segunda-feira, 3 de março de 2008

A revolução dos bichos



Sabe aquele livro que sempre esteve na sua prateleira mas que sempre ficou pra depois? Tudo bem que o que estava aqui em casa estava todo usado, velho e capenga. Nada convidativo. Mas de qualquer forma, ele sempre esteve por aqui e eu nunca peguei-o para ler. Em uma viagem bem longa que fiz ano passado, a trabalho, passei (e esperei...) por aeroportos e rodoviárias. E não tem melhor lugar para comprar livros do que aeroportos e rodoviárias, vocês sabem... Então, em uma das paradas, entrei em uma livraria na estação e encontrei o tal livro da prateleira. Era a hora! Estou falando de "A Revolução dos Bichos" de George Orwell.

George Orwell é mais conhecido pelo "1984", que ficou ainda mais conhecido depois que o Grande Irmão, personagem do livro que controla toda a sociedade através de telas, câmeras e vigilância permanente até mesmo sobre os pensamentos, inspirou o Big Brother da TV. Porém, 1984 vai muito além disso e é um livro obrigatório.

A Revolução dos Bichos conta a história de uma fazenda onde os animais expulsam o chacareiro explorador e, sob a orientação de um porco sábio (personificação de Karl Marx), instalam no sítio um regime socialista.

Porém, depois de passada a revolução, intrigas políticas começam a dividir os animais. Em busca de poder, os líderes subvertem os princípios da revolução e passam a governar utilizando-se de mentiras, reconstrução da história, propaganda política, perseguições, autoritarismo e repressão, em nome dos princípios revolucionários. Uma caricatura da União Soviética stalinista.

George Orwell foi um socialista desiludido. Depois de apoiar a revolução na Rússia, passou a criticar as formas de governo que se estabeleciam de forma ditatorial e tanto A Revolução dos Bichos como 1984 tratam de a que tipo de futuro essa revolução levaria. Hoje, no século posterior, podemos comparar as previsões de Orwell com o que de fato aconteceu. No ano da renúncia de Fidel, vale a pena tirar esses livros da prateleira.