quinta-feira, 13 de março de 2008

A tela em branco

Talvez por empolgação, talvez por algum outro motivo, não sei, há anos minha mãe comprou uma tela maior do que o costume, de 60 por 80cm. Não é exatamente um mural de Rivera, mas é maior do que as telas pequenas que ela costuma pintar (quando pinta...). O fato é que a empolgação deve ter passado e o que restou foi a tela, a tal da tela, em branco.

Eu só pintei um quadro na minha vida. Ele se chama "Quadro de cachorro". Não porque eu tenha colocado esse nome, mas porque é assim que todo o mundo se refere a ele: aquele "quadro de cachorro". É um autêntico quadro gorilista, um movimento artístico que talvez não seja tão famoso assim já que eu sou o único membro mas que inclui poesia, literatura, pintura, arquitetura e culinária (especialmente pratos com banana). Vale a pena ressaltar que eu pintei o quadro com tintas ressecadas, pincéis duros e em uma tarde, simplesmente atropelando as cores porque não tinha paciência de esperar que secassem (a impaciência é uma característia do gorilismo). Ainda assim, mesmo com esse decepcionante currículum, herdei a tal tela em branco. "Pode pintar se você quiser".

Desde então, estabeleci com a tela, em branco, uma relação de vir-a-ser. Ela já foi tanta coisa na minha imaginação: já foi uma caricatura da Monalisa, já foi uma tela branca de Malevich, já foi uma espiral, já foi pregada, do avesso, na parede. No entanto, ela continua lá, no cavalete, até com o plástico de proteção!!! E nem tintas eu tenho!!! No entanto, todos os dias eu a vejo (ela fica ao lado da minha mesa de trabalho), e todos os dias ela se torna um futuro quadro diferente.

Talvez seja essa a melhor forma de ter vários quadros sem ter nenhum.

Mas, estou decidido a pintá-la. E começarei comprando pincel e tinta! E contarei a minha saga aqui no blog. Passo por passo. Aguardem!

Em breve postarei fotos do meu famoso "quadro de cachorro" que só eu e a Maria Lígia gostamos.

(continua...)