segunda-feira, 16 de junho de 2008

Consultoria psico-futebolística

Como eu definitivamente não entendo a vida, as coisas e as pessoas, costumo reduzir tudo a um jogo de futebol. Não que eu entenda de futebol, mas se eu fosse esperar alguma coisa que realmente entendesse para fazer as minhas metáforas, bom, não faria metáfora nenhuma. O fato é que se existem diferentes tipos de jogadores e diferentes tipo de pessoas, é óbvio que deve haver uma relação direta entre essas duas classificações (óbvio...).

1 - O zagueiro esforçado: Sabe aquele cara errado e desproporcional? O sujeito que já rodou por todas as posições e não dá certo em nenhuma, mas que gosta tanto de jogar que acaba sobrando pra zaga. Ninguém liga muito pra ele, mas às vezes acaba sendo de uma segurança surpreendente. São aquelas pessoas grandes e bem humoradas, meio aéreas, mas bons amigos, companheiros. No entanto, é bom tomar cuidado, porque todo o zagueiro um dia dá o seu pontapé. A encarnação desse personagem é o Júnior Baiano, que é um "zagueiro esforçado" tanto em campo como na vida.

2 - O volante incansável: O volante é o administrador do time. Esse é o cara que realmente carrega o piano. Normalmente é um sujeito discreto, não aparece muito, mas faz o trabalho de formiguinha. Progride facilmente na vida mas não ser craque na Espanha, ou na Itália, e ao invés disso vai carregar o piano no Qatar, no Japão ou, no máximo, na Alemanha. Trabalha feito um maluco, casa-se, tem filhos, tudo nos conformes, forma família, trabalha mais, carrega piano, nasce, cresce, reproduze-se e morre. O bom é que, como trabalha muito e é um notório muquirana, pode acabar ficando rico.

3 - O craque de uma jogada só: Essa espécie tem 2 subespécies, mais ou menos como os cães pastores podem ser pastores alemães, pastores belgas, ou uma mistura. No geral, o craque de uma jogada só é o cara que tá sempre em campo, mas sempre sumido, invisível, desaparecido. A torcida vaia, todos querem a cabeça. Daí de repente o sujeito pega a bola, dribla todo o mundo e mete no ângulo, um golaço tão lindo quanto raro que, como um eclipse, não vai se repetir durante muito tempo. É aquele seu vizinho anônimo, meio transparente, mas que de repente virou presidente de multinacional, passou na medicina da USP ou pegou a mulher mais gata da cidade. Isso acontece, ou porque o cara é um gênio preguiçoso, ou porque é um grosso incrivelmente sortudo, e essas são as subespécies, mas na prática se dividem entre os que decepecionam o muito que se espera deles e os que surpreendem o nada que sería previsível.