domingo, 25 de maio de 2008

A volta do irmão do irmão do Henfil


Um dos livros que mais me surpreendeu (positivamente) foi Diário de um Cucaracha do cartunista brasileiro Henfil. O Henfil é aquele mesmo da música que sonha com a "volta do irmão do Henfil" e o "irmão do Henfil", no caso, é o sociólogo Herbet de Souza, o Betinho (que depois ficou célebre pela campanha do Natal sem Fome). Tanto o Henfil como o Betinho eram hemofílicos e ambos morreram de AIDS, ainda jovens, contaminados nas constantes transfusões de sangue que precisam fazer por causa da hemofilia.

Mas sobre o livro: é um apanhado de cartas escritas no início dos anos 70 pelo próprio Henfil que havia ido tentar a sorte nos EUA por dois motivos: tratar-se da hemofilia e divulgar mundialmente os seus personagens. Não vemos as respostas, apenas as cartas enviadas dos EUA para o Brasil e aos poucos estas cartas vão tecendo a aventura americana do cartunista.

No início tratam da chegada nos EUA. Tentando aprender o inglês, entra em contato com brasileiros e fala sobre suas impressões sobre o povo amerciano - a sociedade, os guetos, o racismo. Tenta justificar a ambição de fazer sucesso nos EUA - já era consagrado no Brasil, trabalhando em diversos jornais e no Pasquim - e reproduz no livro uma entrevista dada aos companheiros de Pasquim - Ziraldo, Millôr Fernandes, Jaguar, etc. - onde explica sua decisão.

Conforme o diário vai se desenvolvendo, deixa de ser um blog e vai virando um romance.

Conseguirá Henfil publicar nos EUA e se tornar mundialmente famoso? Como os americanos receberão os personagens Fradim, Graúna, Zeferino? O nosso talentoso herói latino conseguirá vencer no mercado americano onde apenas os melhores sobrevivem? Conseguirá o Fradim bater o Pato Donald?

Como eu nasci em 1981, pude ler o "romance" sem saber o final da história...