primeira namorada. Agora, Floripa é aquela mulher maravilhosa e intangível que, um dia, sem mais nem menos, resolve te pegar numa festa. E é fantástico...

Foi uma viagem bem curiosa, cheia de encontros. De reencontros com pessoas queridas. Entendi que, no dia da minha defesa da dissertação, que deve ser em outubro, vai acabar um capítulo da minha vida que começou no dia 28 de fevereiro de 2006, o dia em que cheguei em Florianópolis com duas malas e um violão, sem conhecer ninguém, sem casa, sem nada. Mesmo depois, voltando para Prudente, trocando de emprego, e todas as outras coisas que vivi nesse tempo, fizeram parte de um mesmo ciclo que agora chega aos finalmentes.

Um novo capítulo se abrirá, e essa minha viagem abriu a última folha deste que se encerra. O reencontro com Florianópolis. Tá, não deu pra reviver o turbulento romance com essa mulher maravilhosa.

Mas deu pra lembrar do perfume.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Piada pronta

Como diz o José Simão, o Brasil é o país da piada pronta. Depois do padre irlandês agarrar o Wanderlei Cordeiro em Atenas - 2004, os chineses somem com a vara da Fabiana Murer! Justo a vara, esse elemento tão de duplo sentido e com tanta margem pra piadinhas de bar.

Convenhamos que perder uma vara de 4 metros e meio não é uma coisa fácil. Não é como perder uma bolinha de pingue-pongue, uma chuteira. Enfim, não se perde uma vara dessas no meio da bagunça ou no bolso da mala. Agora, o que me incomoda é o seguinte: se os chineses que são um exemplo de organização conseguiram perder uma vara do salto-com-vara, se a olimpíada fosse no Brasil iam perder um cavalo, um barco ou, pior, ia sumir um atleta.

sábado, 16 de agosto de 2008

Mudança de Planos

A minha expedição para a Europa foi adiada. Um problema principal: o frio do inverno europeu entre dezembro e janeiro. Mas não desanimei. A Europa fica pro meio do ano que vem e, de repente, mudamos o roteiro do fim deste ano.

Seria uma boa. Em primeio lugar, eu teria uma experiência com uma viagem mais longa como esta, que nunca fiz, em uma tentativa mais barata e menos arriscada. Queimei a cachola e o destino substituto me pareceu bastante óbvio: Machu Pichu. Até falei com algumas pessoas que se animaram em ir também. Espero que alguma delas vá mesmo.

Começo a pesquisar as possibilidades, mochileiros, guias, dicas. Impressionante como esse pessoal é organizado. Encontrei planilhas de viagem detalhadas, com cronogramas, preços, locais, tudo certinho. E nem poderia ser diferente. Tanto antes como durante a viagem, a organização do viajante edve ser fundamental.

Eu, como sou esse poço de desorganização e falta de planejamento, já imagino a merda que essa história vai dar...

Continua bem!
















Continua bem os jogos pequineses! Do lado esquerdo a Talita do vôlei de praia e do lado direito a "tar" da Yelena Isinbayeva, ou algo assim, que além de ostentar um belo par de olhos azuis, ainda bate o record mundial a cada 15 dias. Deus é um bom artesão, mas é mesmo injusto...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Brasil Feliz

Um dia desses vi no UOL algumas imagens do jogo de videogueime oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim. Eram imagens como esta aqui ó:




O jogo parece ser bobinho, como são bobinhos esses jogos de olimpíadas, mas uma coisa me chamou a atenção. Quem está lá, bem sobre o ombro direito do ginasta? A bandeira do nosso Brasil-sil-sil, e, repare, de ponta cabeça! Em todas as imagens do UOL, pelo menos, o pendão da esperança aparece assim, com o PROGRESSO vindo antes da ORDEM, o que não deixa de ter sua verdade.

No entanto, a monstruosa comida de bola por parte da SEGA não me deu aquele tradicional sentimento tupiniquim-ofendido. Na verdade, gostei da bandeira assim. Além da inversão do lema maçônico, a bandeira agora carrega um sorriso simpático e jovial. Deixou de ser européia e, agora sim, finalmente, brasileira!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Festivais

Um dia desses, um amigo meu me fez a seguinte pergunta: se eu pudesse voltar no tempo para assistir qualquer acontecimento histórico, qual evento escolheria.


Ele é ateu (mas já foi católico, agnóstico, budista, etc.), e eu sou cristão-católico (ultimamente mais cristão que católico), mas a minha resposta não teve nada a ver com isso. Como entendi que se tratava de viver em uma época, e não visitá-la apenas, já eliminei todos os anos antes da anestesia (não me agrada a idéia de viver antes da anestesia). Restou-me o século XX, praticamente, e, ora, acabei escolhendo por voltar no tempo para assistir aos festivais de música Record nos anos 60.


Ele ficou meio surpreso (ok, pode parecer uma escolha idiota - mas não é), e disse que ele mesmo voltaria para assistir a crucificação de Jesus para saber se as coisas aconteceram realmente como consta na Bíblia. Sugeri que voltasse então para assistir à Ressurreição, uma vez que a crucificação propriamente dita não tem tanta importância assim, mas ele disse que não acreditava na segunda e preferia conferir a primeira. Tudo bem.


Mesmo assim, é interessante que o meu cristianismo não me interesse a voltar a este dia mais do que aos festivais da Record, enquanto o ateismo dele seja até mais curioso. De qualquer forma, não consegui chegar a nenhuma conclusão sobre isso, e também nem era a minha intenção...


E eu ainda preferiria os festivais da Record.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Email

olá rogerio,

vi seu nome em uma lista de corpo docente em um site de design de interiores, e acho que você pode me ajudar, sou estudante de design e preciso de uma ajuda para concluir um trabalho. se possível me ajude, agradeço desde já. ....

"Em poucas palavras me fale sobre:

memoriais-

especificaçoes e indicaçoes-

ergonomia-

autocad/3d-

segurança- " ...

obs: definiçoes das palavras no design de interiores.

resposta: ????????

Pesadelo

Hoje eu tive um pesadelo tão horrível

que nem vou contar, para não assustá-los...

sábado, 9 de agosto de 2008

Começou bem!

As olimpíadas não começaram nada mal com o vôlei feminino de Itália e Russia. Destaque para Francesca Piccinini (foto), que bate um bolão, sem dúvida. Depois, E.U.A e Japão não mantiveram o nível, mas também não foi ruim...

Até no mal-fadado e desfavorecido esteticamente time de futebol feminino do Brasil já apareceu uma jogadora bem bonitinha dando entrevista. Mas eu não sei o nome dela.

E claro, há sempre a decepção da ausência das gêmeas do nado sincronizado... Fica pra Londres -012...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Enforcamento de aula ornamental

Diálogo com meus alunos na faculdade:

- Professor, o senhor vai dar aula na sexta-feira?

- É claro, por que?

- Nós queremos ver a abertura das olimpíadas.

- A aula é mais importante. Olimpíada tem de 4 em 4 anos. A aula da sexta-feira será única!

Surpresa boa...

Coisa boa reencontrar pessoas importantes... Eu que ainda tenho tantas pessoas importantes pra reencontrar.

Mas eu chego lá!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Diálogos

Diálogo com um senhor na fisioterapia:

- A polícia desarma o povo mas nunca que tira essa arma que você tem aí.

- É verdade.

- É a bíblia que você tá lendo né?

- Não, é Guimarães Rosa.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O ano que não terminou.


Nos meus 45 minutos (quase) diários de fisioterapia, para fugir da televisão que hipnotiza os demais acidentados (Ana Maria Braga ou Sessão da Tarde), armei-me de uma boa leitura para encarar a sessão de podochoque (como batizei os choques que eles dão no meu pé) de maneira menos entediante. A escolha foi boa e, assim como a fisioterapia, tem tudo a ver com choque.

A dupla de livros "1968 - O ano que não terminou" (1988) e "1968 - O que fizemos de nós" (2008) do Zuenir Ventura foi dica da Camilla e estava em promoção no Submarino, numa caixa bacana acomodando a dupla. Mandei vir. Ótima leitura, prende a gente.


1968 foi um ano importante para o mundo, a começar pela França onde os estudantes saíram às ruas para protestar contra uma coisa qualquer da universidade e acabaram protestando contra tudo e contra todos, por todos os tipos de liberdade, principalmente, é claro, a sexual. Tá, minha descrição do 68 francês foi bizonha, mas tudo bem.


O fato é que, no Brasil, o bicho pegou também. A ditadura militar instaurada em 1964 dava sinais de desgaste, os partidos comunistas se articulavam, os artistas se agitavam e o movimento estudantil bombava. Os estudantes da esquerda da USP entravam em confronto com os direitistas do Mackenzie no meio da rua. Roda Viva, passeata dos cem mil, congresso de Ibiúna, tropicália, atentados militares e, em dezembro, o AI-5 - estava instaurada a repressão e a censura no Brasil.


Os líderes dos então "rebeldes" tornaram-se nomes importantes do país (alguns já eram importantes), até hoje. José Dirceu, Franklin Martins, Fernando Gabeira, Hélio Pellegrino, Ziraldo, Millôr Fernandes, Caetano, Chico Buarque, Gil, Fernando Henrique, José Serra, José Celso Martinez, Heloísa Buarque, César Benjamin, Betinho, etc., etc., etc.. No segundo livro, o Zuenir analisa o que mudou de 1968 para 2008 (o comportamento dos jovens, o sexo, a política...) e vai atrás de algumas dessas pessoas para perguntar o que se fez daqueles ideais.


Boa pedida.

domingo, 3 de agosto de 2008

Quintan(ilh)a

Reserva um lugar aos teus fantasmas,
Não deixe que se escondam sob a mesa.
Melhor tê-los por perto, mas em calma
Do que um dia ser pego de surpresa.