terça-feira, 8 de julho de 2008

90 minutos

O amor é como uma partida de futebol, tem começo e fim. Um jogo de futebol tem o aquecimento, tem a entrada no gramado, mas só começa quando o juiz apita. O amor também tem seu instante, o amor não "vai começando". O amor começa de repente, num apito, e rola a bola.

Não confundir o início do amor com o início do namoro, da pegação, do beijo, sei lá. Não tem nada a ver uma coisa com a outra e os atacantes podem chutar a gol desde o aquecimento bem como podemos passar muitos minutos na retranca antes de arriscar um ataque. Nem tão pouco o amor já começa avassalador. Pode até ser, mas a questão é que num certo momento ele passa a ser instantaneamente inevitável.

Tive um amor que começou na porta do cinema (na porta mesmo, não entramos), um outro numa festa junina, num ponto de ônibus, numa conversa dentro do carro. Tudo isso fiquei sabendo depois. Nem sempre quando o juiz apita o começo do amor a gente entende na hora, e aí só pode ouvir o apito em perspectiva. Mas não faz mal, tem jogador que também demora um tempo pra perceber que o jogo começou. De qualquer forma, mesmo não percebendo, o amor já estava lá, a bola já estava rolando.

Mas, assim como começa, termina também num instante. Numa carta rasgada, durante o banho, numa festa, num ônibus voltando do teatro. O amor, que antes fora inevitável, agora passa a condenado. É o apito do fim de jogo. É claro que, quase sempre, há ainda alguns minutinhos de acréscimo dado pelo juiz, mas numa hora dessas é muito difícil virar um jogo perdido...