sexta-feira, 23 de maio de 2008

Jefferson Péres

Hoje faleceu um dos poucos políticos que mereciam algum respeito, o senador Jefferson Péres. Não sei muito sobre a sua biografia, mas eu me lembro bem dele em dois momentos.

No caso mensalão - cujos depoimentos eu acompanhei como se fosse uma novela - no auge da desgracera, acho que durante um depoimento do Roberto Jefferson, não tenho certeza, os deputados e senadores costumavam fazer perguntas cada vez mais longas e mais burras, só para aparecerem bastante tempo na televisão. Quando chegou a vez do senador Jeferson Pérez, ele estava abatido, desanimado e incrédulo. Pegou o microfone e citou a letra de um fado da Amália Rodrigues. "Tudo isso existe, tudo isso é triste, tudo isso é fado" e completou "eu não quero perguntar mais nada não". Perguntar o que? Tava tudo óbvio ali, todo o esquema, todo o mundo sabia de tudo, não tinha mais o que perguntar, só lamentar.

Tempos depois ouvi um discurso seu no senado. Estavam aprovando uma lei tal que eu não me lembro, mas ele disse mais ou menos isso: estava com setenta e tantos anos e que era seu último mandato. Estava livre de agradar ao eleitorado, mas tinha que respeitá-lo, e podia dizer o que pensava - que o povo brasileiro não sabia votar, que votava errado, que isso, que aquilo, blá blá blá, descascou a alma dos senadores, falou tudo o que a gente tem vontade de dizer. Talvez tenha sido na volta do Collor ao senado - na saída da Heloísa Helena - será? Minha mente que reconstrói o passado gosta de pensar que sim...

Enfim, agora o senador vai cantar fado em outras pradarias. Tomara que ele vá pro céu e que Deus não tenha condenado todo o senado ao inferno coletivamente, mas que analise caso por caso. Esse não merecia...

ps: Não era a cara do Beavis?