domingo, 8 de novembro de 2009

36'20''

Hoje de manhã corri 6 km (6K, como diria o Globo Esporte) na Corrida da Longevidade, um evento do Bradesco. Foi aqui no Parque do Povo mesmo, o lugar onde corro normalmente. Quase como o Flamengo jogando no Maracanã. Fiz um tempo melhor do que ano passado. Foram 36'20'' e pelo que me lembro fiz mais de 40 minutos anos passado, mas também não tenho certeza. De qualquer modo, não serve de comparação porque o percurso mudou um pouco, eu tomei um gel de carboidratos no meio da prova e dessa vez tivemos um tempo nublado e garoento em vez do Sol de rachar coquinho que estava no ano passado.


O engraçado é que no ano passado, da metade pra frente da prova emparelhei com um japonês. Um senhor já, de uns 50 anos. Vínhamos na mesma velocidade até uma última subida que havia no percurso antigo e que eu fiquei pra trás.

E não é que esse ano eu emparelho com o mesmo japonês? Viemos juntos mais ou menos o mesmo trecho, mas dessa vez fui eu que disparei na subida final. Não significa que eu esteja melhor, acho que ele é que estava pior. Além disso eu tomei o meu gel milagroso! Daí é nitro no motor.

Ah! Também assim como ano passado o primeiro queniano chegou quando eu não estava nem na metade da prova. Com 16 minutos eu já ouvi o tema da vitória tocando lá longe, quer dizer, já tinha africano chegando. Me lembrei da São Silvestre do ano passado. Quando cheguei na Paulista os africanos ja tinham ganho a prova, recebido o prêmio e o pódio já tinha sido até desmontado. Quem disse que a chegada da São Silvestre não é mais a meia-noite da virada do ano? A minha quase que foi...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Desenha-me um carneiro?

Neste final de semana fui ao Ibirapuera e dei com a cara na porta da Bienal de Arquitetura que ainda não estava aberta. Para não perder viagem fui à Oca e ao MAM, ali pertinho. Na Oca havia uma exposição sobre o Pequeno Príncipe. Era uma exposição infantil, mas como me interessava muito saber de que maneira eles estavam contando essa história, fui conferir.


O resultando não empolgou. Fiquei até meio decepcionado. A cenografia era um pouco simplista, um pouco óbvia demais. Haviam algumas projeções horríveis e mal feitas. Apenas uma delas tinha interatividade: uma projeção do espaço sideral, um desenho à moda do Exupèry, e quando uma criança passava pela projeção segurando uma esfera iluminada surgiam pássaros que levavam a criança a viajar entre os planetas da mesma forma como viajava o Pequeno Príncipe. Era bonito.

Em relação ao conteúdo, ficou meio perdido pela pobreza da apresentação. As informações mais interessantes não eram sobre o livro, mas sobre o Saint-Exupèry, sobre a vida do autor e sobre sua passagem pela América do Sul, incluindo o Brasil, como agente do correio aéreo francês (hoje Air France).

Mas a minha maior decepção veio de uma boa idéia mal aproveitada. Uma caixa branca formando uma salinha. Na parede branca revestida com um tipo de fórmica onde estava escrito: "Desenha-me um carneiro?" E havia giz para que a gente desenhasse um carneiro para o Pequeno Príncipe. Quem leu o livro lembra desse trecho em que o Pequeno Príincipe aborda o piloto de avião acidentado (o próprio Exupèry) no deserto pedindo que ele lhe desenhe um carneiro para que ele coma o baobá antes que ele invada o planetinha onde vive. E como é difícil para um adulto atender a esse pedido simples, desenhar um carneiro. Mas para uma criança é fácil. Ou era...

Quando entrei na salinha imaginei encontrar uma porção de carneiros desenhados pelas crianças. Mas para minha surpresa, encontrei muito poucos, 4 ou 5. De resto eram palavras, letras, nomes. Um "vai corinthians". Letras, letras, palavras. Um menininho nas costas do pai. Desenha-me um carneiro? E o pai: pega o giz, vai lá filho, escreve "Felipe" lá em cima.

E eis que temos menos um pequeno príncipe no mundo.

Quase lá

Hoje devo resolver meu problema de internet (ainda estou sem internet em casa), e daí voltamos a nossa programação normal.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quintan(ilh)a


GRAMÁTICA

Por mais que se ame,
Por mais que isso doa,
"Eu" sempre será
A primeira pessoa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nextel

Eu sou meio impaciente com propaganda. Não gosto de propaganda, não gosto dos produtos que elas vendem e, via de regra, não gosto de publicitários (não pessoalmente, mas profissionalmente, não das pessoas, mas da instituição). Mesmo assim, tem alguns publicitários e propagandas que me irritam especialmente.

E são muitas as propagandas que me irritam especialmente. Os comerciais da VIVO, por exemplo, odeio todos. Por isso meu celular é TIM. O UNIBANCO tem umas campanhas de cagar também. E as Casas Bahia? Até hoje o último lugar em que eu passo pra comprar alguma coisa é nas Casas Bahia. Acontece, mas eu evito...

Hoje em dia tenho o meu ranking de campanhas imbecis, e esse ranking tem um líder: NEXTEL. A propaganda tem sempre o mesmo esquema: um cara arrogante e metido que eu nunca ouvi falar andando e falando como ele é legal e rico. É uma baita falta de educação falar com alguém andando né? Eu acho. E o que é pior, as pessoas estão andam rapidamente em um lugar poético como o topo de uma montanha ou uma estrada no meio do nada. A estrada significa isso, significa aquilo, diria um publicitário. Significa o escambau, como se atrás da câmera não houvesse uma parafernália imensa, um caminhão de apoio, luzes água e sombrinha, de modo que o senhor bem-sucedido nem pode curtir de verdade aquele paisagem. Além disso, para mim o significado só pode ser o seguinte: quem fica andando rápido acaba sozinho no meio da estrada deserta. Ande devagar. Devagar é bom, devagar é legal. Fique parado!

Daí o cara legal e rico pega a câmera na mão (ou fala bem pertinho) contando que ele era um zé ninguém e que construiu um império. E sempre fazendo perguntas como: "quem acreditaria numa loja de roupa de neve em Búzios?" Eu sei lá! Quem compra roupa de neve em Búzios só pode ser um imbecil.

Depois de contar a bonita história de vida que se resume a "fiquei rico, me realizei, sou feliz" o cara legal sai andando como se estivesse atrasado com vontade de ir ao banheiro. Logo da Nextel com um narrador dando ao produto um ar de "entre para o nosso clubinho exclusivo para pessoas de sucesso". Ah, vai te catar! E pra corooar, o barulhinho característico do telefone que mais parece o rádio da PM.

E o pior é saber que alguma agência ganhou um rio de dinheiro pra bolar essa droga. E ainda contratar o Cacá Bueno como garoto propaganda! Quem quer ser como o Cacá Bueno? Tá loco...





quinta-feira, 22 de outubro de 2009

600 Kelvin

Corrigindo as provas dos alunos, é impressionante a quantidade de gente que confunde MAS com MAIS. Não o segundo pelo primeiro, mas o primeiro pelo segundo. Dá vontade de escrever: a prova está correta MAIS o seu português é medonho.

Falando nisso, o Globoesporte lançou um desafio pra uma turma que vai correr 600 kilômetros. E daí chamou de DESAFIO dos 600K. Peraí, 600K? Não seriam 600Km? "600 K" são 600 graus kelvin, uma temperatura lá pelos 300 e poucos graus centígrados, e todo o mundo sabe que correr a 300 e poucos graus centígrados não faz bem pra saúde...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A MAJESTADE DO XINGU

Bem legal o livro de Moacyr Scliar. Não tanto como "A mulher que escreveu a bíblia", mas gosto muito deste judeu gaúcho cuja esposa dava aulas de inglês para a Letícia, minha colega de mestrado, no escritório de sua casa em Porto Alegre. Falando em judeu, o livro conta a história de um judeu russo, um comerciante do Bom Retiro, obcecado pela figura de Noel Nutels, um menino que foi seu amigo durante a viagem de navio da Rússia para o Brasil. Enquanto esse judeu, que nem tem o nome citado no livro, tem uma vida sem grandes emoções atrás do balcão de sua lojinha, acompanha a distância a vida de seu colega de imigração, um médico sanitarista envolvido com os intelectuais comunistas que, depois do golpe militar passa a trabalhar com os índios do Xingu. Noel Nutels é o herói idealizado desse judeu um tanto infeliz com a própria vida, mas com conformismo, e com grande capacidade de fantasiar situações de sua vida e da vida de Noel que não sabemos se são ou não inventadas.


Enfim, Moacyr Scliar é sempre um tiro certo. E é claro que, depois de ler o livro fiquei me perguntando se Noel Nutels era uma pessoa real ou apenas um personagem. E a resposta é sim, ele é real! Só gostaria de saber se ele tem mesmo uma cicatriz no lábio superior feita por sua mãe que lhe apertou demais a boca enquanto fugiam de soldados comunistas russos. Quem sabe?