domingo, 18 de maio de 2008

Caso de Passarinho

Estava em uma sala na universidade quando pela janela basculante entrou um passarinho. Uma andorinha, disseram. É difícil para qualquer pássaro sair por uma janela basculante. Eles não sabem fazer o movimento de descer e subir, aliás, ter que descer para depois poder subir novamente é um movimento que a gente também costuma não entender mas enfim. O fato é que a andorinha entrou na sala e não podia sair. Pousou numa calha e dava voltas, fazia evoluções. De vez enquando olhava o céu, mirava as nuvens e POW, se estatelava no vidro.

Do lado de fora apareceu uma outra andorinha. Piava do lado de lá. Voava em frente da vidraça. Vem pra cá! Mas mesmo assim, a primeira não achava a saída. Voa daqui, vao de lá e, lógico, não só a primeira não saiu, como a segunda andorinha entrou também. Era menor do que a outra. Alguém disse que eram um casal e que a segunda era a fêmea, primeiro porque era menor, segundo porque um macho não se sacrificaria assim...

Machismos e feminismos a parte, fui embora e deixei as duas andorinhas lá. Abri todas as janelas, repeti algumas vezes, desce e sobe, desce e sobe, desce e sobe, e deixei as andorinhas na sala. Voltei no dia seguinte. Havia cocô de passarinho nas mesas e apenas uma andorinha havia sobrado. De olho, achei que era a menor, a segunda, suposta fêmea. Abandonada, coitada. Uma andorinha só que, como se sabe, não faz verão.